Entrevista com Mohamed Hassan
Como explicar o êxito do Hamas?

Resistência PalestinaO que é o Hamas? Foi o Hamas apoiado por Israel? Por que ganhou o Hamas as eleições palestinas? O Hamas saiu reforçado da recente invasão da Faixa de Gaza por Israel, porquê?
Estas e outras questões são respondidas nesta entrevista concedida a Grégoire Lalieu e Michel Collon por Mohamed Hassan, marxista etíope, ex diplomata, especialista em questões do Médio Oriente.

Para os grandes meios de comunicação a questão é clara: o Hamas é um grupo terrorista, integrista e fanático. No entanto, este movimento ganhou as últimas eleições e a sua popularidade não deixa de crescer entre os palestinos. Por quê? Perguntámos a Mohamed Hassan, autor de «O Iraque face á ocupação» e um dos melhores especialistas sobre o Médio Oriente.

O que é realmente o Hamas?
Mohamed Hassan.
O Hamas nasce de um dos mais velhos movimentos políticos do Egipto, os Irmãos Muçulmanos. A palavra «Hamas» significa «o despertar», e faz referência a algo que está em erupção… É um movimento nacionalista islamista que se poderia comparar ao grupo nacionalista irlandês que fez frente á ocupação colonialista britânica, e que se transformou a partir de 1916 como movimento de resistência, o Irish Republican Army. Como os irlandeses eram católicos e os colonos britânicos protestantes, o ocupante tentou fazer crer numa guerra de religião. A religião pode utilizar-se para mobilizar um povo por uma causa.

Que contexto histórico explica a aparição do Hamas?
Mohamed Hassan.
Para o compreender, devemos considerar diferentes acontecimentos históricos. O primeiro, é a Guerra dos Seis Dias que desacreditou o nasserismo, em 1967. Nasser foi um Presidente egípcio que fomentou uma revolução árabe pela independência e o desenvolvimento, mas por causa da severa derrota que Israel lhe provocou, a sua ideologia perdeu influência. Após a sua morte, o Egipto e Israel entraram de novo em conflito na guerra de Outubro, em 1973. O Egipto e a Síria queriam recuperar territórios sob a ocupação israelita. Finalmente, o Egipto e Israel estabeleceram um acordo, mas este acontecimento marcou uma profunda divisão no mundo árabe entre os países que estavam dispostos a aceitar as condições israelitas e os que queriam resistir como a Síria, a Argélia, o Iraque… Certamente que a questão palestina continuava a ser um elemento crucial nestes conflitos. A resistência a Israel por outro lado conduzira à formação da OLP, a Organização para a Libertação da Palestina. Esta organização foi criada com o objectivo de reunir os diferentes movimentos rebeldes, para conjugar os seus esforços. Antes de negociar com esta organização – nos chamados Acordos de Oslo – Israel considerava-a como um grupo terrorista e infligiu-lhe várias derrotas que podem explicar a aparição do Hamas.

A primeira derrota, ocorreu com o denominado «Setembro negro» de 1970. A OLP tinha o seu quartel-general na Jordânia onde o rei Hussein negociou um pacto com Israel para reprimir brutalmente a insurreição palestina. A OLP viu-se então obrigada a fugir para Beirute. A segunda derrota importante, ocorreu em 1982. Israel atacou o Líbano e a maioria dos combatentes da OLP teve que partir para muito longe da Palestina. A direcção da organização estabeleceu-se em Tunes. É neste contexto particular que chega a primeira Intifada em 1987. A Intifada foi um levantamento popular de reacção à ocupação israelita que começou em Gaza e continuou por toda a Palestina. Como disse, a OLP encontrava-se muito longe nesse momento. O Hamas, pelo contrário, encontrava-se na Palestina e participou da Intifada. Este acontecimento marca a chegada deste movimento que começou nas prisões, que eram consideradas como um lugar de castigo. No entanto, após a prisão dos resistentes da Intifada, esta situação foi mudando pelo facto de ter sido nas prisões que o Hamas começou a recrutar e a desenvolver-se como organização. Com a Intifada, o Hamas deu-se a conhecer perante a opinião pública da Palestina, de Israel e perante a comunidade internacional.

Como é que a OLP reage perante a Intifada?
Mohamed Hassan.
Com a Intifada, a OLP dividiu-se em duas alas: a mais forte – cuja base se encontrava em Tunes – era a que queria continuar com a resistência; e outra – menos importante – queria negociar um acordo. Os membros desta facção escondiam-se e não tiveram força para defender as suas opiniões até aos Acordos de Oslo, onde se manifestaram oficialmente, e se tornaram mais fortes. Arafat era um dos estrategas desta ultima, e que após o final da primeira Intifada, utilizou as diferentes correntes palestinas com o fim de levar a OLP para território palestino.

