EUA:
Dirigidos e influenciados por mentirosos

Paul Craig Roberts*    07.Oct.09    Outros autores

Paul Craig Roberts“Alguém se lembra de todas as mentiras que foram ditas pelo Presidente Bush, e pelos «media de referência», sobre as graves ameaças para a América das armas de destruição massiva no Iraque? (…)
Agora, repete-se todo o processo. Desta vez, o alvo é o Irão”.
Tal como Bush em relação ao Iraque, também agora em relação ao Irão a administração Obama, e os “media de referência” naturalmente…, ignoram os relatórios da AIEA. “Como o governo de Bush, a política do Médio Oriente do governo de Obama é baseada em mentiras e em decepção”.

Alguém se lembra de todas as mentiras que foram ditas pelo Presidente Bush, e pelos «media de referência», sobre as graves ameaças para a América das armas de destruição massiva no Iraque? Tais mentiras foram repetidas infindavelmente na imprensa escrita e nos media televisivos, apesar das informações dos inspectores de armamento, que foram enviados ao Iraque, de que essas armas não existiam.

Os inspectores de armamento desempenharam um trabalho honesto no Iraque e disseram a verdade, mas os media de referência não realçaram as suas conclusões. Em vez disso, os media agiram como um Ministério de Propaganda, batendo os tambores da guerra para o governo dos Estados Unidos.

Agora, repete-se todo o processo. Desta vez, o alvo é o Irão.

Como não há um caso evidente contra o Irão, Obama seguiu à letra o livro de peças teatrais de Bush e fabricou um.

Os factos, em primeiro lugar. Como signatário do tratado de não-proliferação, as instalações nucleares iranianas estão abertas à inspecção pela Agência Internacional de Energia Atómica, que, cuidadosamente, controla o programa de energia nuclear do Irão, afim de se certificar de que nenhum material é desviado para armamento nuclear.

A AIEA controlou o programa de energia nuclear do Irão e anunciou, repetidamente, que não encontrou nenhum desvio de material nuclear para um programa de armamento.Todas as 16 agências americanas de informações afirmaram, e reafirmaram, que o Irão tinha perdido interesse em armas nucleares há anos atrás.

Cumprindo com o acordo de salvaguarda de informar a AIEA antes da efectivação duma instalação de enriquecimento, o Irão comunicou à AIEA no dia 21 de Setembro, de que iniciara a construção de uma nova instalação nuclear. Com a informação prestada à AIEA, o Irão cumpriu as suas obrigações, ao abrigo do acordo de salvaguarda. A AIEA inspeccionará a instalação e controlará o material nuclear produzido, afim de ter a certeza de que não haverá desvios para um programa de armamento.

Apesar destes inequívocos factos, Obama anunciou no dia 25 de Setembro, que o Irão fora apanhado com «uma instalação nuclear secreta» para produzir uma bomba que ameaçaria o mundo.

A reclamação pelo regime de Obama de que o Irão não cumpre o acordo de salvaguarda é desinformação. Entre o fim de 2004 e o princípio de 2007, o Irão cumpriu voluntariamente com um protocolo adicional (Código 3.1), que nunca foi ratificado, e nunca integrou a parte legal do acordo de salvaguarda.

O protocolo adicional, teria obrigado o Irão a notificar previamente a AIEA da construção de uma nova fábrica, enquanto o acordo de salvaguarda em efeito exige notificação prévia ao final da construção de uma nova fábrica. O Irão terminou a sua conformidade voluntária com o protocolo adicional por ratificar em Março de 2007, provavelmente devido às distorções americanas e israelitas das actuais instalações iranianas e às ameaças militares contra eles.

Acusando o Irão de ter «programa de armas nucleares», e exigindo que o Irão «se explique» relativamente ao programa inexistente, acrescentando que ele não exclui um ataque militar contra o Irão, Obama imita o desacreditado governo de Bush que utilizava inexistentes «armas de destruição massiva» no Iraque para lançar a sua invasão.

