Maduro: Sanções dos Estados Unidos são prólogo de agressão

Obama emitiu uma “ordem presidencial» anunciando a aplicação de sanções à Venezuela. Já habituou a humanidade a decisões perigosas e irresponsáveis. Mas dificilmente existe precedente para uma atitude tao insensata como a de declarar «estado de emergência» ao acusar um país soberano de ameaçar a segurança dos EUA por suposta «violação de direitos humanos».

A “ordem presidencial» emitida por Obama, anunciando a aplicação de sanções à Venezuela, lembra as de Bush nas vésperas de agressões militares ao Iraque, ao Afeganistão e à Líbia.
Agora como antes, o motivo invocado é «a violação dos direitos humanos». Esta decisão, como outras similares dos seus antecessores foi veemente, de uma agressividade transparente.
Obama invoca também como os Bush, pai e filho, «uma «ameaça à segurança dos Estados Unidos».
No documento da Casa Branca, dirigido ao Congresso e à Administração, o presidente afirma que a situação existente na Venezuela configura «uma ameaça inabitual e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos».
A acusação é ridícula assim como as sanções tornadas públicas. A recusa de visto de entrada nos EUA atinge sete personalidades venezuelanas cujos bens no país foram congelados. Entre elas, três altas patentes militares: o comandante regional do Desenvolvimento Estratégico Integral das s Forças Armadas; o diretor da Policia Nacional Bolivariana Nacional; e o diretor geral do Serviço de Inteligência Nacional Bolivariana.
Obama exigiu simultaneamente a libertação imediata de Leopoldo Lopez, encarcerado por ter dirigido uma tentativa de golpe, e dos alcaides Antonio Ledezma e Daniel Ceballos
Um senador, acompanhando o presidente, exigiu a demissão do ministro da Defesa.
O presidente Obama habituou a humanidade a decisões perigosas e irresponsáveis. Mas dificilmente existe precedente para uma atitude tao insensata como a de declarar «estado de emergência» ao acusar um país soberano de ameaçar a segurança dos EUA por suposta «violação de direitos humanos».
Maduro respondeu à provocação ameaçadora com um discurso sereno.
Recordou que há 16 anos sucessivos presidentes dos EUA patrocinam e financiam tentativas de golpe de Estado na Venezuela. Todas fracassaram.
Advertiu que o povo trabalhador da Venezuela saberá uma vez mais responder com firmeza e coragem a qualquer intervenção, militar ou golpista, do imperialismo americano para destruir a Revolução Bolivariana e recolonizar o país, impondo-lhe um governo fantoche.
A primeira resposta às sanções foi a nomeação para ministro do Interior do general Gustavo Lopez, que dirigia o Serviço de Inteligência.
Há quatro anos que as relações diplomáticas entre os dois países, caracterizadas por uma tensão permanente, resultante da agressividade americana, são asseguradas por encarregados de negócios. A Venezuela expulsou o embaixador dos EUA, por atividades conspirativas, e retirou o seu representante em Washington.
Para o presidente da assembleia nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, a aplicação de sanções à Venezuela e as exigências e acusações de Obama seriam o prólogo de um ataque militar dos EUA.
Inconformado com a incapacidade demonstrada pela oposição interna para derrubar Maduro, o presidente teria decidido assumir a responsabilidade de uma intervenção militar direta dos EUA.
Observadores internacionais prestigiados têm a mesma opinião de Cabello.
Não a perfilho. De um presidente como Barack Obama pode esperar- se sempre o pior no tocante a agressões armadas a países que não se submetem a sua estratégia de dominação mundial. Mas empenhado, num ano eleitoral, em melhorar as suas relações com um congresso controlado pelo Partido Republicano, não desconhece que uma agressão armada à Venezuela bolivariana, em vésperas da Cimeira das Américas, desencadearia uma poderosa vaga de indignação na América Latina, inclusive em países governados por aliados seus. O sentimento de aversão pelos EUA assumiria proporções gigantescas. O êxito da operação militar com tropas terrestres seria aliás problemático.
O sistema de poder imperial reduziu progressivamente a capacidade de intervenção do presidente Obama. Mas na guerra não declarada que os EUA movem à Venezuela bolivariana, a ultima palavra - o recurso às armas – seria sua.
O homem e o político surgem, bem retratados, nas sanções, exigências e ameaças da sua «ordem presidencial». Agiu de acordo com a sua consciência reacionária.
Mas creio ser improvável que desta vez ceda aos falcões do Pentágono, envolvendo os EUA numa guerra na América Latina.
Seja qual for o desfecho da escalada contra a Venezuela, a responsabilidade do presidente dos EUA pelo agravamento da crise é inocultável.
Daí a necessidade de um reforço da solidariedade com a Venezuela bolivariana. É, mais do que antes, um dever internacionalista para as forças progressistas.

Vila Nova de Gaia, 10 de Fevereiro de 2015

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