Luz verde para a bomba

Manlio Dinucci    26.Sep.16    Outros autores

A escalada dos EUA em direcção à guerra prossegue e acelera, com a decisão de avançar com o fabrico de novas armas nucleares, boa parte das quais a instalar na Europa. Cada uma dessas bombas terá uma potência média 4 vezes superior à da que arrasou Hiroxima. Mais do que uma modernização das suas antecessoras, representam uma nova arma, que torna mais provável o início de um ataque nuclear. A principal potência imperialista pretende encurralar a humanidade inteira entre a servidão e a aniquilação.

A nova bomba atómica estado-unidense que deve substituir a B-61, actualmente instalada em Itália e em outros países europeus, acaba de receber a «autorização oficial» da National Nuclear Security Administration (NNSA), o organismo do Departamento de Energia dos EUA encarregado de «reforçar a segurança nacional através da aplicação da ciência nuclear no sector militar».
Ao cabo de 4 anos de projectos e experimentação, a NNSA dá luz verde à fase de “engenheirização” que prepara a produção em serie da nova bomba atómica estado-unidense, denominada B61-12. Os numerosos componentes do novo artefacto são projectados e submetidos a ensaio nos laboratórios de Los Alamos e Albuquerque (Novo México) e de Livermore (Califórnia), e são fabricados (utilizando partes da B61, ou seja do modelo anterior) em diversas instalações dos Estados de Missouri, Texas, Carolina do Sul e Tennessee. Depois á adicionada a parte da cauda e o sistema de guia de precisão, fabricado pela Boeing.
As novas bombas atómicas estado-unidenses B61-12, cujo custo se calcula em 8 000 e 12 000 milhões de dólares para fabricar entre 400 e 500 bombas, começarão a fabricar-se em série durante o ano fiscal de 2020, que se inicia no 1º de Outubro de 2019. E substituirão então as actuais B-61.
Segundo as estimativas da Federação de Cientistas estado-unidense (FAS, sigla em inglês), os EUA têm actualmente 70 bombas atómicas B61 em Itália (50 na base de Aviano e outras 20 na de Ghedi Torre), 50 mais na Turquia e outras 60 na Alemanha, na Bélgica e nos Países Baixos (20 em cada um destes Estados), o que representaria um total de 180 bombas atómicas estado-unidenses instaladas na Europa.
Mas ninguém sabe exactamente quantas há na realidade. Em Itália, a base de Aviano dispõe de 18 búnqueres com capacidade para armazenar mais de 70 dessas bombas. E tanto em Aviano como na base de Ghedi foram realizados importantes trabalhos de alteração, como pode ver-se nas fotos de satélite publicadas pela FAS. Preparativos similares estão em andamento nas demais bases da Europa e Turquia.
A NNSA confirma oficialmente que a bomba nuclear B61-12, definida como «um elemento fundamental da tríade nuclear dos EUA» [1] substituirá as actuais B61-3, B61-4 e B61-10. Com isso confirma o que já tínhamos anteriormente documentado.
A B61-12 não é somente uma versão modernizada da sua predecessora. É uma nova arma: dispõe de uma cabeça nuclear com 4 opções diferentes de potência seleccionáveis; com uma potência media equivalente a 4 bombas como a utilizada contra Hiroxima; inclui um sistema de guia que permite lança-la sem ter que sobrevoar o objectivo; é capaz de penetrar no solo para destruir os búnqueres dos postos de comando num ataque de surpresa. Em resumo, as novas bombas atómicas que os EUA se dispõem a instalar em Itália e em outros Estados de Europa – no quadro da sua escalada contra a Rússia – são novas armas que tornam mais provável o inicio de um ataque nuclear.
A 31st Fighter Wing, ou seja a esquadrilha de caças-bombardeiros estado-unidenses F-16 instalada na base de Aviano (Itália), mantém-se 24 horas do dia em disposição operacional para iniciar um ataque nuclear. E, como o documentou a FAS, pilotos italianos também treinam para realizar ataques nucleares, sob as ordens dos EUA, a bordo dos caças-bombardeiros Tornado localizados na base de Ghedi, na expectativa de que a força aérea italiana receba os F-35 que – segundo anuncia a força aérea dos EUA – estão concebidos para transportar a nova bomba atómica B61-12.
Nos EUA, a primeira esquadrilha de F-35, com sede na base de Hill (Estado de Utah), já foi oficialmente declarada «combat ready» (pronta para combate). A US Air Force diz que ainda não tem previsto quando poderá essa esquadrilha de F-35 ser declarada «combat proven» (com experiência de combate), mas afirma que é «provável o seu destacamento [fora de EEUU] em princípios de 2017».
A ministra [italiana] da Defesa, Roberta Pinotti, espera que essa esquadrilha seja instalada em Itália, já «escolhida» pelos EUA para a instalação do MUOS [2] que «outras nações teriam desejado».
Com as novas bombas nucleares estado-unidenses B61-12 instaladas em território italiano, mais os F-35 e o MUOS, o que é seguro é que o país atacado terá a Itália como alvo prioritário das represálias nucleares.
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Notas
[1] Referencia ao armamento nuclear das forças terrestres, navais e aéreas dos EUA. Nota da Rede Voltaire.
[2] O MUOS, sigla de Mobile User Objective System é um sistema estado-unidense de comunicação militar via satélite destinado a garantir a direcção das operações das tropas dos EUA através do mundo. Para mais informação sobre o MUOS ver «“Seguridad” garantizada por Lockheed Martin», por Manlio Dinucci, Red Voltaire, 26 de Julho de 2013.
Il Manifesto / Red Voltaire

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