Nota dos Editores

Encerrado o ciclo eleitoral, a luta continua

Os Editores    13.Oct.09    Editores


Com a realização de eleições autárquicas em 11 de Outubro encerrou-se o longo ciclo eleitoral de 2009.

A leitura política de eleições autárquicas não permite generalizações, e muito menos a encenação mediática que tentou centrá-las nas eleições de Lisboa e Porto, dramatizando sobretudo nestes dois concelhos o cenário da bipolarização entre PS e PSD.

Mas mesmo a partir destas duas eleições há conclusões a tirar. A primeira é a confirmação de que essa falsa bipolarização é a repetição concelhia da alternância que há trinta anos degrada a democracia portuguesa. Tanto a maioria absoluta do PSD no Porto como a do PS em Lisboa são péssimos sinais para estas duas cidades, cuja decadência urbana, económica, cultural e cívica irá prosseguir, hipotecada às mãos das clientelas, do populismo reaccionário e dos negócios imobiliários.

A outra é o colossal oportunismo que continua a ser a opção de fundo do PS.

Apresentou-se em Lisboa como pólo congregador do «combate à direita» e conseguiu, com o sucesso dessa encenação, eleger para a presidência da câmara um dos seus membros mais intimamente vinculados à política de direita. No Alentejo, em contrapartida, foi graças ao apoio da direita mais reaccionária que conseguiu ganhar à CDU em Beja, e evitar a vitória da CDU em Évora.

A política sem princípios pode dar dividendos de curto prazo. Mas – tal como poderá verificar-se em breve em Lisboa – nem poderá evitar contradições internas, nem poderá iludir por muito tempo o conflito com os genuínos interesses da cidade e populares.

O PSD obteve alguns resultados significativos. Mas a previsível e já manifesta consequência desses resultados é o agudizar dos confrontos e da sua fragmentação interna, com a nova afirmação dos seus numerosos barões regionais e a incapacidade de reocupar o espaço político de direita que o PS lhe expropriou.

O CDS/PP ficou aparentemente invisível, inserido em coligações com o PSD. Mas o partido da extrema-direita parlamentar prossegue uma linha de afirmação que encontra terreno favorável tanto no oportunismo de direita do PS como na balbúrdia interna do PSD.

O BE obteve um resultado humilhante, que reduziu ao ridículo o triunfalismo e a presunção com que saíra das eleições legislativas. Força política que vive da promoção e dos favores mediáticos, desaparece quando a disputa política se desloca para o cenário do país real.

A CDU alcançou um resultado insuficiente, marcado pela perda de Beja, Aljustrel e Marinha Grande. No balanço geral devem ser valorizados importantes êxitos locais e em particular as expressivas votações alcançadas na península de Setúbal, que permitem manter a CDU como a força maioritária na importante área metropolitana de Lisboa.

Terminadas as etapas do ciclo eleitoral, ele deixa-nos um quadro institucional mais complexo do que aquele que existia anteriormente, mas também novas potencialidades de resistência e de luta.

Está nas mãos dos trabalhadores e das populações transformar o que é possível em alcançável.

A luta continua.

Os Editores de odiario.info

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