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Kiev identifica 7 milhões de pessoas como “terroristas” e chacina civis

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O secretário-geral do Partido Comunista Ucraniano, Pyotr Simonenko, afirma que o regime de Kiev assassinou pacíficos cidadãos e difunde mentiras acerca da situação existente. O Parlamento ucraniano tenta agora expulsar os comunistas e proibir a sua actividade.

“Em Mariupol houve uma chacina de civis, um assassínio em massa. O número dos que foram mortos, sobretudo pacíficos cidadãos, está a ser ocultado. Abriram fogo sobre uma manifestação pacífica em 9 de Maio, tratou-se de um massacre intimidatório levado a cabo pelo actual regime. Alvejaram cidadãos pacíficos, ninguém estava ali armado. Quando vocês, utilizando um veículo blindado armado, mataram uma família de três que estavam na cozinha quando foram atingidos, é sobre isso que tereis que prestar contas, as vossas mãos estão hoje manchadas de sangue” disse o dirigente do Partido Comunista Ucraniano Pyotr Simonenko, dirigindo-se ao presidente em exercício instalado pelo golpe de Estado, Aleksandr Turchinov, no decurso da reunião do conselho de conciliação do parlamento, em 12 de Maio.

Simonenko, que é candidato às eleições presidenciais, referia-se ao ataque armado levado a cabo em 9 de Maio pelo exército de Kiev contra a sede da polícia em Mariupol, no qual nove pessoas foram mortas e outras 49 feridas, incluindo um jornalista operador de câmara trabalhando para RT.

“Em Mariupol vocês alvejaram e abateram membros da força policial só porque estes se recusaram a cumprir a criminosa ordem de dispersarem os participantes na manifestação de 9 de Maio”, disse Simonenko.

Simonenko tem apelado a que Kiev detenha a sua “operação anti-terrorista”, afirmando que ela se tornou numa “operação terrorista contra o seu próprio povo.”

“Vocês identificaram como terroristas sete milhões de pessoas vivendo nas regiões de Donetsk e Lugansk. Elas saíram ontem à rua para votar no referendo, formaram filas a partir das 6 da manhã para votar contra o poder de Kiev, para votar contra a vossa política”, disse.

“A primeira reivindicação do Partido Comunista” é o fim da operação no sudeste ucraniano. Apela também a que Kiev aceite os resultados do referendo pela federalização.

“O resultado da vossa política foi a Ucrânia perder a Crimeia. E agora a vossa política está a conduzir a que sete milhões de pessoas da Ucrânia, 30 por cento do PIB do país, rejeitem um futuro comum com a Ucrânia”, sublinhou.

Segundo Simonenko, os recentes acontecimentos nas cidades de Odessa e Mariupol mostram que Kiev tenta impor um “regime nacional-fascista”.

“Estes acontecimentos mostram que aqueles que têm outro ponto de vista foram queimados em auto-da-fé na Casa dos Sindicatos de Odessa. Foram queimados vivos! Massacraram com barras de metal os que tentaram sair do edifício ou saltar das janelas. Foram destruídos porque eles, cidadãos ucranianos, tinham uma opinião diferente”, disse.

Em resposta às acusações de Simonenko, o presidente instalado pelo golpe Aleksandr Turchinov contrariou o dirigente do Partido Comunista e acusou-o de mentir e de difundir informação falsa.
“Você não tem nem consciência nem honra. Volte para o seu lugar, mentiroso. Ordeno-lhe que suspenda a sua intervenção”, disse Turchinov, pretendendo que as forças de Kiev teriam “protegido” as forças da ordem da cidade de Mariupol contra atacantes desconhecidos que teriam tentado apoderar-se do edifício da polícia.

Depois Turchynov solicitou ao Ministro da Justiça que investigasse as alegadas actividades separatistas do Partido Comunista e encarasse a possibilidade de banir essa organização.
“Eu solicitaria ao Ministro da Justiça uma investigação nesta matéria e se forem encontradas provas, que sejam enviadas a tribunal e que o Partido Comunista da Ucrânia seja banido” disse. “Existe muita informação relativa à participação de membros do Partido Comunista na organização de actividades terroristas e separatistas,” acrescentou Turchynov.

O Partido Comunista afirma que não existe qualquer fundamento legal para uma tal medida.
O dirigente do partido nacionalista Svoboda, o candidato presidencial Oleg Tyagnibok, tem afirmado que o seu partido recolheu documentos que permitiriam ao Ministério da Justiça banir o Partido Comunista e o Partido das Regiões. Este último tem igualmente tomado posição contra a acção de Kiev na região sudeste da Ucrânia e tem apelado às entidades presentes a que cessem as suas acções “punitivas”. Para evitar a divisão da Ucrânia “Kiev deveria sentar-se à mesa das negociações”, afirmou o Partido das Regiões.

“Ouvimos o sr. Turchinov afirmar que apenas 30 por cento das pessoas de Donbass votaram. Quero lembrar-lhe que isso representa 2,5 milhões de pessoas; exprimiram a sua vontade. Em qualquer país do mundo 2,5 milhões de pessoas é uma força real, à qual um governo deveria dar ouvidos”, disse o representante parlamentar do Partido das regiões Nikolay Levchenko, enquanto designava os representantes de Kiev de “neo-nazis” e “bandidos”.

Simonenko repudiou também o discurso no Dia da Vitória do governador de Kherson, Yury Odarchenko, que afirmou que Hitler tentou libertar a Ucrânia.

“Nas celebrações do Dia da Vitória ele afirmou que Hitler fez o que tinha a fazer quando invadiu o nosso país a fim de ‘libertar’ o povo da Ucrânia dos comunistas. Isto foi dito por alguém que ou é um idiota ou um facínora”, disse Simonenko.

A resposta de Odarchenko foi que irá processar Simonenko.

“Vou processá-lo por uma mentira descarada, por difamação, por propaganda cobarde e vergonhosa”, disse Odarchenko ao dirigente do Partido Comunista.

Embora Odarchenko afirme que as acusações de Simonenko são falsas, o trecho da sua intervenção em que faz a afirmação acerca de Hitler está registada em video.

O Partido Comunista da Ucrânia, que se tem manifestado abertamente contra o regime imposto a golpe em Kiev, tem vindo a deparar-se com uma escalada de confrontações. Em 6 de Maio, membros do órgão legislativo ucraniano acusaram a organização de separatismo e expulsaram-na de uma audição parlamentar à porta fechada. Foi a primeira vez que na história da Ucrânia pós-soviética uma tal decisão foi tomada.

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