Quais eram essas correntes?
Mohamed Hassan.
Em primeiro lugar estavam os que desejavam prosseguir o combate contra Israel sem concessões, que Arafat deveria marginalizar. Depois, estavam os que queriam capitular, e que são quem dirige hoje o Governo palestino; e – finalmente – a burguesia, que desejava tirar partido de uma negociação. A estes, Arafat utilizou-os para obter o que queria. Esse processo conduz-nos aos Acordos de Oslo, em 1993, que permitiram à OLP voltar de novo à Palestina, mas fora isso, o resto foi uma grande derrota. Os palestinos aceitaram 22% das suas terras. Não há nenhum acordo na história que confira a uma parte somente 22% do que pede! A OLP deixa de ser considerada como uma organização terrorista e ganha o reconhecimento de Israel, mas não consegue melhorar realmente a situação em Gaza e na Cisjordânia. Não se mencionou nada no acordo para pôr fim á colonização israelita. Este elemento desacreditou a autoridade palestina perante a população e também contribuiu para o êxito do Hamas como movimento de resistência. Outra componente importante, é o facto de a autoridade palestina, que recebia fundos do Ocidente, se ter convertido numa organização corrupta. Nada indica que o Hamas tenha este problema. Por um lado, as suas principais fontes de receitas procedem de um sistema baseado na solidariedade do mundo muçulmano, e dado que criticaram duramente a autoridade palestina pela sua corrupção, zelam seriamente para que isso não aconteça nas suas fileiras.

Como explicar o êxito do Hamas?
Mohamed Hassan.
Três factores explicam o êxito do Hamas. O primeiro, é manter a resistência e rejeitar toda a solução imposta, o que corresponde à vontade da população.

O segundo factor, é que o Hamas exige o regresso dos refugiados de 1948 e de 1967. Em 1948, depois da criação do Estado de Israel, muitos palestinos foram expulsos do território. Com a guerra dos Seis Dias em 1967, aproximadamente 300.000 refugiados foram para a Jordânia. Actualmente há mais de seis milhões de refugiados que não têm direito a voltar novamente ao seu pais! Em contrapartida, o Estado judeu de Israel acolhe qualquer judeu de onde quer que ele venha: Espanha, Rússia, Etiópia… Pessoas que nunca estiveram na Palestina! O tema dos refugiados é um elemento importante nas pretensões palestinas, das quais o Hamas se fez porta-voz.

O último factor que contribuiu para o êxito do Hamas é a eliminação no seio da comunidade palestina das pessoas corrompidas por Israel para obter informações. Alguns foram executados, mas a maioria – entre os quais se contavam delinquentes, alcoólicos ou traficantes – foram reinseridos mediante os programas sociais do Hamas. A informação deixou de circular. Isto é muito importante, porque Israel tinha criado uma sociedade palestina corrupta onde todos estavam contra todos, o que era explorado para construir uma rede de informação e estabelecer um determinado controle sobre a resistência. Esta é uma estratégia típica utilizada pelas mentalidades colonialistas. Os britânicos aplicaram-na na Irlanda do Norte, nada de novo. Mas o Hamas conseguiu destruir esta rede, o que constitui uma grande vitória sobre Israel.

Há quem diga que Israel favoreceu deliberadamente a ascensão do Hamas. É verdade?
Mohamed Hassan.
De modo algum! Não existe nenhuma prova disso. Israel tolerou o Hamas esperando que ocorresse um conflito inter-palestino. Queriam debilitar a OLP e a Fatah, mas não esperavam a qualidade, a capacidade e a organização de que o Hamas deu provas desenvolvendo-se daquela maneira. Toda a potência colonial tende a considerar os submetidos como crianças ingénuas.

Como é que um movimento islamista se tornou tão popular na Palestina?
Mohamed Hassan.
Sob a ocupação, de Gaza e dos outros territórios, não era possível aos palestinos discutirem abertamente ou, inclusive, pensarem no seu futuro, excepto em dois lugares: a mesquita e a universidade. O Hamas já era certamente activo no primeiro, mas depois começou, como qualquer outro partido político, a manifestar-se nas organizações estudantis. A sociedade abre-se para todos os partidos! O Hamas recrutou então jovens estudantes brilhantes, que se destacavam na sociedade pela sua dedicação e honradez. Era fácil para o Hamas convencê-los, já que os unia a vontade de resistir. Não há mistério! O Hamas expressa abertamente o que a população sente no seu coração. Com os elementos mais combativos, os mais inteligentes e os mais educados da sociedade, o Hamas passou a ser uma grande organização.

