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Hezbollah liberta o Libano da presença do Estado Islâmico

Sayyed Nasrallah*    31.Ago.17    Outros autores

O secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Nasrallah proferiu segunda-feira à noite um discurso televisionado para informar do êxito da Segunda Vitória do Líbano, libertado dos terroristas takfir [1], em 28 de agosto de 2017, depois sa saída do último terrorista da fronteira sírio-libanesa. Publicamos em seguida o discurso:

«Em primeiro lugar gostava de apresentar as minhas condolências às famílias dos mártires do Exército libanês, do sírio e da Resistência. Saúdo, igualmente os sacrifícios dos mártires que alcançaram esta vitória no campo de Ras Baabek e no de Qalamún sírio.

Depois da minha última intervenção ouvi varias reações negativas. Compreendemos essa cólera e desde 2000 que estamos habituados a este tipo de acusações.

Mas há um ponto que não podemos deixar passar em branco sobre a moralidade do Hezbollah.

Eles (alguns partidos libaneses descontentes com esta vitória)pretenderam que o Hezbollah exercesse chantagem sobre o Exército libanês a propósito do destino dos militares do Exército sequestrados pelo Estado Islâmico (EI), a fim de empurrar o governo libanês para negociações com as autoridades sírias.

No meu anterior discurso [23 de agosto] disse que havia duas opções: o Estado libanês era livre de negociar o destino dos militares e das autoridades sírias estavam dispostas a cooperar com os libaneses, mas pediam que esta coordenação fosse pública.

Ora bem, o Hezbollah poderá levar a cabo as negociações. Não fizemos a menor chantagem nem pedimos nada ao governo libanês. O nosso objetivo era conseguir este resultado, e conseguimo-lo.

O Hezbollah rejeita categoricamente ser acusado de chantagem num tema humanotário.

Todos os que lançaram estas acusações são ignorantes da língua árabe ou mentes perversas e desprovidas de toda a moralidade.

As condições do Hezbollah

No princípio da batalha o EI tinha pedido um cessar fogo que nós rejeitámos. Mas quando se encontrou assediado e encurralado sob o fogo dos dois lados da fronteira, eles capitularam e aceitaram as nossas condições, no passado sábado à tarde. E estas eram:
• A revelação do destino que tinham conhecido os militares libaneses sequestrados e a devolução dos seus corpos no caso de terem sido mortos.

• A restituição dos corpos de todos os mortos do Hezbollah caídos em Qalamún.

• A libertação de todos os detidos de todas as nacionalidades e a restituição dos corpos dos mortos do decurso da batalha na região síria de Badiat al Sham.

• A libertação dos bispos Bulos Yazigui e Yuhanna Ibrahim, bem como do jornalista libanês Samir Kassab.

O EI disse que não foram eles quem sequestrou os dois bispos e o jornalista libanês.

Quanto a Badiat al Sham, o EI indicou que não tinha mais que um prisioneiro, o libanês Ahmad Maatuk. Como sabeis, o EI tem o costume de matar os seus prisioneiros. Quanto aos corpos dos mortos o EI abandona-os sem os enterrar. O EI afirmou que tinha só os corpos de três combatentes: dois libaneses que provavelmente sucumbiram às suas feridas e o corpo do preso iraniano que decapitou recentemente (Mohsen Hoyayyi).

No entanto, o EI reclamou a libertação dos seus prisioneiros da prisão libanesa de Rumieh, uma questão que foi categoricamente rejeitada.

Também reclamou que o Hezbollah garantisse a saída das suas famílias e dos seus feridos a troco da libertação do preso do Hezbollah, Maatuk e dos corpos dos mártires. E os seus militantes ficariam no campo de batalha para combater ou entrar numa segunda fase de negociação.

O Hezbollah rejeitou esta condição e reclamou ao grupo que revelasse o que se tinha passado com os militares do Exército libanês sequestrados.

