Israel e os mais importantes dirigentes sionistas atacam a inteligência

James Petras*    26.Dic.07    Colaboradores

“A coisa mais importante (sic) que se pode dizer a respeito de Bush é que se eu lhe tivesse dito que me opunha a esta iniciativa (a reunião de Annapolis), ele não a teria aceite. Eu podia ter bloqueado a iniciativa. Se eu não mostrasse vontade de colaborar com ele, Bush não me forçaria… Falei ao Presidente com inigualável franqueza a respeito destes assuntos (bombardear as instalações nucleares iranianas) e os meus comentários foram extremamente bem recebidos - a respeito da liberdade (de bombardear o Irão) que nós temos estado a reservar para nós mesmos, e também o que faremos e o que não faremos.

(Primeiro ministro israelita Ehud Olmert in Haaretz, 29 de Novembro de 2007.

Introdução

Durante e imediatamente a após as reuniões de Annapolis para discussão da paz, Israel raptou o estudante presidente da Universidade de Bir Zeit acusando-o de dissidente, lançou 50 ataques sobre Gaza, matando e ferindo mais de 50 civis palestinianos, polícias e milícia e deu início a um vasto projecto de construção na parte palestiniana de Jerusalém Leste, projectou postos militares israelitas permanentes na Margem Ocidental, rejeitou quaisquer limites de tempo ou objectivos específicos na sua negociação com a OLP e promoveu uma virulenta recusa do importante relatório (National Intelligence Estimate – NIE – Balanço Nacional da Inteligência) sobre a não existência de qualquer programa iraniano de armas nucleares.

A presença de Israel em Annapolis nada teve a ver com a paz ou com promessas de uma negociação de boa fé: a sua finalidade era desviar a atenção da política genocida israelita, estilo máquina de picar carne, em Gaza, e a sua incansável vontade de esbulhar selvaticamente todos os palestinianos de qualquer território ou aparência de autonomia, cortando literalmente as luzes (energia), o gás e a água a 1 milhão e 400 mil palestinianos residentes em Gaza. Desde 11 de Setembro de 2001, o estado de Israel, os Sionistas dentro do governo dos EUA e toda a liderança das principais organizações judaicas no país têm-se dedicado inteiramente a empurrar os EUA para a guerra no Médio Oriente em proveito de Israel. Na corrida à guerra contra o Iraque, sionistas do mais alto nível para a tomada de decisões estratégicas no Pentágono, no Gabinete do Vice-Presidente e no Conselho Nacional de Segurança, conceberam e executaram a política de guerra, fabricaram as provas, organizaram conferências de imprensa e agendas presidenciais e alteraram relatórios de modo a ajustarem-se aos seus propósitos.

O sucesso dos israelitas e os Sion-Cons em destruir o Iraque foi no entanto conseguido a um enorme custo em baixas militares dos EUA, em desmoralização e num custo (que continua) de um trilião de dólares pagos pelos impostos dos cidadãos dos EUA. Como resultado disto, a opinião pública inclinou-se acentuadamente contra a guerra a despeito da intervenção do regime israelita no condicionamento da opinião pública dos EUA através do seu exército de académicos, de jornalistas-escribas e propagandistas enfeudados à ideia de “Israel-Em-Primeiro-Lugar”, todos com livre acesso aos meios de comunicação de massas dos EUA.

Como referi num artigo anterior, os efeitos devastadores que os Israelitas-Sionistas-conservadores produziram com a guerra contra o Iraque, nas instituições militares e agencias de inteligência dos EUA, levaram à oposição generalizada, dentro dos EUA contra a insistência por parte dos Israelitas-Sionistas, na montagem de uma nova guerra contra o Irão. Esta luta histórica da política a respeito do Irão dividiu os escalões superiores da política de Washington. Por um lado, a facção Israel-em-Primeiro-Lugar, controlava ou influenciava a Casa Branca, a maioria do Congresso e as presidências-chave dos comités senatoriais, o financiamento de ambos os maiores partidos políticos, os principais candidatos políticos e o grosso da comunicação social. A oposição era conduzida por oficiais do exército dos altos comandos, ao serviço ou na reserva e apoiada pela grande maioria dos oficiais de nível médio das tropas terrestres, especialmente os reservistas. Todo o conjunto dos mais altos funcionários de inteligência se sentia farto da gente do Israel-em-Primeiro-Lugar no Pentágono por causa da distorção que faziam dos seus anteriores relatórios e da fabricação de “informação” a que e dedicavam através de recentemente inventadas agências e da sua confiança na desinformação israelita sobre a inteligência dos EUA.

