Mudança de regime em Cuba

Paul Craig Roberts    28.Dic.14    Outros autores

Nenhum verdadeiro amigo Cuba ignora que os EUA, qualquer que seja a táctica preferencial que adoptem no momento, não abandonam o objectivo de destruir o regime que a revolução cubana criou e mantém, à custa de uma heróica resistência de mais de cinco décadas. O povo cubano tem uma larga experiência do que significa ter o imperialismo como adversário. Não a pode esquecer caso ele queira agora apresentar-se como “amigo”.

A normalização de relações com Cuba não é o resultado de um grande avanço diplomático ou de uma mudança de atitude por parte de Washington. A normalização é resultado da busca de oportunidades de lucro em Cuba por parte das corporações estado-unidenses, tais como o desenvolvimento de mercados da Internet de banda larga em Cuba.

Antes de a esquerda americana e do governo cubano se felicitarem pela normalização, deveriam considerar que com a normalização vem o dinheiro americano e uma embaixada dos EUA. O dinheiro americano tomará o comando da economia cubana. A embaixada será um lar para operacionais da CIA subverterem o governo cubano. A embaixada proporcionará uma base a partir da qual os EUA possam estabelecer ONGs cujos crédulos membros podem ser chamados a protestos de rua no momento certo, como em Kiev, e a embaixada fará o possível para Washington preparar um novo conjunto de líderes políticos.

Em suma, normalização de relações significa mudança de regime em Cuba. Em breve Cuba será mais um dos estados vassalos de Washington.

Conservadores e republicanos, tais como Peggy Noonan e senador Marco Rubio, deixaram claro que Castro é “um homem mau que transformou um quase paraíso numa prisão flutuante” e que normalizar relações com Cuba não “dará legitimidade ao regime Castro”.

Noonan esqueceu-se de Guantánamo, o centro prisional de tortura de Washington em Cuba onde centenas de pessoas inocentes têm sido mantidas e torturadas durante grande parte das suas vidas por americanos excepcionais. A Revolução Cubana pretendia libertar os cubanos da dominação estrangeira e da exploração por capitalistas estrangeiros. Seja qual for a probabilidade de êxito, meio século de hostilidade de Washington tem muito a ver com os problemas económicos de Cuba como ideologia comunista.

O sentimento de superioridade moral dos americanos é extremo. Noonan está feliz. O dinheiro americano está agora indo derrotar o trabalho de toda uma vida de Castro. E se o dinheiro não fizer isso, a CIA fará. A agência espera há muito vingar-se da Baia dos Porcos e a normalização de relações traz a oportunidade.

20/Dezembro/2014

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/regime-change-in-cuba/5420956

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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