Autor: “Manuel Augusto Araújo”

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Requiem para a Democracia

O espectáculo das eleições nos EUA, com todos os lances da campanha eleitoral desde as primárias à tumultuosa transmissão de poderes entre os candidatos, é a demonstração de como a democracia, tal como é entendida no autoproclamado «mundo livre», está agónica. Mas o novo presidente eleito nos EUA já retomou o propósito de continuar a “liderar” o mundo.

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Populismos & Oportunismos

No folclore da pré-campanha eleitoral para a presidência da República, Ana Gomes começa a destacar-se. Não porque tenha mudado, mas porque ficam ainda mais à vista os traços do oportunismo sem escrúpulos (e umas ligações duvidosas…) com que tem construído a sua já longa carreira política. Dos quais o mais destacado será a defesa de posições bem à direita com palavreado “de esquerda”. Agora, resolveu dar conteúdo “político” a uma vulgar acção de contrabando de medicamentos.

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Quino, o outro lado do espelho da Mafalda*

O recente falecimento da Quino, o criador da banda desenhada “Mafalda”, justifica não apenas esta homenagem, mas também o apelo a que o seu exemplo seja seguido. Num tempo em que a cultura mediática e dita popular é um esmagador instrumento de alienação e de difusão de reaccionarismo, a lúcida e combativa Mafalda - famosa em todo o mundo - é a prova de que a inteligência e o espírito crítico, combinados com um humor demolidor, podem ser ao mesmo tempo entretenimento e eficaz instrumento de combate.

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Lutas Identitárias: A Esquerda em Confinamento

Não é de admirar a simpatia e o apoio que tantos figurões do capitalismo dão às causas “identitárias”. Citando Asad Haider, «o enquadramento da identidade reduz a política ao que se é como indivíduo e não à sua participação na luta colectiva contra uma estrutura social opressora (…) O resultado é que a política identitária paradoxalmente acaba reforçando as mesmas normas que se dispõe a criticar.»

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Os vírus da pós-democracia do “pós-capitalismo”

O título desta excelente reflexão poderia induzir em erro – que o próprio texto não contém,
aliás. Não existe “pós-capitalismo”. O que a pandemia tornou mais visível é a própria essência
do capitalismo, cuja natureza o coloca em oposição a qualquer genuíno valor humano. O que
virá depois permanece contido na fórmula de Rosa Luxemburg: “socialismo, ou barbárie”.

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A cultura nos seus labirintos

A pandemia fechou todos os palcos em que a cultura se mostra em directo, dos teatros às galerias de exposições, dos museus aos cinemas. E os tempos vazios da vida em confinamento foram invadidos por uma oferta digitalizada com um volume insuspeitado, em que se despejaram em streaming conteúdos e formatos como se não houvesse amanhã.

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Cultura, património cultural e a responsabilidade social dos intelectuais

Não deve ser menorizada a crescente bordelização da cultura pelo turismo cultural e a perda de capacidade crítica em que os padrões estéticos são progressivamente substituídos pelos ditames do mercado. O capitalismo apropria-se da cultura nos mesmos termos em que se apropria da ciência: não como factor essencial de desenvolvimento humano mas como instrumento de dominação.

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