Esta luta monumental dentro do governo, não se dava apenas em redor da política militar dos EUA em relação ao Irão (o que é crucial) mas também a respeito de quem governa os EUA, de quem comanda os militares dos EUA e de quem formula os relatórios da inteligência que balizam a política, e ainda mais basicamente, de quem são os interesses que estão a ser servidos. O comando militar do Médio Oriente, chefiado pelo Almirante William Fallon veio opor-se publicamente à política de bombardeamento do Irão promovida pela Quinta Coluna israelita. Os comandantes no activo foram fracamente apoiados por Robert Gates, um Secrtário de Estado da Defesa de espinha dorsal de borracha, e, de modo sub-reptício (ao princípio), pelos chefes da inteligência do mais alto nível. Os Siocons (Sionostas conservadores) contra atacaram lançando a Casa Branca e o Congresso numa cruzada para escalar as sanções económicas e para “manterem a opção militar” em cima da mesa. Os mais importantes académicos e propagandistas do think tank Israel-em-Primeiro-Lugar foram atrás dos planos de guerra israelitas com uma onda de artigos e entrevistas pré fabricados em todos os meios de comunicação de massas a respeito da ameaça nuclear iminente do Irão. O Presidente, que não faz nada que contrarie o Primeiro Ministro israelita Ehud Olmert (como o próprio Olmert se gaba), emitiu uma mensagem apocalíptica ao mundo em Outubro de 2007 (seis semanas antes de a NIE– Balanço da Inteligência Nacional ter sido finalmente publicada) proclamando o advento da “Terceira Guerra Mundial” contra o programa de armas nucleares do Irão e a ameaça de um ataque nuclear ( um “holocausto”) do Irão contra o povo dos EUA e de Israel.

A Casa Branca foi vaga no que refere às descobertas da NIE (Balanço Nacional da Inteligência) sobre o Irão pelo menos nove meses antes de elas se tornarem públicas, como se prova pelas frequentes intervenções do Presidente Cheney para alterar o seu conteúdo e conclusão e os repetidos esforços para adiar a sua publicação já que tudo isso minava a base para os seu esforços em atacar o Irão. O governo israelita e a sua Quinta Coluna nos EUA, bastante conscientes da anunciada publicação das descobertas de dezasseis das mais importantes agências de inteligência, fizeram tudo o que estava em seu poder para desencadear uma guerra contra o Irão, fazendo publicar histórias sobre as “ameaças existenciais à sobrevivência de Israel” a fim de encorajar inflamatórios discursos belicosos da AIPAC (American Israel Public Affairs Committee, um lobby sionista nos EUA) dos lideres da comunidade sionista e judaica. Israel entrou em guerra com o aliado do Irão (Hezbollah) no Líbano, bombardeou a Síria que tem um pacto de segurança com o Irão, fez escalar os ataques terroristas dos Curdos treinados por Israel através da fronteira iraniana a fim de provocar uma retaliação iraniana - sem quaisquer resultados. A AIPAC e os seus aliados no Congresso chefiados pelo senador israelita dos EUA Lieberman, fez todas as tentativas para levar a um conflito, aumentando as sanções contra banqueiros e corporações com negócios com o Irão e chegou ao ponto de denominar a força militar especial do Irão, os “Guardas Republicanos” de “organização terrorista” ilegal passando assim a ser automaticamente um alvo dos ataques militares dos EUA segundo a doutrina da “Guerra contra o Terror”. A hiper actividade, os ataques militares traiçoeiros, a retórica estridente contra todos os críticos da opção militar e a urgência com que Israel e os seus apoiantes actuaram, não se deveu a qualquer ameaça nuclear eminente por parte do Irão, mas a um esforço desesperado antes do relatório NIE dos EUA se tornar público e socavar toda a sua campanha de propaganda e as preparações militares para um ataque.

As descobertas do relatório NIE encerraram temporariamente o livro sobre a Grande Mentira da Casa Branca – Sionismo Israelita que pretendia que o Irão se dedicava ao fabrico de armas para lançar um ataque nuclear. O relatório NIE refutou as suas próprias conclusões anteriores de 2005 que haviam sido fortemente influenciadas pela Casa Branca e os seus apoiantes Sionistas-Israelitas. A alteração das conclusões não se baseava em “novos dados” ou técnicas informativas, conforme se proclamou. A mudança é resultante de uma dramática alteração da correlação de forças dentro do governo dos EUA e em particular do reforço da elite militar dos EUA contra União Sionista do Poder (CSP) a favor da guerra, mudança essa modelada pelas enormes e intermináveis perdas no Iraque e no Afeganistão.

