NOTA DOS EDITORES

O Governo de El Salvador submete-se aos EUA

Os Editores    02.Dic.11    Editores

O actual Governo de El Salvador é apresentado pela maioria dos orgãos de comunicação social como de esquerda e anti-imperialista. Para isso contribui o facto de o Presidente Mauricio Funes ter sido eleito pela Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional - FMLN, o partido criado por uma das guerrilhas mais heróicas da América Latina. O apoio da Venezuela Bolivariana e de Cuba a esse governo confirmaria o seu carácter progressista.
A situação hoje existente na pátria de Farabundo Martí, um comunista histórico, não justifica essa visão optimista.
Mauricio Funes era um independente que tinha posições muito próximas das assumidas pelo FMLN quando este, o partido maioritário, o levou à Presidência em 2009 como seu candidato.
Tinha adquirido uma grande popularidade como jornalista pelas suas entrevistas na Televisão. Mas logo que tomou posse começou a distanciar-se do programa do FMLN.
Transcorridos dois anos a sua política internacional é ditada pelos Estados Unidos. Inicialmente, o governo incluía elementos de diferentes forças políticas. Hoje as decisões principais são tomadas por ministros da direita que negoceiam com o Parlamento a aprovação de leis que só beneficiam o grande capital, nomeadamente a banca.
O FMLN é presentemente uma sombra da organização marxista cujo núcleo era o Partido Comunista de El Salvador (refundado em 2005), dirigido por Schafik Handel. A maioria dos seus deputados adquiriu uma mentalidade eleitoralista, distanciada dos princípios e das massas.
Funes põe e dispõe hoje sem consultar a direcção da FMLN. A situação degradou-se tanto que Norma Guevara, coordenadora do partido maioritário, refere-se já ao executivo como «o governo de Funes».
A degradação do sistema atingiu tais extremos que Alfredo Cristiani, o ex-presidente multimilionário, foi há dias recebido no Senado com deferência não obstante ter contas a ajustar com a Justiça pela sua ligação com esquadrões da morte e pela sua recusa de levar adiante a investigação sobre o escândalo do assassínio de freiras norte-americanas.
A última exigência dos EUA foi a nomeação de um militar, o general Mungia Payés, para a pasta da Seguridad (Interior), em substituição do anterior ministro, do FMLN, demitido por Funes. Usando as remessas dos emigrantes como arma de chantagem, Washington interfere cada vez mais em áreas como a «luta contra o narcotráfico», a rede de bases aéreas e a política de «segurança».
Funes, o presidente eleito pela FMLN, comporta-se como instrumento dócil do imperialismo.

OS EDITORES DE ODIARIO.INFO

Gostaste do que leste?

Divulga o endereço deste texto e o de odiario.info entre os teus amigos e conhecidos