Espaço e tempo

Agostinho Lopes    24.Ago.20    Outros autores

«Nada é verdadeiramente novo na campanha contra a Festa do Avante!. A não ser o ponto de partida, falso, com que justificam as suas invectivas. Nada representa verdadeiras preocupações pela saúde pública, antes a instrumentalização da Covid para renovação dos ataques à Festa.»

Em 1976 uma potente bomba tentou liquidar a Festa que então nascia ali na FIL, na Junqueira. A extrema-direita não aparece com o Chega. Dá-se até o caso de uma interessante coincidência com a personagem que é hoje a segunda figura e putativo deputado dessa organização pertencer então ao MDLP, autor dessa operação terrorista. Da FIL a Festa foi admitida no Vale do Jamor. A aspereza e dimensão do terreno era a expectativa de alguns em enterrar a Festa nesse ano de 1977. Mas não suportaram tal acontecimento às portas de Lisboa, havia que atirar a Festa para mais longe e espaço/terreno por desbravar. E lá mudou para o Alto da Ajuda no Casalinho, em plena Mata de Monsanto. Muita pedra, muito mato a revolver e limpar. E muitos problemas técnicos. Mas que festas aí se desenrolaram! O que não podia ser. Logo Krus Abecassis, CDS, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, descobriu com os seus parceiros (PSD+PPM) outra utilização para aquele espaço. E em 1987 não houve Festa. A direita tinha dado (julgava) um bote fatal. Em 1988 desbravou-se novo espaço no Vale de Loures, onde se repetiu a de 1989. Mas havia que pôr fim aos sobressaltos anuais. Nesta última Festa em Loures anuncia-se a compra da Quinta da Atalaia. Pensar que tudo ficaria resolvido seria não contar com o ódio de estimação e o anticomunismo congénito. Mudaram de instrumentos mas não desistiram dos objectivos. Campanhas contra as autarquias CDU e de outras maiorias partidárias que se solidarizaram com a Festa. Uma Lei para as contas dos partidos (do PSD), onde, entre outras manigâncias, se estabeleceu um tecto para as receitas das festas partidárias. Lei direitinha à Festa do Avante! ao impor um número limite de participantes. Nunca esclareceram o que faria o PCP à receita excedentária. Ou seja, teria de a controlar por redução de entradas. Mas há outro espaço que persegue a Festa do Avante!. O espaço que nunca existe para a notícia e a informação do notável evento. Há jornais que no dia seguinte aos grandes comícios de domingo não conseguem apresentar uma fotografia ou notícia. Um espaço que se multiplica para críticas verrinosas, falsidades e calúnias, focagens distorcidas, parciais, concentradas na imagem e palavra que demonstre o que se quer demonstrar. Durante anos, a Festa do Avante! era uma festa de velhinhos… e a “caça mediática” aos idosos era um ver se te avias… Mesmo que milhares de jovens povoassem todos os espaços. Um jornal de referência de uma jornalista de referência (“Público”) chegou a descobrir que os comunistas reduziram o espaço da plateia do palco 25 de Abril, fazendo avançar a enorme mole de betão para empolar o número de participantes no comício… Espaço que nunca falta para a vontade de desfigurar a Cidade Internacional. Em vez de lugar das lutas dos povos pelo bem-estar e progresso dos seus países, lugar fabricado pelas suas notícias e comentários das agressões do imperialismo, eco das centrais de (des)informação e propaganda do capital. Espaço que agora não falta para semear o pânico e a mentira a propósito da realização da Festa em Setembro. As gentes de boa fé, os comunistas e os não comunistas, com dúvidas, oposições e críticas à realização da Festa do Avante!, não se esqueçam nem se enganem. Nada é verdadeiramente novo na campanha contra a Festa do Avante!. A não ser o ponto de partida, falso, com que justificam as suas invectivas.
Nada representa verdadeiras preocupações pela saúde pública, antes a instrumentalização da Covid para renovação dos ataques à Festa.

Fonte: Jornal Económico, 20.08.2020

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