Nota dos Editores

O Nobel a Obama: Os actos desmentem as palavras

Os Editores    11.Oct.09    Editores

A decisão do Comité Norueguês de conceder o Nobel da Paz a Barack Obama chocou muitos milhões de pessoas em todo o mundo.
Em vez de ser um incentivo à Paz surge com o significado de um aplauso e um estímulo à violência.
Ao longo de mais de um século o Nobel da Paz foi atribuído a algumas personalidades que não o mereciam. Mas poucas vezes a o espírito humanista do Prémio criado por Alfred Nobel terá sido tão desrespeitado como nesta atribuição ao actual presidente dos EUA.
Na justificativa da sua decisão, os membros do Comité de Oslo sublinham que nela pesou decisivamente o “extraordinário esforço de Obama para promover a cooperação entre os povos”.
Estamos perante uma grosseira inverdade.
No seu agradecimento, Obama declara que deve o Nobel à “afirmação da liderança dos EUA no mundo”.
Como se manifestou nos nove meses de governo do Presidente norte-americano essa aspiração ao domínio universal dos EUA?
Os povos têm memória. Milhares de pessoas morreram em consequência dessa estratégia.

1. Os EUA mantêm um exército de 140 000 homens no Iraque, um país agredido e ocupado, onde Washington instalou um governo fantoche.
2. Obama afirma que o reforço da intervenção e a vitória na guerra do Afeganistão é a primeira prioridade da sua política externa, e mantêm ali outro governo fantoche imposto por eleições fraudulentas.
3. A Força Aérea dos EUA bombardeia rotineiramente povoações do Paquistão com aviões não tripulados.
4. A Casa Branca ameaça o Irão com novas sanções e eventual recurso à força, forjando acusações falsas, similares às utilizadas antes de invadir o Iraque.
5. O governo sionista de extrema direita de Israel continua a ser o aliado preferencial dos EUA no Médio Oriente.
6. O golpe de Estado das Honduras foi concebido e executado com a cumplicidade do Pentágono e do Departamento de Estado.
7. Os EUA vão instalar sete novas bases militares na Colômbia no âmbito de uma política de cerco aos regimes progressistas da Região, ameaça reforçada pelo regresso da IV Esquadra da US Navy a águas sul-americanas.

A retórica humanista de Obama não faz história. Os factos confirmam que o seu conceito sobre a “liderança dos EUA no Mundo” está orientado não para a Paz, mas para uma escalada militarista de contornos imperiais.
É significativo que o grande capital e os governos da União Europeia tenham reagido com entusiasmo à atribuição do Nobel a Obama.
Porém essa euforia, compartilhada por Cavaco Silva, Sócrates e Mário Soares, não tem o poder de apagar a evidência.
Pela primeira vez são invocadas as intenções e não a obra realizada como justificativa da atribuição de um Nobel. Até o Washington Post - jornal do establishment - reconhece que Obama ainda não concretizou qualquer das promessas feitas. E muitos dos seus actos nestes poucos meses desmentem as intenções.
Este Nobel da Paz é incompatível com as aspirações da humanidade à Paz entre os povos. Nasce manchado pelo sangue de milhares de vítimas da estratégia imperialista por ele mantida e, em certos casos, ampliada.

OS EDITORES DE ODIARIO.INFO

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