Como reagiram as autoridades palestinas perante a evolução do Hamas?
Mohamed Hassan.
Estavam afectadas pela corrupção e os escândalos, inclusive vários jornalistas palestinos condenaram-nas por isso. Arafat era uma espécie de árbitro entre as diversas facções, mas depois da sua morte, as contradições entre o Hamas e a Fatah tornaram-se antagónicas. Israel explorou estas dissensões e começou a utilizar a Fatah para popularizar o Hamas, pensando que este nunca participaria em eleições. Esta a razão por que pensaram fazer eleições rapidamente. Toda a gente se surpreendeu pelo facto de o Hamas aceitar participar, mas ninguém estava realmente preocupado. Com efeito, pensavam que o movimento, ao apresentar uma maneira de pensar dogmática e muito limitada, seria superado pelo partido maioritário. Contra todas as previsões, o Hamas criou uma coligação e ofereceu uma imagem flexível, muito longe do que se poderia esperar de uma organização fundamentalista. Na verdade, o Hamas desejava um Estado islâmico, mas a realidade é diferente.

O Hamas vai ou não instaurar um regime islâmico na Palestina?
Mohamed Hassan.
Um regime islâmico é o objectivo último do programa do Hamas, mas deve dizer-se que nunca o poderá aplicar. Com efeito, in situ, a organização está integrada num movimento patriótico. É necessário saber que a brutal guerra de Israel contra Gaza não só mobilizou as forças do Hamas, como todas as forças patrióticas, incluindo as da Fatah. Esta agressão unificou o povo palestino.

O Hamas pode converter-se num movimento mais progressista em aliança com outros movimentos?
Mohamed Hassan.
Sim, devido à agressão israelita. A ideia de que o Hamas possa criar uma sociedade baseada em métodos islâmicos é uma ilusão. É simplesmente impossível. Por múltiplos aspectos, esta organização assemelha-se ao Hezbollá que diz: «O Líbano é um país de uma grande diversidade. Só representamos uma fracção e o nosso objectivo é construir com todos os progressistas libaneses uma economia nacional independente.» Quero assinalar de passagem que ninguém questiona este aspecto em relação a países como a Arábia Saudita.

Qual é o programa sócio-económico do Hamas?
Mohamed Hassan.
O seu projecto é uma economia capitalista caracterizada por uma intervenção importante do Estado. Tenhamos em conta que actualmente, até os liberais europeus desejam uma intervenção do Estado! Se observarem o Irão, têm um regime islâmico: com um sistema capitalista e com a intervenção do Estado, mas rejeitando as dominações exteriores e redistribuem as riquezas procedentes do petróleo. No que se refere ao Hamas, é necessário saber que não é o seu programa essencialmente social que seduz os palestinos mas sim o facto de este movimento personificar a resistência. E hoje, a resistência é o que conta mais para o povo da Palestina.

Qual o papel da mulher segundo o Hamas?
Mohamed Hassan.
A sua visão do papel da mulher é diferente da teoria para a prática. Por quê? Porque na Palestina, a situação é muito difícil, as mulheres têm que trabalhar para ganhar a sua própria subsistência e criar os filhos. O Hamas nunca poderá impedi-las de trabalhar, e ainda menos forçá-las a voltar a ser donas de casa. Tirando alguns países petrolíferos ricos, ninguém pensa dessa maneira no mundo árabe. Como poderia o Hamas retirar da sociedade mais de 50% da força de trabalho palestina? Na verdade, aquele que não respeita a mulher é porque acredita que é possível controlá-la como um sujeito passivo.

Há diferenças culturais entre o mundo árabe e o Ocidente que não são bem compreendidas porque se baseiam em estereótipos. Tomemos um exemplo. Quando aqui vão a uma livraria, encontram montões de revistas em cujas capas aparecem mulheres seminuas… Ninguém diz que isso é desagradável e que se deveria tratar melhor estas mulheres. Mas quando se vê uma mulher com véu fala-se de opressão! Há um duplo padrão e hipocrisia no Ocidente. Por exemplo, na Indonésia, o regime actual foi estabelecido em 1965 por um golpe de Estado, que massacrou um milhão de comunistas. Na actualidade, a maioria das mulheres desse país vão cobertas, mas ninguém se indigna pela sua situação, já que este país é produtor de petróleo e está alinhado com o Ocidente.

Por que é que o Hamas é rejeitado na Europa?
Mohamed Hassan.
O Islão não está bem visto na Europa porque esta se identifica com o cristianismo, pelo que há uma verdadeira recusa da contribuição muçulmana para o desenvolvimento da civilização ocidental. Como grupo islâmico, o Hamas está mal visto. Mas por que é que uma pessoa, que condena o sionismo, tem um problema com o Hamas? E por quê a mesma pessoa, que apoia a causa irlandesa, não tem nenhum problema no que se refere a uma organização católica? As diferenças culturais explicam isso, e é um fenómeno que se pode observar.