Um factor chave que forçou as agências de inteligência dos EUA a acabarem com a sua anterior subjugação à manipulação da Casa Branca e à inteligência fabricada pelo Sionismo Israelita, foram os falhanços repetidos e a incrível estupidez das agências israelitas de inteligência - o que levou à perda da sua credibilidade. A inteligência israelita cometeu erros e produziu cálculos erróneos a respeito da força de da organização do Hezbollah, o que levou a uma desmoronamento quando Israel invadiu o Líbano no Verão de 2006. As estimativas israelitas sobre a capacidade de resistir a uma invasão e a uma ocupação estrangeira (tão avidamente aceites e propagadas pelos altos funcionários sionistas do Pentágono na implementação de uma invasão) conduziram a uma guerra de desgaste velha agora de seis anos no Iraque e sem fim à vista. A inteligência israelita subestimou a força eleitoral do Hamas durante a corrida para a sua vitória eleitoral sobre a OLP. A inteligência israelita sobrestimou a capacidade militar da OLP para derrotar o Hamas em Gaza. A afirmação de Israel de ter detectado uma instalação nuclear na Síria, que bombardeou, não passou de uma anedota internacional - como se fosse possível, mesmo a Moisés destruir uma (fictícia) instalação nuclear sem produzir sequer uma partícula de poeira radioactiva! Sabendo da tendência das agências israelitas de inteligência para fornecer desinformação aos seus clientes no governo dos EUA a fim de apoiar as pretensões de um Grande Israel à hegemonia no Médio Oriente a expensas dos interesses de Washington a longo prazo, a comunidade de inteligência nacional dos EUA vincou a sua independência e publicou o relatório em que nega toda e qualquer afirmação Israelo-Sionista-Casa Branca a respeito de um programa iraniano de fabrico armas nucleares, e, em particular, apontando para o fim das pesquisas sobre armas nucleares em finais de 2003.

Israel Rejeita o relatório NIE dos EUA

Enquanto os governos, as Nações Unidas e os peritos de todo o mundo reconhecem os métodos rigorosos, sistemáticos e abrangentes usados para reunir os dados que levaram ao relatório declarando o Irão isento de qualquer programa de armas nucleares, apenas um único pôs objecções: o Estado Judaico de Israel. E nos EUA apenas um agrupamento de organizações se negou a admitir a ausência de qualquer ameaça militar iraniana a Israel (para não falar da ameaça aos EUA, um aspecto distante e secundário) e foi, como era de prever a União Sionista do Poder ( Zionist Power Configuration, ZPC), especificamente os presidentes das mais importantes organizações judaicas dos EUA.

Falando como porta voz do governo israelita, o Ministro da Defesa Ehud Barak, com a previsível arrogância e desprezo com que os altos funcionários israelitas tratam qualquer análise política dos EUA ou qualquer declaração que não tenha a sua aprovação editorial nem siga a sua linha, rejeitaram o relatório NIE: ‘Não podemos dar-nos ao luxo de cruzarmos os braços por causa de um relatório de inteligência que vem do outro lado do planeta ( sic ) mesmo que seja do nosso maior amigo’. ( Guardian de Londres, 4 de Dezembro de 2007). Se bem que a União Sionista do Poder (ZPC) possa enfraquecer o impulso da Casa Branca para a guerra, o facto de Israel rejeitar o relatório significa que a sua preparação militar continuará e que toda a sua União Sionista nos EUA continuará a promover o interesse de Israel em destruir o Irão.

Seguindo a lógica Orwelliana, a AIPAC distorceu o relatório NIE para se adequar ao rejeccionismo de Israel (como aliás nunca deixa de fazer) argumentando que o relatório NIE apoia os motivos para a confrontação permanente, a beligerância e o isolamento ( Jewish Telegraph Agency, 4 de Dezembro de 2007). De facto e de acordo com a perversa argumentação do porta voz da AIPAC, Josh Block, a ausência de qualquer ameaça de armas nucleares iranianas, deve levar a uma maior pressão sobre o Irão! ‘Globalmente considerado (o NIE) é o pedido em altos brados para o ainda maior e continuado (sublinhado meu) esforço para pressionar o Irão economicamente com a finalidade de pôr fim ao seu ilícito programa nuclear. (Jewish Telegraph Agency, 4 de Dezembro, 2007).

