Autor: “Anabela Fino”

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Kill the bill

Anabela Fino    09.Abr.21    Outros autores

Na Grã-Bretanha está em curso a aprovação final de legislação cujo conteúdo é o de um Estado policial. Com ela, as autoridades terão praticamente carta branca na repressão, não do crime, mas de qualquer acção pública de protesto. Vem na embalagem de um confinamento que banalizou o policiamento de toda a vida quotidiana, que veda a rua aos vulgares humanos, que limita e anula direitos e liberdades. Não é só na Grã-Bretanha que tal se verifica, e o alerta vem tão a propósito ali, como em França, como provavelmente em Portugal.

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Roleta*

Anabela Fino    15.Mar.21    Outros autores

Num episódio que diz muito sobre a tacanhez política que move as instituições da UE, a presidente da Agência Europeia do Medicamento veio dizer que a utilização da vacina Sputnik-V era “comparável à roleta russa”. Não só a própria Agência tem a vacina em processo de avaliação como vários países da UE se têm voltado para essa solução, além do mais dado o fracasso do processo congeminado pela Comissão Europeia. A desorientação de Bruxelas está à altura da sua total incompetência.

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Votos*

Anabela Fino    27.Feb.21    Outros autores

A comissão parlamentar de Defesa na AR, maioritariamente composta por deputados do PS e do PSD, decidiu apresentar um voto de pesar pela morte de Marcelino da Mata, o militar mais condecorado de sempre do fascismo. Aprovado com votos do PS, PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal, o voto de pesar foi uma espécie de cereja em cima do bolo após o funeral com a presença do Presidente da República e dos Chefes do Estado Maior das Forças Armadas e do Exército. O que é de questionar é qual o motivo que leva deputados socialistas, quase meio século depois do 25 de Abril e em pleno ascenso da extrema-direita por toda a Europa, a distinguir um símbolo da política de opressão e guerra da ditadura fascista.

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Perguntas*

Anabela Fino    09.Nov.20    Outros autores

Confirmada a derrota de Trump, justificar-se-ão os festejos pela saída de cena (ao que parece, muito renitente) desta grotesca figura. Mas é manifestamente exagerado o foguetório sobre uma “vitória da democracia”. O que figura nos EUA tem muito pouco de sistema democrático. E isso não tem apenas a ver – como aconteceu com Trump – com alguém ser eleito tendo menos votos que o adversário directo. Tem a ver com as centenas de milhares de eleitores “inconvenientes” que são apagados dos cadernos eleitorais, com a engenharia da distorção dos círculos eleitorais, com um sistema em que é preciso ser multimilionário para ser candidato. Quem prospera em tal quadro não é a democracia, é a extrema-direita.

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De tanga*

Anabela Fino    27.Oct.20    Outros autores

Está em curso uma campanha concertada para fazer chegar ainda mais dinheiros públicos ao negócio privado da saúde. Desde autarcas a ex. bastonários da Ordem dos Médicos, passando pelos grandes media, há um verdadeiro fogo de barragem: “o SNS não dá conta, é preciso ir pedir (e pagar) a ajuda dos privados”. Dos mesmos privados que se recusaram a participar na primeira vaga da pandemia. E a campanha tem o alto patrocínio do PR, desta vez de tronco nu.

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Semper eadem*

Anabela Fino    10.Oct.20    Outros autores

A recente encíclica papal manifesta preocupações do Vaticano face às concepções e interesses dominantes na economia mundial. Critica o «dogma de fé neoliberal» no mercado, condena a «especulação financeira», marcada por uma «ganância do lucro fácil», reconhece que esses interesses são antagónicos dos direitos da esmagadora maioria da humanidade. Só faltaria reconhecer que aquilo que critica e condena está na própria natureza do capitalismo. Aliás, a condenação da especulação financeira talvez contenha entre linhas algum registo das embrulhadas em que o Vaticano se viu envolvido, nomeadamente com o célebre Banco Ambrosiano.

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Percepções

Anabela Fino    12.Sep.20    Outros autores

Marcelo Rebelo de Sousa, tão dado a percepções quando se tratou da Festa do Avante!, não percepciona que o que afecta a imagem de Portugal é acobertar sob o chapéu da «liberdade» quem pretende que a cidadania seja uma opção individual e não um dever colectivo.

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