Volto, precisamente do Egipto, onde pude constatar que ao cruzar o Mediterrâneo, se muda de mundo, se muda a maneira de pensar. Não culpo os europeus, que estão marcados pela sua educação e a propaganda da informação. Além disso, estamos num sistema onde devemos sempre identificar os inimigos para justificar a nossa própria existência. Mas creio que é necessário reflectir sobre o justo equilíbrio. Eu mesmo, como marxista, vivo num país ocidental, tenho certamente divergências com o Hamas ou o Hezbollá. Lamento que a resistência seja levada por um movimento que se inspira no Islão, mas estas contradições, actualmente, são secundárias. Em contrapartida, sou completamente contrário a pessoas como Abbas ou Moubarak, que são laicos, mas que servem os interesses dos Estados Unidos. Leio as informações em árabe, conheço bem a situação e percebo as contradições de um ponto de vista diferente do da esquerda europeia.

Por que é que a esquerda europeia não apoia abertamente a resistência palestina?
Mohamed Hassan.
O problema da esquerda europeia, é que se nega a fazer uma grande aliança contra o imperialismo, devido ao Hamas, às mulheres com véu e toda uma classe de pretextos. Na realidade, deixa-se levar pela grande aliança dos cristãos contra o Islão, volta a entrar na «guerra das civilizações» lançada pelos ideólogos americanos. Sofre, muito profundamente, esta influência, muito mais do que pensa. Por que é que a esquerda europeia não se irrita quando fascistas cristãos, como os falangistas, massacram o Líbano? Pela minha parte, como laico, apoiei a resistência dos irlandeses contra a ocupação britânica e não tinha nenhum problema pelo facto de estes irlandeses serem católicos. Na realidade, o problema do europeu, é que cresceu numa civilização que tem preconceitos sobre os judeus e os muçulmanos.

Por que é a questão palestina tão importante para os Estados Unidos?
Mohamed Hassan.
A Palestina é um pequeno país que – apesar de tudo – se converteu num local em que se joga muito do que há de mais importante no mundo, por duas razões. A primeira, é que o Estado colono que foi criado a partir do exterior, deve ser defendido pelas potências imperiais, os Estados Unidos e a Grã- Bretanha, para se tornar no elemento dominante do Médio Oriente. É o meio de esmagar o movimento revolucionário democrático na região. Se esmagam a causa palestina, impedem uma aliança do mundo árabe com todas as linhas de resistência no Iraque, no Líbano… Antes, era o Xá do Irão que desempenhava o papel de polícia na região, os Estados Unidos tinham colocado aí uma ditadura militar para servir os seus interesses na região. Actualmente é Israel. Um dos exemplos mais destacados desta prática é a revolução no Iémen do Norte nos anos 60. Foi perpetrado um golpe por alguns funcionários apoiados pelo Egipto para instaurar uma República democrática. O Xeque que dirigia o Iémen, foge para a Arábia Saudita. Então, os britânicos organizaram tropas contra a jovem República para esmagar o movimento nacionalista árabe, envolvendo soldados treinados por Israel, para combater as forças de libertação. Israel enviou também milícias para El Salvador, Sri Lanka, Colômbia… Na realidade, por todas partes onde os Estados Unidos se introduzem, Israel foi ou está implicado.

A segunda razão que está em jogo é Jerusalém como Cidade Santa, já que é a segunda cidade por ordem de importância para o Islão. A questão mobiliza, então, todos os muçulmanos através do mundo, e como Jerusalém é também muito importante para os cristãos palestinos, Israel não a abandonará, porque isso seria considerado como uma vitória para os palestinos e para o Islão. Para além disso, estando situada sobre a fronteira entre Israel e a Cisjordânia, Jerusalém ocupa una posição estratégica na política de expansão israelita. Na verdade, é necessário saber que este Estado não tem fronteiras bem definidas. Nem sequer tem uma Constituição! Israel tem, francamente, todos os meios para continuar a expandir-se.

Massacrando assim, selvaticamente, em Gaza, que mensagem quer fazer passar Israel?
Mohamed Hassan.
A mensagem é: «Israel estará sempre ali, inclusive com armas nucleares e pode impor-lhes o que quiser».

E isso resultará?
Mohamed Hassan.
Não, porque do outro lado há combatentes que não têm já nada a perder e que estão dispostos a sacrificar-se, coisa que não se encontrará nas fileiras do Tsahal N.do T.: [Exército israelense]. Com o seu ataque, Israel não obteve nada de fundamental, muito pelo contrário, o Hamas vai sair reforçado deste conflito. Inclusive na Cisjordânia, as pessoas dizem que se hoje houvesse eleições, votariam neste partido. Na realidade, os que resistem ganham sempre.

Este texto foi originalmente publicado em www.michelcollon.info

* Michel Collon é escritor e professor de jornalismo; Grégoire Lalieu é membro do «Centre de Jeunes de la Louvière (Bélgica).

Tradução: Guilherme Coelho

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