Uma vez mais os defensores do Israel-em-Primeiro-Lugar - que reúne toda as organizações sionistas de maior importância e os conselhos das comunidades - desafiam toda a lógica e a mais abrangente e profunda razão fundamentada do relatório da inteligência dos EUA, em favor da propaganda emanada das fracassadas agências de inteligência do regime israelita. Numa barragem contínua de artigos e de entrevistas na televisão, toda A União Sionista do Poder (ZPC) enterrou o relatório NIE, focando a atenção em temas como ‘o programa nuclear do Irão continua a ser uma ameaça” (Daily Alert, 7 de Dezembro de 2007). Durante toda a semana, os presidentes das Primeiras Organizações Judaicas Americanas (sic) – cobrindo toda a rede das organizações judaicas economicamente poderosas dos EUA – publicaram uma média de nove artigos (cerca de 50) difundindo a linha israelita. Os artigos denegriram, distorceram e rejeitaram o NIE e continuaram a advogar a “opção militar” (eufemismo para lançar um ataque massivo contra o Irão) bem como novas sanções económicas para destruir a economia iraniana e o viver quotidiano dos seus 70 milhões de cidadãos. A euforia dos críticos anti-guerra que clamam que o relatório NIE afasta a ameaça de uma nova guerra dos EUA contra o Irão, é prematura, tal como o é a sua ideia de que o “Lobby Israelita” sofreu um golpe decisivo. O União Sionista do Poder (ZPC) nunca perdeu um golpe: o Israel-em-Primeiro-Lugar e fanático Zion-Conservador Stuart Levey, responsável pelo terrorismo e pelo financiamento da inteligência, conseguiu convencer a China a restringir o crédito comercial tornando mais difícil e oneroso o comércio para o sector privado do Irão. (Financial Times, 6 de Dezembro de 2007, p. 1).

Internacionalmente o Secretário dos Negócios Estrangeiros David Millband - velho apoiante de Israel e com estreitos laços familiares que o ligam ao estado sionista - como era de prever seguiu a linha Bush-Israe-ZPC em tudo menos na rejeição do relatório NIE mas acentuando a necessidade de “manter a pressão sobre o Irão”. Millband que na sua mais recente visita a Israel se recusou sequer a dar uma olhadela ao corte de electricidade e combustível ao milhão e 400 mil palestinianos enjaulados em Gaza, passou uma tarde inteira trocando gracinhas com os seus parentes colonos de Tel Aviv. Acusou o desnuclearizado Irão de ser uma enorme ameaça à comunidade internacional pelo facto de produzir aquilo a que chamou “material fissil” e “mísseis”. Qualquer nação grande ou média à face da terra produz urânio enriquecido e possui mísseis; impor semelhante elucubração aos projectos civis e de defesa do Irão, dá vontade de rir. (Financial Times, 6 de Dezembro de 2007) Millband rejeita liminarmente a utilização civil destes meios e papagueia palavra por palavra a teoria dos seus mentores israelitas acerca de “programas ocultos” e outra propaganda sionista infundamentada do mesmo género. Revelações recentes em grande escala, o financiamento desde há muito tempo pelos sionistas das campanhas eleitorais do altamente endividado Partido Trabalhista pelos grandes milionários e auto proclamados “Amigos Israelitas do Trabalhismo” (Independent 6 de Dezembro de 2007) sugerem que a rápida subida de Millband à chefia dos Estrangeiros tem pouco a ver com a sua inócua experiência em assuntos internacionais e muito a ver com as ‘relações especiais’ com os colectores de fundos entre os milionários sionistas e os passados e presentes chefes do Partido Tony Blair e Gordon Brown.

