Autor: “Manuel Augusto Araújo”

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Quino, o outro lado do espelho da Mafalda*

O recente falecimento da Quino, o criador da banda desenhada “Mafalda”, justifica não apenas esta homenagem, mas também o apelo a que o seu exemplo seja seguido. Num tempo em que a cultura mediática e dita popular é um esmagador instrumento de alienação e de difusão de reaccionarismo, a lúcida e combativa Mafalda - famosa em todo o mundo - é a prova de que a inteligência e o espírito crítico, combinados com um humor demolidor, podem ser ao mesmo tempo entretenimento e eficaz instrumento de combate.

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Lutas Identitárias: A Esquerda em Confinamento

Não é de admirar a simpatia e o apoio que tantos figurões do capitalismo dão às causas “identitárias”. Citando Asad Haider, «o enquadramento da identidade reduz a política ao que se é como indivíduo e não à sua participação na luta colectiva contra uma estrutura social opressora (…) O resultado é que a política identitária paradoxalmente acaba reforçando as mesmas normas que se dispõe a criticar.»

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Os vírus da pós-democracia do “pós-capitalismo”

O título desta excelente reflexão poderia induzir em erro – que o próprio texto não contém,
aliás. Não existe “pós-capitalismo”. O que a pandemia tornou mais visível é a própria essência
do capitalismo, cuja natureza o coloca em oposição a qualquer genuíno valor humano. O que
virá depois permanece contido na fórmula de Rosa Luxemburg: “socialismo, ou barbárie”.

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A cultura nos seus labirintos

A pandemia fechou todos os palcos em que a cultura se mostra em directo, dos teatros às galerias de exposições, dos museus aos cinemas. E os tempos vazios da vida em confinamento foram invadidos por uma oferta digitalizada com um volume insuspeitado, em que se despejaram em streaming conteúdos e formatos como se não houvesse amanhã.

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Cultura, património cultural e a responsabilidade social dos intelectuais

Não deve ser menorizada a crescente bordelização da cultura pelo turismo cultural e a perda de capacidade crítica em que os padrões estéticos são progressivamente substituídos pelos ditames do mercado. O capitalismo apropria-se da cultura nos mesmos termos em que se apropria da ciência: não como factor essencial de desenvolvimento humano mas como instrumento de dominação.

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J’Accuse

O tema do último filme de Roman Polansky é o iníquo processo do oficial do exército francês Alfred Dreyfus, em 1898. O título é o da indignada carta aberta publicada na altura por Émile Zola. Carta que, para muitos, marca o surgimento do “intelectual” enquanto indivíduo cuja opinião assume um peso próprio especial, socialmente legitimado, que resulta tanto do reconhecimento atribuído à sua obra como do valor moral e ético da posição assumida. Nos dias de hoje, intelectuais desse tipo - como Julian Assange ou Peter Handke - estão mais isolados entre os seus pares do que Zola esteve na altura.

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Os caminhos ínvios da cultura

A nomeação de Bernardo Alabaça para director-geral do Património Cultural pela ministra da Cultura e um despacho da secretária de Estado da Cultura que manda depositar em hotel privado obras de uma colecção adquirida pelo Estado – o que motivou um pedido de audição urgente do PCP à ministra – são a evidência de que o ministério da Cultura está capturado pelas forças do mercado

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