Massacre em Mesquita na Nova Zelândia: Supremacia Branca e Guerras Ocidentais

James Petras    27.Mar.19    Outros autores

O recente massacre de fiéis muçulmanos na Nova Zelândia tem aspectos particulares que suscitam perplexidade, sobretudo no que diz respeito à ausência de vigilância a um indivíduo que anunciara a intenção de o levar a cabo. Mas mais importante ainda é o ambiente geral que favorece tais crimes: se os EUA, a UE e Israel massacram muçulmanos, como não haverá indivíduos que se sintam autorizados a fazer o mesmo?

O ferimento e assassínio em massa de 97 fiéis muçulmanos em Christchurch, Nova Zelândia (NZ) ocorrido na sexta-feira, 15 de Março de 2019, tem profundas raízes ideológicas e psicológicas.
Primeiro e mais importante, os países ocidentais liderados pelo mundo anglo-americano têm estado impunemente em guerra nos últimos trinta anos matando e arrancando das suas terras milhões de muçulmanos. Comentadores nos media, porta-vozes políticos e ideólogos identificaram os muçulmanos como uma ameaça terrorista global e como alvos de uma “guerra contra o terror.” No próprio dia do massacre na Nova Zelândia Israel lançou ataques aéreos de larga escala contra cem alvos em Gaza. Israel já matou várias centenas e feriu mais de vinte mil Palestinianos desarmados em menos de dois anos. Os massacres israelitas acontecem à sexta-feira, o sábado Muçulmano.
A islamofobia é um fenómeno de massa em curso que excede em muito outros “crimes de ódio” em todo o Ocidente e permeia as instituições político-culturais judaico-cristãs.
Tendo os líderes políticos ocidentais e israelitas imposto políticas de imigração extremamente restritivas - em alguns países proibição completa de imigrantes muçulmanos. Israel dá um passo adiante, desalojando e expulsando residentes islâmicos de longa data. O assassino neozelandês seguiu claramente a prática ocidental/israelita.
Em segundo lugar, nos últimos anos, violentos rufias fascistas e da supremacia branca têm sido tolerados por todos os regimes ocidentais e são livres de propagar violentas palavras e acções antimuçulmanas. Muitos dos massacres antimuçulmanos foram antecipadamente anunciados nas chamadas redes sociais como o Twitter, que alcança milhões de seguidores.
Em terceiro lugar, enquanto as polícias locais e federais recolhem “dados” e espiam muçulmanos e cidadãos cumpridores da lei, aparentemente não incluem autoidentificados homicidas que advogam o anti-islamismo.
Tal como é o caso do recente assassino em massa da Nova Zelândia, Brenton Torrant. A polícia e os Serviços de Informações de Segurança da NZ não mantiveram ficheiro e vigilância sobre Torrant apesar da sua aberta opção pela violenta supremacia branca e por destacados suprematistas, incluindo o assassino norueguês de mais de 70 crianças-campistas, Anders Brevet.
Torrant publicou um manifesto antimuçulmano de 74 páginas, facilmente disponível para qualquer um com computador - até mesmo um polícia idiota – para não falar da totalidade as forças de segurança da Nova Zelândia.
Torrant planeou o ataque com meses de antecedência mas não estava em qualquer “lista de observados”.
Torrant não teve problema em obter uma licença de porte de arma e comprar uma dúzia de armas de alta potência, incluindo o material para dispositivos explosivos improvisados ​​(IED), que a polícia descobriu mais tarde ligado a um veículo.

Por que se atrasou a polícia?

A Mesquita Al Noor, que sofreu o maior número de mortos e feridos, está na baixa de Christchurch, a menos de 5 minutos da sede da polícia - mas a polícia levou 36 minutos a responder. O suprematista branco teve tempo para assassinar e aleijar; para deixar a mesquita e voltar ao seu carro; para recarregar e entrar novamente na mesquita; esvaziar a munição nos muçulmanos que rezavam —- usando uma versão civil de uma M16; guiar até ao Centro Islâmico Linwood e abater e mutilar vários outros fiéis muçulmanos, antes de a polícia finalmente aparecer em cena e prendê-lo.
O presidente da Câmara elogiou a polícia! Pode suspeitar-se que as autoridades eram coniventes!
O que explica a total ausência ou o falhanço das autoridades políticas e forças de segurança: a falta de investigação prévia; as demoras na hora dos crimes; e a falta de autocrítica?

A ascensão da extrema-direita antimuçulmana anti-imigrante

Os Torrents de Brenton estão a proliferar em todo o mundo e não por serem mentalmente perturbados ou psicopatas autoinduzidos. São menos produtos da ideologia da supremacia branca do que mais prováveis produtos ​​das guerras ocidentais e israelitas contra Muçulmanos – os seus líderes fornecem-lhes a lógica, os seus métodos (armas) e reivindicações de imunidade.
Os regimes ocidentais organizam ficheiros de manifestantes ambientalistas e antiguerra, mas não de suprematistas antimuçulmanos, abertamente preparando a guerra contra a “invasão” de imigrantes muçulmanos – que fogem da guerra dos EUA e da UE no Médio Oriente.
A polícia demorou meio minuto para responder ao tiroteio sobre um polícia. Não permitem que assassinos de polícias atirem, recarreguem, atirem de novo e passem para outro alvo policial. Não acredito que os atrasos sejam negligência da polícia local.
O massacre resultou do facto de as vítimas serem muçulmanas, numa mesquita.
As lágrimas e grinaldas, as orações e bandeiras após o facto não mudam nem mudarão o assassínio de pessoas muçulmanas.
Campanhas educativas para combater a islamofobia podem ajudar, se e somente se é dirigida acção efectiva do Estado contra as guerras ocidentais e israelitas contra povos e países islâmicos.
Somente quando as autoridades eleitas ocidentais deixarem de impor restrições especiais contra os chamados de “invasores” muçulmanos, os “suprematistas brancos” e seus descendentes ideológicos cessarão o recrutamento de seguidores entre cidadãos em outros aspectos normais.
Massacres em mesquitas e crimes contra muçulmanos individuais deixarão de ocorrer quando os estados imperialistas e seus governantes pararem de invadir, ocupar e desalojar países e povos islâmicos.

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