Assediado e debaixo de fogo do Exército libanês, sírio e do Hezbollah, o EI compreendeu que o jogo tinha acabado e viu-se obrigado a aceitar as nossas condições.

Reconheceram que os militares do Exército libanês sequestrados tinham sido assassinados. Nós pudemos recuperar os corpos dos militares e dos nossos mártires. Quanto aos prisioneiros do EI foram expulsos da nossa região para a região síria de Bukamal (em Deir Ezzor).

Verificou-se, então, a entrega do prisioneiro libanês e dos corpos dos nossos mártires. Em contrapartida, 308 militantes do EI, 26 feridos e 331 civis familiares de todos eles serão transportados de autocarro ao lugar acima referido.

Apelos à vingança sobre o EI

Depois de ser revelado o destino dos militares libaneses (que foram assassinados em cativeiro pelo EI), alguns libaneses elevaram a voz para reclamar vingança contra os militantes do EI e pediram que não se deixassem partir. Algumas vozes são honestas, ao passo que outras procuravam deslustrar a vitória nos territórios libaneses e em Qalamún.

As pessoas devem saber que depois da libertação do campo de Arsal, o Exército e o Hezbollah dispunham de informações sobre o local onde foram enterrados os militares libaneses. Procurámos ali sem qualquer resultado. As buscas foram retomadas durante a ofensiva contra o EI no campo de Ras Baalbek e Qalamún.

Aconteceu que depois da capitulação dos membros do EI verificámos que os corpos dos militares estavam enterrados a uma centena de metros do local onde os havíamos procurado. A vitória não teria sido completa se não tivéssemos conhecido o destino destes militares.

Trata-se de uma das razões do atraso da batalha. Não queríamos correr o risco de eliminar os indivíduos que sabiam onde se encontravam os corpos dos militares. Usámos também a nossa supremacia militar como instrumento de pressão.

Quanto àqueles que nos pediram que não deixássemos que os prisioneiros do EI partissem, digo-lhes que nós respeitamos plenamente os preceitos do Islão. A bossa religião, a nossa moral, o nosso Corão dizem aos crentes que respeitem sempre os seus compromissos e acordos e deem sempre provas da sua lealdade.

Quem proibiu o Exército de resgatar os militares sequestrados?

Àqueles que estão zangados digo-lhes: peçam contas aos que impediram o Exército libanês de combater os takfiris.

Abram uma investigação para saber que foi que proibiu o Exército de libertar os militares que estavam reféns nas casas onde estavam presos. Os soldados teriam sido salvos se o Estado tivesse tomado a decisão de os resgatar. Nós temos acreditado sempre na capacidade do Exército de levar a cabo operações militares.

Esta batalha terminou tendo-se alcançado todos os objetivos: retirada do EI, conhecimento do que aconteceu aos militares libaneses e segurança nas fronteiras.

Travámos esta batalha numa área de 310 km2. Por isso 11 combatentes do Hezbollah e 7 soldados do Exército sírio caíram como mártires. Que Deus tenha misericórdia deles.

A Segunda Vitória

Esta segunda vitória do Libano, não se trata apenas de uma libertação de 140 km2 de território libanês, mas da libertação total do Líbano dos tajfiris e de assegurar militarmente as suas fronteiras. Além da libertação de outra parte do território sírio dos takfiris. Isto permitirá ao Exército libanês deslocar-se numa situação de segurança sem necessidade de uma mobilização extrema.

Esta grande vitória está ligada a outras vitórias que foram alcançadas na região. Se o EI não tivesse sido derrotado em Palmira e em Homs, os takfiris teriam combatido co um espírito e uma moral diferentes. As suas derrotas em Mosul, Tal Afar (Iraque), em Badiat al Sham e nos arredores de Deir Ezzor contribuíram para o seu fracasso na fronteira sírio-libanesa

Complementaridade entre os projetos sionista e takfir

A data de 25 de maio de 2000 significou o fim da ocupação israelense do Sul do Libano. Hoje, proclamamos bem alto a erradicação da ameaça takfir ao longo das montanhas e colinas que dominam toda a Bekaa. O EI planeava ataques terroristas em Zahlé e nos seus arredores. Estes terroristas foram criados pela Administração norte-americana e combatem ao serviço do projeto israelense. Sabem-no os seus dirigentes, mas os seus pobres militantes de base são enganados com slogans falsos.