Em França o Presidente Sarkozy nomeou o lacaio sionista Bernard Kouchner (um fervoroso apoiante da intervenção humanitária, incluindo a invasão do Iraque pelos EUA) para tomar conta do Ministério dos Negócios Estrangeiros após ‘consultas’ com as principais organizações judaicas francesas que haviam rejeitado um candidato anterior considerado insuficientemente pró-Israel. O Bernardito Kouchner e o Nicolauzinho Sarkozy entraram imediatamente na linha israelita, rejeitando o relatório NIE e exigindo novas sanções apesar de a justificação original (o assim chamado programa iraniano de armas nucleares) ter sido considerada uma mentira. O Nicolauzinho e o Bernardito pediram uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU que aumentasse ainda as sanções contra o Irão (AFP 7 de Dezembro de 2007). A lógica Millband-Kouchner-Israel é paralela à lógica Stalinista-Nazi - quanto mais os relatórios da inteligência demonstram a ausência de um programa de armas nucleares, maior é a ameaça nuclear; quanto menor é a actual ameaça, maior é a futura ameaça; quanto menos praticamnte verificável é a ameaça, maior é a ameaça secreta. O relatório NIE, põe no rol de mentirosos a Casa Branca, os Congressistas Democratas e os Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas que “sabiam” que o Irão tinha um programa de armas nucleares. Ainda mais revelador, o relatório demonstra que para os mesmos promotores de guerras as armas nucleares iranianas não são a força motivadora da sua fúria de atacar o Irão. Deixando de lado a motivação das armas, é meridianamente claro que atacar o Irão por meio de sanções e ameaças militares é coisa que se encontra profundamente enraizada na prioridade israelita de destruir o Irão como adversário da sua rapacidade pelo poder no Médio Oriente e do se assalto e esbulho territorial dos palestinianos.

Os esforços do ZPC, Millband, Kouchner, Olmert e da Casa Branca para levarem a uma terceira roda de sanções da ONU serão certamente rejeitados. Em 4 de Dezembro (2007) o embaixador da China na ONU, Wang Guangya anunciou que o relatório NIE põe a questão da necessidade de novas sanções: ‘Eu acho que teremos todos de partir da presunção que as coisas agora mudaram. Entendo que os membros do conselho têm que ter isso em consideração.’ (Al Jazeera 5 de Dezembro de 2007). A China, com $17 biliões de dólares no comércio directo com o Irão e mais de $30 biliões via Dubai e ainda com o Irão como seu maior fornecedor de petróleo no Médio Oriente e sem qualquer lobby judaico para reforçar a pressões diplomáticas israelitas, está de mãos livres para se dedicar aos seus próprios interesses nacionais. Dá-se também o caso de que a Rússia, sob o Presidente Vladimir Putin, seguirá a pista da China e vai opor-se a novas sanções. Contudo, o Congresso dos EUA e os seus influentes presidentes de Comité continuarão a seguir cegamente o pronunciamento do Primeiro Ministro Israelita após a publicação do NIE: ‘É vital continuar com os esforços para evitar que o Irão desenvolva uma capacidade desse tipo (sic) nos Estados Unidos’. O Congressista-Chefe, o zelote Israelo-Americano, Thomas Lantos, convocou uma audição no Congresso sobre o relatório NIE e convidou dois importantes ex-conselheiros governamentais e zelotes ultra-sionistas, David Wurmser e Martin Indyk para testemunharem.

Conclusão

Não se põe em dúvida que os grupos anti guerra (contra o Irão) nas agências militares e de inteligência dos EUA tenham dado um golpe sério nos planos em curso da Casa Branca, Israel e os seus agentes no ZPC. O revés inclui uma derrota temporária da propaganda massiva de guerra que eles fazem e também da fabricação que engendram de uma ‘ameaça existencial à comunidade mundial (Israel)’. Contudo a publicação do relatório NIE chegou aos grandes titulares apenas durante alguns dias, logo seguida por uma barragem de propaganda em todos os meios de comunicação de massas nos EUA que puseram em questão as intenções pacíficas do Irão e chegaram ao ponto de torcer certas frases probabilísticas na tentativa de contrariarem as conclusões mais importantes.

Do ponto de vista dos americanos que tentam libertar o seu governo e o povo do tirânico monopólio de opinião dos israelitas e do ZPC, o relatório NIE deu um golpe contra a credibilidade da Casa Branca e a dos porta vozes sionistas no Congresso no Conselho Nacional de Segurança, na Segurança Interna e Justiça e no Departamento do Tesouro a respeito do chamado programa iraniano de armas nucleares. Mas a rapidez, a profundidade e o alcance da resposta israelita, especialmente engrandecida pelos seus representantes nos EUA, nos Negócios Estrangeiros franceses e ingleses, demonstra que os grerreiristas do Israel-Em-Primeiro-Lugar estão ainda enquistados em posições de poder político e na vontade de desafiar a inteligência e a instituição militar dos EUA. Sem vergonha nem fundamento, com acessos de agressividade e truques de manipulação semântica, o ZPC avança em direcção a novas sanções a despeito da sistemática refutação prática do seu principal argumento. Só uma lealdade irracional, de tipo etno-tribal a Israel pode sustentar a negação do relatório NIE e aderir automaticamente às contínuas montagens israelitas. Tal como nos anos trinta os simpatizantes nazis estrangeiros defenderam as mentiras de Hitler a respeito dos Comunistas terem incendiado o Reichstag e os companheiros de viagem dos Comunistas defenderam as purgas de Stalin, os nossos sionistas continuam a negar qualquer relatório sistemático e metódico (como o NIE) desde que contradiga as mentiras e maquinações de Israel acerca dos programas de armas iranianos.