Os media norte-americanos, incluindo o «liberal» National Public Radio, rapidamente aceitaram a máquina Obama da mentira. Steven Thomma, dos «McClatchy Newspapers», declarou que a fábrica não-operacional em construção, que o Irão anunciou à AIEA, era «uma fábrica nuclear secreta».

Thomma relatou incorrectamente que o mundo não soube da fábrica “secreta” do Irão, a que o Irão tinha informado a AIEA na segunda-feira anterior, até Obama a ter anunciado numa presença conjunta em Pittsburgh na sexta-feira seguinte, com o Primeiro Ministro britânico Gordon Brown e o Presidente francês Nicolas Sarkoszy.

Obviamente, Thomma não manda nos factos, uma inadequabilidade de rotina de repórteres dos «media de referência». A nova fábrica foi conhecida quando o Irão voluntariamente a anunciou à AIEA no dia 21 de Setembro.

Ali Akbar Dareini, um autor da Associated Press, escreveu incorrectamente: «A presença de um segundo local de enriquecimento de urânio, que poderá produzir material para armamento nuclear, é uma das mais seguras indicações de que o Irão tem algo a esconder».

Dareini afirmou ainda que «a existência de um local secreto foi revelada em primeira-mão por agentes secretos ocidentais e diplomatas na sexta-feira».

Dareini está errado. Soubemos da fábrica quando a AIEA anunciou que o Irão informara da sua existência na segunda-feira anterior, cumprindo o acordo de salvaguarda.

O mentiroso anúncio de Dareini de «uma fábrica de enriquecimento de urânio secreta e subterrânea, cuja existência era mantida escondida dos inspectores internacionais durante anos», ajudou a aumentar o alarme orquestrado.

Eis o que aconteceu. O Presidente dos Estados Unidos e as suas marionetas europeias fazem aquilo que sabem fazer melhor: mentir. Os «media de referência» americanos repetem as mentiras como se elas fossem factos. Os media dos Estados Unidos estão novamente a tornar-se cúmplices de guerras baseadas em invenções. Aparentemente, o interesse principal dos media é agradar ao governo dos Estados Unidos e ter a esperança de obter caução pelas suas erradas operações impressas.

O Dr. Mohamed El Baradei, Director Geral da Agência Internacional da Energia Atómica, um homem incomum de princípios, que não vendeu a sua integridade aos governos dos Estados Unidos e de Israel, refutou no seu relatório (de 7 de Setembro de 2009) as infundadas «acusações de que a informação acerca do programa nuclear do Irão tivesse sido sonegada ao Conselho de Governadores. Estou consternado pelas alegações de alguns Estados Membros, que foram transmitidas aos media, de que a informação tivesse sido sonegada do Conselho. Estas alegações têm motivos políticos e são totalmente infundadas. Tais tentativas para influenciar o trabalho do Secretariado e debilitar a sua independência e objectividade são uma violação do Artigo VII.F dos Estatutos da AIEA e devem cessar imediatamente».

Como não há nenhuma base legal para iniciar uma acção contra o Irão, o governo de Obama está a criar outro embuste, como aquilo que não existiu «as armas de destruição massiva do Iraque». O embuste é que a fábrica anunciada pelo Irão à AIEA é uma fábrica secreta para o fabrico de armas nucleares.

Do mesmo modo que os relatórios factuais dos inspectores de armamento no Iraque foram ignorados pelo governo de Bush, os relatórios da AIEA são ignorados pelo governo de Obama. Como o governo de Bush, a política do Médio Oriente do governo de Obama é baseada em mentiras e em decepção.

Quem é o pior inimigo do povo americano, o Irão ou o governo em Washington e as prostitutas dos media que o servem?

* Paul Craig Roberts foi Secretário-Adjunto do ministério das Finanças dos Estados Unidos e editor do Wall Street Journal

Este texto foi publicado em www.opednews.com

Tradução de João Manuel Pinheiro

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