FARC: Uribe um cobarde

FARC-EP    20.Dic.07    Outros autores



Numa indesmentível prova da sua grandeza, capacidade de iniciativa, boa fé e vontade de negociar uma paz justa e democrática, as FARC-EP decidem libertar 3 prisioneiros.

Comunicado do FARC-EP

1. Álvaro Uribe fracassou na sua tentativa de manipular o presidente Chávez e a senadora Piedad Córdoba. Uma vez mais mostrou o seu verdadeiro rosto como inimigo que é do acordo humanitário e da paz concertada.

2. A indigente anuação da gestão mediadora foi um acto de barbárie diplomática contra o legítimo chefe de um Estado irmão e contra o povo venezuelano, solidários com o pedido feito por Bogotá. Com esse vergonhoso bater a porta criou-se um péssimo precedente, pois este também o foi para o presidente Sarkozy, os presidentes latino-americanos solidários com os trabalhos de mediação, os outros governos sempre diligentes para com os temas humanitários, o Movimento de Países Não Alinhados, os povos da França, dos Estados Unidos, de toda a América Latina e, especialmente, para os esperançados familiares dos prisioneiros de guerra das partes, que pressentiam o fim das suas angústias.

3. Este governo que se refere às FARC como se estivesse a ganhar a guerra, com fantásticos discursos dirigidos às elites empresariais do mundo, não engana 30 milhões de colombianos pobres nem as pauperizadas camadas médias, vítimas diárias da violência económica, social e militar do estado. Muito menos consegue ocultar ao mundo com o mentiroso comunicado que cancelou a mediação, a intensa confrontação armada de profundas raízes político-sociais que vive a Colômbia, nem a ilegitimidade do regime cujo presidente e boa parte dos congressistas, alcaides e governadores foram eleitos graças à directa intervenção política, financeira e armada do terrorismo narco paramilitar.

Demasiado cobarde para negar com franqueza qualquer possibilidade de acordos humanitários, confundido para precisar se as FARC são terroristas ou uma força político-militar beligerante com a qual está disposto a dialogar e chegar a acordos, o presidente Uribe, sem nenhuma seriedade, muda radicalmente as suas opiniões cada fim-de-semana e improvisa inaceitáveis propostas como a actual de dialogarmos com o mentiroso representante Restrepo, em inóspitos, remotos e clandestinos lugares, com um prazo de 30 dias, enquanto nos enche de impropérios, ameaça com mais operações, ratifica a sua ordem de resgate militar e oferece dólares aos combatentes das FARC para atraiçoarem os seus ideais.

Definitivamente, a este governo falta realismo e grandeza para falar com a insurreição farquiana.

5. Reafirmamos a necessidade desmilitarizar Florida e Pradera por 45 dias para concretizar um acordo humanitário, mantemos a nossa decisão em realizá-lo e por avançar na solução política do conflito social e armado, como resultado de um processo rodado de garantias plenas por parte do Estado, procurando não a recomposição do actual regime paramilitarizado, corrupto e ajoelhado perante o império, mas a construção de um novo, transparente, verdadeiramente democrático e soberano como o expomos no manifesto farquiano e na plataforma bolivariana.

6. Agradecemos ao presidente Hugo Chávez a sua dedicação, o colossal esforço como mediador, a inquestionável boa-fé nesta jornada humanitária, a sua solidariedade coma a causa pacífica do nosso povo e o tempo investido, apesar das suas grandes responsabilidades como primeiro responsável da irmã república bolivariana da Venezuela. A história prestará o merecido reconhecimento à sua mediação humanitária.

7. Perante a infâmia uribista, e como desagravo ao presidente Chávez, à senadora Piedad Córdoba e aos familiares dos prisioneiros, aceitamos o seu apelo a libertar a doutora Clara Rojas, o seu pequeno Emmanuel e a doutora Consuelo González de Perdomo, como prova inquestionável da esperança que tínhamos depositado no seu papel de mediador. Elas e Emmanuel deverão ser recebidas pelo presidente Chávez ou por quem ele designe, em circunstâncias tais que se evitem as baixezas uribistas como as sucedidas com as «provas de vida». A ordem para os libertar na Colômbia já foi emanada.

Secretariado do Estado-Maior Central das FARC-EP

Dezembro de 2007

Tradução de José Paulo Gascão

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