Autor: “Manuel Augusto Araújo”

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Maio 68, a não-revolução

Um interessante contributo para o entendimento da natureza e do impacto posterior dos acontecimentos de Maio de 1968 em França. Aqui sobretudo reflectindo sobre o universo cultural, filosófico e ideológico de muitas das suas figuras centrais, tão “radical” como facilmente recuperado pela sociedade que diziam pretender transformar.

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Álvaro Cunhal no Museu do Aljube

Odiario.info publica hoje dois textos sobre dois dos mais notáveis intelectuais e revolucionários comunistas portugueses: Álvaro Cunhal e Bento de Jesus Caraça.
Ambos provaram saber que a sua integração na luta do povo e da classe operária portugueses era um processo de transformação: deles, intelectuais, e dos que com eles lutavam e integravam o Partido Comunista Português.
Álvaro Cunhal distinguiu-se como político, organizador, artista e escritor que soube colocar o seu talento, intelecto e determinação ao serviço do povo, Bento Caraça, apesar de ter morrido prematuramente aos 47 anos de idade, tinha «… uma conceção de cultura [é] alheia a todo o elitismo e [é] radicalmente democrática», tendo tido um papel determinante na criação e organização da Biblioteca Cosmos e da Universidade Popular, de que hoje, mais de 70 anos volvidos após a sua criação, ainda se sentem os efeitos.
Este texto é sobre o encontro dedicado a Álvaro Cunhal no Museu do Aljube, sob o tema Intelectuais e Artistas da Resistência.

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Terrorismos

«Os monteiros e os tavares e outros idiotas que se julgam inteligentes e poluem os espaços mediáticos, percebem pouco do que está a acontecer e porque está a acontecer. São obtusos perante a história próxima que desagua nos cenários de guerra e terror actuais. A sua miopia nada inocente apaga a realidade para defenderem não os valores da liberdade e da civilização, mas de uma certa liberdade e de uma certa civilização que espalha a bestialidade, e dela acaba por ser tornar vitima, para garantir a sua sobrevivência ameaçada como está pela decadência. As chacinas provocadas pelos atentados terroristas desde que não aconteçam nos países ocidentais praticamente não existem, são quase naturais. Pouco lhes importa que o número de vítimas dos atentados no Médio-Oriente, em África ou na Ásia sejam mais numerosos e atinjam mais pessoas inocentes do que na Europa, exceptuando a Rússia. Que, apesar de tudo, a Europa ainda é um lugar mais seguro que os outros países.»

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Amigalhaços…

“Claro que havia todas as razões para demitir e substituir António Lamas na direcção do CCB. Curiosamente a referida por Gabriela Canavilhas na audição parlamentar ao Ministro da Cultura é de todas a menos relevante. A participação ou a ausência da Câmara de Lisboa no projecto do Distrito Belém-Ajuda (…) é indiferente ao teor de um projecto marcadamente mercantilista (…).»
«A questão nuclear é o do centralismo implícito, no mercantilismo explícito, no total autismo em relação a uma Política Nacional do Património, participasse ou não participasse no projecto a Câmara de Lisboa.»

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Tempo de antena cultural*

Na pegada cultural do actual Governo é a exaltação do mercado financeiro que deixa marcas, o que não desresponsabiliza os artistas, os produtores culturais que concorrem para esse estado de coisas actual. Degrada a cultura nos seus múltiplos sentidos de afirmação da condição humana e da transformação da vida. O que não é compaginável com a sedução pelo dinheiro.

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A voz do dono torna obsoleto o lápis azul

A atabalhoada tentativa – por parte de PS, PSD e CDS - de alteração da lei sobre a cobertura jornalística das campanhas eleitorais suscitou uma carta (“Pela Liberdade de informação”) subscrita pelos directores editoriais dos principais órgãos de comunicação social. A alteração legislativa era disparatada, a carta é um monumento de hipocrisia. É preciso uma alta dose de desfaçatez para esta gente, responsável por uma informação parcial, manipuladora e censória, voz do dono da classe dominante, vir assumir-se como defensora da liberdade de informar.

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O Tio Patinhas a caminho de Belém*

É visível a tentação de criar uma empresa, originalmente de capitais públicos, que integre os monumentos nacionais e os grandes equipamentos culturais da zona Ajuda/Belém. Não custa imaginar a vontade privatizadora que está por detrás de tal tentação. A nomeação do novo director do CCB, António Lamas, não é alheia a essa suspeita. O perigo não está na visão de Lamas, está quando se lêem as GOP da Cultura que preconizam a gestão «mais racional e eficiente dos organismos da cultura», de o património poder ser administrado por «entidades terceiras», de se «reduzir a dependência dos financiamentos públicos directos». Sabemos bem de mais o que isto quer dizer.

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