Filho de Bolsonaro coordena em Washington ataques contra Cuba e Venezuela

A eleição do candidato neofascista no Brasil irá repercutir-se num acréscimo da agressividade imperialista contra os regimes progressistas na América Latina e contra a Cuba revolucionária. Os EUA esperam de Bolsonaro que seja um digno sucessor dos bárbaros ditadores que mantiveram o domínio sobre o seu «pátio das traseiras».

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, encomendou a seu filho a tarefa de subordinar a política exterior da nação sul-americana aos interesses dos Estados Unidos, em especial nos temas relacionados com Cuba e Venezuela.

Eduardo Bolsonaro, senador pelo estado rico de São Paulo, viajou no início desta semana a Washington como enviado do seu pai junto do Departamento de Estado, do Departamento do Tesouro e do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, informou o diário O Globo.

Durante os seus encontros com funcionários de segunda e terceira linha em Washington, Bolsonaro Jr. mostrou-se especialmente interessado em assinar um acordo com os Estados Unidos para aumentar a perseguição financeira contra Havana e Caracas.

Segundo O Globo, o senador disse que há instrumentos de investigação dentro da chamada Convenção de Palermo contra o crime organizado que o Brasil poderia usar contra ambos países.

A judicialização da política foi a principal estratégia da direita brasileira para retirar do caminho os seus rivais , como foi o caso do líder do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva, que era favorito em todas as sondagens para as passadas eleições presidenciais, mas não pôde apresentar-se devido ao cerco com que o sistema judicial o envolveu.

Segundo se depreende das declarações de Bolsonaro, o plano do novo governo, uma vez que assuma o mandato em Brasília no próximo 1º de Janeiro, será a “internacionalização” das técnicas que permitiram destituir a mandataria eleita, Dilma Rousseff, e depois retirar Lula de jogo mediante artimanhas legais.

O Brasil está a estudar alianças com o governo estado-unidense com esse propósito, disse Bolsonaro Jr.

Adiantou inclusivamente que as accões contra Cuba e Venezuela serão coordenadas pelo Ministério da Justiça, a cargo de Sérgio Moro, o polémico Juiz que converteu as investigações de corrupção do caso Lava Jato em uma caça às bruxas contra os dirigentes do PT.

“Existem diversos instrumentos que o Brasil durante anos, de maneira intencional, não tomou a sério. São instrumentos que estão disponíveis. O Juiz Sergio Moro sabe mais do que ninguém sobre lavagem de capitais, combate ao crime organizado, Convenção de Palermo. E junto com a equipa do embaixador Ernesto Araújo, tem muito a fazer nessa área”, disse o senador no Twitter.

Bolsonaro filho sugeriu também que as investigações da Operação Lava Jato, que até agora eram encabeçadas por Moro, poderiam ser usadas para apontar possíveis activos venezuelanos e cubanos no Brasil.

O enviado do presidente eleito de Brasil foi recebido em Washington pelo secretário-geral da OEA, Luis Almagro.

Almagro é o ponta de lança de Washington contra os governos progressistas na América Latina e desde que assumiu a chefia da OEA recrudesceram os ataques contra los governos que não correspondem aos interesses norte-americanos.

Bolsonaro Jr. também se reuniu com a subsecretaria adjunta do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, Kim Breier, e funcionários do Conselho de Defesa Nacional.

“Falamos principalmente do primeiro passo que o Brasil está dando de seguir junto aos Estados Unidos em temas internacionais“, disse o senador a repórteres enquanto saía do American Enterprise Institute.

A viagem aos Estados Unidos ocorre em vésperas da chegada ao Rio de Janeiro do polémico conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos John Bolton, que se reunirá com Jair Bolsonaro na próxima sexta-feira.

“Feliz por receber a visita do conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, o senhor John Bolton, na próxima semana; seguro de que teremos uma conversação produtiva e positiva em favor das nossas nações”, escreveu no Twitter o líder ultradireitista.

O actual assessor de Segurança Nacional de Trump foi subsecretario de Estado e depois Embaixador na ONU do governo de George W. Bush. Em ambos os cargos destacou-se pelas suas posturas ultraconservadoras e agressividade contra países soberanos.

Esteve também entre os que asseguraram a existência de armas de destruição massiva no Iraque, o que levou Washington em 2003 a uma guerra que custou milhares de milhões de dólares e deixou um número de mortos que alguns calculam superior ao milhão, sobretudo população local.

Os laços deste personagem com a ultradireita de origem cubana da Florida são conhecidos, tal como o seu historial de provocações e agressões contra a Maior das Antilhas.

A mais conhecida das suas loucuras contra Cuba foi um discurso no ano de 2002 em que declarou Havana como parte do “Eixo del mal”, o grupo de países que podia ser “bombardeado em qualquer momento” pelo governo de Bush.

Tanto o presidente eleito de Brasil como o seu filho compartilham com Bolton algumas das suas ideias mais extremistas.

Bolsonaro pai defendeu a ditadura militar brasileira durante a campanha e o seu filho ameaçou com ilegalizar alguns partidos políticos no Brasil.

Embora o novo governo brasileiro de ultradireita não tenha tomado posse, as ameaças e provocações do presidente eleito provocaram já a saída dos médicos cubanos do programa Más Médicos, o que deixará de imediato cerca de 30 milhões de pessoas sem cobertura de saúde.

De acordo com O Globo, Bolsonaro Jr. recebeu uma felicitação das autoridades estado-unidenses por demolir o programa em que participaram mais de 20 mil médicos da Maior das Antilhas e graças ao qual foram levadas a cabo mais de 100 milhões de consultas médicas.

Fonte:http://www.cubadebate.cu/especiales/2018/11/27/hijo-de-bolsonaro-coordina-en-washington-ataques-contra-cuba-y-venezuela/#.W_6K7GieTIV

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