O Grande negócio de se tornar um qualquer burocrata

Maria Ramirez*    03.Mar.07    Colaboradores

É com esta massa que os escultores da União Europeia fazem os eurocratas: “A administração europeia a das instituições que dão lições aos Estados membros sobre a contenção da despesa pública e da reforma das pensões, paga anualmente aos seus funcionários entre um mínimo de 2.448,17 euros (para um contínuo recém chegado sem mulher nem filhos, e belga) e um máximo base de 16.944,98 euros (para um dirigente político), depois da última subida, em vigor desde 1 de Janeiro”.

Em Bruxelas, em média chove 18 dias por mês, pelo que no Inverno apenas há duas horas de luz solar diárias.; nas ruas da maioria dos bairros ouve-se o eco dos próprios passos; o lixo recolhem-no, no máximo, duas vezes por semana e os naturais nunca foram célebres pela sua simpatia. Mas basta falar com qualquer funcionário europeu para ouvir maravilhas de um dos destinos mais desejados, o lugar onde os expatriados resistem a sair pela alta qualidade de vida, pelos seus colégios e casas.

Um mistério? Talvez tenha alguma coisa a ver com o facto de um intérprete, um consultor ou um advogado de nível médio receber um salário mensal de 8.077,32 Euros, sem contar com a compensação de 16% pelo facto de estar expatriado – embora viva há décadas em Bruxelas – os extras por ter filhos, a ajuda escolar ou os voos para o país de origem.

A administração europeia a das instituições que dão lições aos Estados membros sobre a contenção da despesa pública e da reforma das pensões, paga anualmente aos seus funcionários entre um mínimo de 2.448,17 euros (para um contínuo recém chegado sem mulher nem filhos, e belga) e um máximo base de 16.944,98 euros (para um dirigente político), depois da última subida, em vigor desde 1 de Janeiro.

Os comissários e outros cargos têm um estatuto à parte, com um salário de uns 18.000 euros, mas o impacto deste é meramente simbólico, comparado com os salários médios dos seus 36.000 funcionários, que, sem qualquer responsabilidade política, rondam os 8.000 euros.

Grandes pensões

A Comissão defende-se das últimas críticas, particularmente da imprensa alemã e do italiano Corriere della Sera, com a explicação de que os expatriados europeus devem estar ao mesmo nível dos empregados das multinacionais. No entanto, diferentemente do que sucederia numa empresa privada, o funcionário comunitário tem posto de trabalho e salário garantido para toda a vida. De facto, o pagamento e o seu nível, uma vez conquistados, ficam para sempre, faça o que fizer.

Cada vez que muda a Comissão, há mudanças nos gabinetes como em qualquer organização, mas com a peculiaridade de, na União Europeia, os caídos em desgraça manterem o salário, mesmo que um alto funcionário passe a tirar fotocópias. “Isso não sucede em Espanha nem provavelmente em nenhuma Administração europeia”, reconhece um funcionário recém chegado e algo surpreendido com o seu salário.

O choque é maior quando o candidato provém de um país da Europa oriental. “Ganho muito e por vezes não compreendo a folha de salários… Suponho que ganho mais que um ministro do meu país”, confessa uma funcionária polaca sem responsabilidades directivas. Os romenos e os búlgaros ainda estão em plena batalha pela conquista dos novos postos de trabalho que irão mudar a sua vida.

Que um intérprete médio, com poucos anos de carreira, possa ganhar mais que o presidente José Luiz Rodríguez Zapatero, que ganha pouco mais de 7.000 euros por mês, justifica-se, segundo a Comissão Europeia, pelo esforço físico e psicológico da transferência para outro país e pelo trabalho diário multilingue

“O que há que contar é porque é que ganham o que ganham”, afirma o porta-voz para os Assuntos Administrativos, Max Stromann. Trabalham em francês e inglês, estão longe da família… É evidente que uma secretária em Bruxelas ganha mais que uma secretária em Roma, mas se calhar a de Roma nem sequer quereria vir para aqui”…Se eu tivesse ficado em Munique, trabalharia tranquilamente em alemão e em minha casa como os meus companheiros de liceu”, acrescenta.

A Comissão insiste em que os seus salários não devem ser comparados aos das administrações dos Estados membros, mas com os das multinacionais ou organizações internacionais, e que alguns dos extras apenas dependem da sua situação familiar. Na realidade, as ajudas por filho representam uma pequena percentagem do salário. Nas organizações internacionais, os extras ou a isenção fiscal – os funcionários europeus não pagam impostos nem na Bélgica nem no país de origem esó contribuem para a EU uma pequena parte do mês – são habituais, se bem que os salários da União são mais elevados que os das Nações Unidas e o dobro dos da NATO.

No entanto, o que os eurocratas mais esperam é a enorme reforma, um avultado pagamento mensal depois de ter trabalhado apenas 10 anos na UE. Reformam-se, o mais tardar aos 63 anos e podem chegar a receber 73% do seu último salário, mesmo que apenas o tenha ganho só durante um ano. Se viverem em França, Reino Unido ou na Dinamarca recebem ainda mais. A mais famosa pensionista da UE é a ex comissária Edith Cresson, acusada de fraude e responsável pela demissão da Comissão Santer. Continua a receber 3.600 euros por mês pelo seus quatro problemáticos anos em Bruxelas.


*O original foi publicado em www.rebelion.org

Tradução de José Paulo Gascão

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