Honduras: um povo mobilizado

Giorgio Trucchi    31.Ene.18    Outros autores

Os grandes meios de comunicação nacionais e internacionais preferem inventar fraudes eleitorais onde não as há – a Venezuela – a noticiar as que há, por exemplo em Honduras. Nem é assunto a tosca fraude realizada e ainda menos é assunto a resistência popular, alvo de violenta repressão, em que os mortos já se contam por dezenas e os presos por milhares.

Honduras vive uma das piores crises de sua história recente, produto de uma fraude eleitoral colossal da qual a Aliança de Oposição assegura ter sido vítima. Uma crise que, longe de ser resolvida, se aprofunda cada dia mais, deixando uma trilha de mortos, feridos e detidos.
No próximo dia 27 de Janeiro, o actual presidente Juan Orlando Hernández tomará posse de seu segundo mandato. Segundo a máxima autoridade eleitoral, o mandatário teria ganho com 1,5% (menos de 50 mil votos) sobre Salvador Nasralla, candidato da Aliança de Oposição. De acordo com a principal força de oposição, o que se levou a cabo em 26 de Novembro foi uma colossal fraude eleitoral, com a qual o presidente Hernández pretende perpetuar-se no poder, não respeitando a vontade do povo hondurenho.
A denúncia nacional e internacional da grosseira fraude foi acompanhada por uma constante mobilização social que sofreu repressão impiedosa por parte dos corpos de segurança do Estado, em particular pela Polícia Militar de Ordem Pública (PMOP) e dos militares. O Comité de Familiares de Detidos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh) assinala em seu segundo informe [1] que já são 30 pessoas assassinadas em menos de dois meses, mais de 200 feridos e mais de 1.000 pessoas detidas.
No sábado, em Sabá, Colón, Telmo Villareal, de 72 anos, caiu abatido no marco da semana de Greve Nacional #OperacionFueraJOH, que precede a posse presidencial.
Nesse mesmo dia, Edwin Espinal, reconhecido activista da Resistência, foi preso por membros encapuzados da PMOP, acusado de múltiplos delitos e encarcerado em um dos centros penais de segurança máxima à espera de julgamento.

Greve Nacional e repressão: perdendo o medo

Os primeiros dois dias de Greve Nacional foram de violência do Estado, com o emprego desmedido da força por parte dos militares, fato que foi condenado pelo Alto Comissionado de Direitos Humanos das Nações Unidas e pelas organizações nacionais de direitos humanos.
Os comunicadores e jornalistas que diariamente tentam romper o cerco mediático que rodeia a crise pós-eleitoral em Honduras, também foram vítimas de campanhas de desprestígio, acosso e perseguição nas redes sociais.
Durante a repressão em Villanueva, saída à Oriente de Tegucigalpa, Dassaev Aguilar, correspondente da HispanTV, foi alcançado por uma bomba de gás lacrimogéneo disparada directamente ao corpo, sofrendo um rompimento muscular em sua perna.
Apesar da violência, o povo não deixou de sair para protestar, exigindo que se reconheça a ampla vitória de Salvador Nasralla e da Aliança de Oposição, que insistem que se leve a cabo uma auditoria forense internacional sobre o sistema de informática do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).
No caso de não conseguir, a Aliança solicita a abertura de uma mesa de diálogo com mediadores internacionais, que poderia desembocar na realização de novas eleições supervisionadas internacionalmente.
Uma solução proposta também pelo secretário-geral da OEA, Luis Almagro, após a publicação do segundo informe da Missão de Observação Eleitoral (MOE-OEA) [2] de dita instância multilateral, que considerou de “baixa qualidade eleitoral” o processo como um todo.
Nesta mesma direcção, os observadores, depois de assinalar uma longa lista de irregularidades, incongruências e contradições, asseguraram que não é possível afirmar “que as dúvidas sobre o mesmo estejam hoje esclarecidas”.
O povo está nas ruas, resistindo em todo o país, desafiando um “presidente sumamente débil, com um futuro manchado pela fraude e com escasso reconhecimento internacional, salvo o governo dos Estados Unidos, que vêem em Juan Orlando Hernández um inescrupuloso defensor de seus interesses.

O povo e as forças progressistas serão capazes de aproveitar esta conjuntura?

1. https://app.box.com/s/c5fupdk6hq5r5jdmn6glgrffr99bhy9o
2. https://app.box.com/s/zhul5kxi5c8fkiuo1tc52xlaqnh4mdsd
Vídeo: Um povo mobilizado que se nega a viver ajoelhado (http://www.rel-uita.org/honduras/pueblo-movilizado-se-niega-vivir-arrodillado/)
Galeria de imagens 1: Povo hondurenho se integra massivamente à Greve Nacional (http://www.rel-uita.org/honduras/pueblo-hondureno-se-integra-masivamente-al-paro-nacional-operacionfuerajoh/)
Galeria de imagens 2: Segundo dia de Greve Nacional (https://nicaraguaymasespanol.blogspot.com.br/2018/01/fotos-segundo-dia-de-paro-nacional.html)
Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2018/01/22/honduras-un-pueblo-movilizado/

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

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