Israel é um projeto de ocupação. Os EUA são um projeto de dominação. Enquanto o EI é um projeto de extermínio da humanidade, da civilização e da história. Procura destruir a região. Uma vez destruídos os exércitos árabes, então as portas da dominação de Israel e EUA ficarão escancaradas.

Quem chora a derrota do EI no Líbano e em Qalamúin(Síria)? É Netanyahu (o primeiro-Ministro israelense) quem o faz.

Não há diferença entre a libertação do Líbano da presença de Israel e da presença dos takfiris. Existe, pelo contrária uma complementaridade entre os dois projetos.

A data de 28 de agosto de 2017 ficou marcada pelos Exércitos libanês, sírio e Hezbollah. Ficará registada na História do Líbano e da região, nenhum militante takfir se encontra em solo libanês.

Naquela época, 25 de maio de 2000, todos os libaneses festejaram a vitória, com exceção daqueles que apoiavam o projeto sionista. Os habitantes do Sul do Líbano foram os mais felizes por aquela libertação, visto que eles foram os que mais sofreram pelas agressões da ocupação.

Hoje em dia, todos os libaneses celebram a vitória, salvo os que apostavam no projeto da Frente al Nusra, do EI e dos seus patrocinadores. A maioria dos libaneses estão felizes. Tudo voltou à normalidade e os mais felizes são os habitantes da Bekaa, dado que os seus campos e as suas montanhas estavam ocupados e os takfiris faziam atentados com carros-bomba naquela região. São eles os que fizeram mais sacrifícios e os que contribuíram para esta vitória com o sangue dos seus filhos caídos e dos seus feridos. Trata-se de uma vitória de Bekaa.

Apelo a uma participação massiva na festa de quinta-feira

Queremos celebrar esta vitória esta quinta-feira pela tarde na cidade de Baalbek (que foram feitas prisioneiras por Yazid bem Muawiya), bem como os chefes dos mártires de Kerbala. Nesta jornada, que terá lugar no dia de Arafat (isto é, o dia anterior à Festa do Sacrifício, Aid al Adha), os que sacrificaram os seus filhos e os seus familiares virão expressar os verdadeiros valores do Hayy (Peregrinação). Vamos ‘apedrejar’ os grandes e os pequenos demónios (alusão aos EUA, Israel e os takfiris, que estão a distorcer a religião). A agradeceremos a Deus esta vitória, comparável a um milagre. Estes terroristas foram financiados pelo mundo inteiro.

Então, neste dia de Arafat, nós, os muçulmanos chiitas, recitaremos a Ziyara do Imã Husain para lhe dizer: «Que a Paz seja contigo, cumprimos as nossas promessas e não abandonámos o teu caminho (a luta contra os opressores)».

Vós, grandes e pequenos, estais convidados a ir em massa a Baabek para agradecer a Deus esta vitória alcançada com a vossa vitória e os vossos sacrifícios.

Viveremos na nossa terra com dignidade e orgulho. E é nesta terra que lutaremos e derrotaremos todos os invasores e ocupantes, e aqui é onde cairemos como mártires. Somos filhos desta terra.

Desejo-vos uma vitória após outra».

Nota do tradutor:
[1] Anátema de excomunhão lançado por um muçulmano sobre outro ou outros muçulmanos, pelo não respeito pelos preceitos religiosos.

* Secretário-geral do Hezbollah

Este texto foi publicado em: http://spanish.almanar.com.lb/118831

Tradução de José Paulo Gascão

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