Para lá do importante problema das duplas lealdades (muito evidente na resposta do ZPC ao relatório NIE) temos a nova emergência da questão de uma guerra israelita contra o Irão apoiada pelos EUA. A opção militar será apoiada por um relatório de propaganda da inteligência militar israelita rejeitando o NIE. Afirmará a existência de programas militares secretos iranianos de armas nucleares enterrados algures próximo do centro do da terra e por isso mesmo não detectados pelos informadores da inteligência dos EUA, pelas fotos de satélites, pelos inspectores das nações unidas, pelos generais iranianos entreguistas (ou raptados) ou qualquer outra fonte dos EUA. Só as superiores agências de inteligência de Israel (que falharam no Líbano, no Iraque e na Faixa de Gaza), baseadas no seu Povo Escolhido (com a sua diáfana linha telefónica secreta conectada com o ‘Omnisciente’ - o mesmo “Ele” que toma a “Decisão”) podem ter certezas - ainda que tenham, uma vez mais, de ‘cozinhar os dados’ para poderem apresentar o caso aos não iniciados.

O relatório NIE e os militares dos EUA infligiram um golpe aos planeadores da III Guerra Mundial. Será que isto consegue fazer com que o Congresso deixe colectivamente de estar de joelhos e se erga para se ocupar dos interesses dos EUA no Médio Oriente? Será que pode acordar de novo o movimento pela paz actualmente moribundo e aterrorizado pelo confronto com os mais virulentos promotores da guerra? Será que isso vai permitir que o Congresso e o povo dos EUA desafiem a garra do ZPC que estrangula a política dos EUA para o Médio Oriente?

Ousarão, o povo britânico e o movimento para a paz desafiar o governo trabalhista e o Ministério dos Estrangeiros comprados e pagos pelos “Amigos Israelitas do Partido Trabalhista”?

Serão o povo francês e os intelectuais de Paris capazes de recuperar as suas credenciais republicanas e rejeitar antes de mais o seu regime Israel-Em-Primeiro-Lugar?

Duas semanas após a conferência de Annapolis, o Ministro israelita do Interior Zeev Boim deu à Secretária de Estado Condeleeza Rice o “pepino teso” (uma “bofetada na cara” dito à maneira mediterrânica) quando ela implorou ao estado judeu que deixasse de edificar novos assentamentos na parte leste de Jerusalém palestiniano porque ‘isso não ajuda a confiança’. Boim respondeu-lhe logo “A Secretária de Estado Rice deveria ser felicitada pelos seus esforços para o relançamento do processo de paz (sic)… mas isso não é coisa que possa ser constantemente relacionada com a cessação da construção em Jerusalém… Portanto não há nada que possa impedir a construção onde quer que seja em Israel.’ (Al Jazeera, 8 de Dezembro de 2007).

Tal como o estado judaico pode ignorar as suas vagas promessas ao regime de Bush a respeito do chamado “processo de paz” quando o decide, também o estado de Israel rejeita o relatório NIE sobre a não-existência de um programa de armas nucleares no Irão e prepara-se para a guerra - apoiado em todo o ZPC.

De modo surpreendente, não foram os líderes de opinião liberais ou esquerdistas que levantaram os problemas relevantes relativos às questões e guerra e paz no Médio Oriente, às ameaças de Israel-Casa Branca de uma III Guerra Mundial. São as agências de espionagem dos EUA e os seus aliados na instituição militar, os promotores de passadas guerras e actuais campanhas de destabilização (leia-se: Venezuela). É uma ironia da história. Mas seja como for, este é o mundo em que vivemos, onde os intelectuais do Ocidente e os heróis culturais abdicaram da sua responsabilidade de desafiar o Conjunto do Poder Sionista que trabalha na tarefa e na aspiração de um poder colonial no Médio Oriente.

*James Petras é amigo e colaborador de odiario.info

Tradução de Luís Nogueira

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