Autor: “Eugénio Rosa”

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O desemprego real é muito superior ao desemprego oficial e ao desemprego registado

Eugénio Rosa    28.May.20    Outros autores

Entre 15/3/2020 e 20/5/2020, o total acumulado de pedidos de emprego aumentou em 814,8%, ou seja, nove vezes mais. E isto apenas em 2 meses. É um indicador da destruição maciça de emprego que se está a verificar, lançando milhares e milhares de trabalhadores no desemprego, deixando-os sem trabalho que é a sua única fonte de rendimentos para viver (eles e suas famílias). E nesse número não estão incluídos 1.325.635 trabalhadores inscritos para “lay-off”, mais de meio milhão dos quais o governo não prevê apoiar. António Costa já afirmou que “vamos ter dois anos muito duros”. Se, como já se verifica agora, o peso das dificuldades é para cair em cima dos que já pouco ou nada têm, espera-se que a lição da “austeridade” tenha ficado aprendida, e que a resposta dos trabalhadores e do povo esteja à altura.

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O Programa de Estabilidade-2020 apresentado pelo governo apenas prevê pagar o “lay-off” a pouco mais de metade dos trabalhadores abrangidos

Eugénio Rosa    21.May.20    Outros autores

Centeno prevê gastar com o “lay-off” apenas 373,3 milhões € por mês. Essa despesa só dá para pagar “lay-off” a 792.354 trabalhadores por mês. Mas segundo o Ministério do Trabalho, em 30 de Abril as empresas já tinham inscrito 1.315.187 de trabalhadores para “lay-off”. Portanto, na previsão do Ministério das Finanças não existe verba para pagar o “lay-off” dos restantes 522.833 trabalhadores. A pergunta é esta: quem garante a estes mais de meio milhão de trabalhadores a totalidade ou parte dos seus rendimentos?

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A crise não afecta da mesma forma pobres e ricos, agravará ainda mais as desigualdades dentro de cada país, e entre países

Eugénio Rosa    18.May.20    Outros autores

Os efeitos da crise não serão iguais para todos. Os patrões exigem do Estado 21.000 milhões € para as empresas, a maior parte a fundo perdido (subsídios), para enfrentar a actual crise, utilizando como argumento que o apoio dado pelo Estado às empresas na Alemanha, medido em percentagem do PIB, é muito superior a isso. “Esqueceram-se”, ou por ignorância ou por irresponsabilidade, da situação completamente diferente de Portugal e da Alemanha. A começar pela dívida pública e pelo desinvestimento que a submissão às regras da UE tem imposto, fielmente seguido pelo governo PS. A não haver uma inversão dessas políticas, o nosso país será dos mais duramente atingidos.

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A desastrosa gestão da pandemia por parte do Governo, da comunicação social e do patronato

Eugénio Rosa    30.Abr.20    Outros autores

Um panorama negro. Instalou-se na sociedade portuguesa um medo profundo causado por uma comunicação social sem objectividade e sensacionalista, cuja consequência é que o aumento de mortes causado por falta de assistência médica é certamente superior às mortes causadas pelo “coronavírus”. Junta-se a isso um enorme acréscimo de encargos para o Estado, nomeadamente com as opções tomadas pelo Governo relativamente ao “layoff”, aliviando directa e indirectamente o patronato, com custos mensais que ascendem a perto de mil milhões €.

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A necessidade de resolver os graves problemas que tem causado a destruição do SNS

Eugénio Rosa    27.Abr.20    Outros autores

Numa altura em que se pede tanto ao SNS e aos seus profissionais é certamente o momento adequado para analisar, mais uma vez, a forma como estes trabalhadores e também o SNS têm sido tratados ao longo dos últimos anos pelos sucessivos governos, como os seus principais problemas têm sido ignorados ou mesmo desprezados. Corre-se o risco, como muitas vezes sucede, que os heróis de hoje sejam amanhã esquecidos ou mesmo ignorados. Mas isso será tanto mais difícil quanto mais se consolide na opinião pública aquilo que hoje ninguém será capaz de negar: que sem um SNS reforçado, com os seus profissionais justamente valorizados, não pode concretizar-se o direito de todos à saúde.

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Uma grave crise económica a que se pode juntar uma eventual crise da banca em Portugal

Eugénio Rosa    20.Abr.20    Outros autores

Rui Rio e o PR têm-se dirigido à banca apelando aos seus “bons sentimentos” para ajudar as empresas e as famílias. A realidade é que tem sido a banca a ser ajudada pelos contribuintes: mais de 23.800 milhões € quando enfrentou grandes dificuldades devido à crise de 2008 e à má gestão dos banqueiros. E o mesmo acontece com os seus clientes/depositantes com a multiplicação de comissões enquanto pagam taxas de juro de miséria. E, ainda assim, a banca tem actualmente já incorporados elevados riscos nos seus Balanços.

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Os efeitos da crise que se avizinha, embora enormes para todos, serão desiguais a nível de cada região e para cada classe social

Eugénio Rosa    14.Abr.20    Outros autores

Portugal continua profundamente desigual, e os efeitos de uma recessão ou de uma depressão económica prolongada serão diferentes para as diferentes classes sociais como consequência das desigualdades existentes. Mas é com este país real profundamente desigual, social e regionalmente assimétrico que temos de enfrentar a grave crise que mal começou, o que torna tudo mais difícil.

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