Nota dos Editores

O veto que desmascara Obama e desafia os Árabes

Os Editores    20.Feb.11    Editores

Uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que declarava ilegal a política de ocupação territorial de construção de colonatos israelitas na Cisjordânia, e exigia a suspensão imediata da ocupação em curso, tendo colhido o apoio dos demais membros do Conselho, foi contudo vetada pelos Estados Unidos da América, ontem.
A posição oficial dos EUA tem sido declarar ilegítima a construção de colonatos em território Palestino, mas a embaixadora junto das NU declarou que neste momento tal resolução seria contra-producente para o “processo de Paz israelo-palestino” - processo que todavia tem estado paralisado desde há anos, e que assim continuará, em resultado da agressividade quer militar quer diplomática do estado Israelita e seus cúmplices.

O Discurso de Obama no Cairo, no início do seu mandato, parecia querer criar a base de um renovado relacionamento dos EUA com o mundo Árabe. Mas forçados agora ao confronto com o dilema israelo-palestino, uma vez mais os EUA optaram por apoiar o estado de Israel no prosseguimento da sua politica expansionista.
Este opção, no período de revoltas populares que emergem em numerosos países Árabes contra regimes retrógrados e governos autoritários, que todavia têm contado com o apoio dos EUA, não no que respeita ao progresso e respeito pela identidade desses povos mas sim no que respeita à repressão e supressão de direitos sociais e políticos, provavelmente introduzirá nessas revoltas um mais acentuado sentimento anti-imperialista.

O contexto é muito preocupante, posto que a maioria dos países Árabes mantém intimas ligações militares com os EUA (armamento, treino, bases militares), sendo que a Arábia Saudita e o Egipto detêm forte poderio militar, pelo que o veto no Conselho de Segurança condicionará ainda mais as forças armadas nos países Árabes, confrontadas entre os anseios sociais e as vontades politicas dos seus povos e as conivências que mantêm com as oligarquias e o aliado Norte-americano.

Sendo certo que os EUA na sombra procuram conduzir o curso dos acontecimentos no Magreb e no Médio Oriente, segundo “mudanças de regime” mais estáveis e conformes aos seus interesses do que as velhas oligarquias desprestigiadas, a verdade é que as revoltas populares evidenciam e presença de forças organizadas (legais ou informais) e progressiva estruturação na sua condução, também portadoras de crescente componente anti-imperialista.

OS EDITORES DE ODIARIO.INFO

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