Nota dos Editores

Obama: Um populismo perigoso

Os Editores    27.Ene.12    Editores

O discurso de Obama sobre o Estado da União foi uma peça oratória populista e farisaica, semeada de promessas e ameaças.
Os grandes media dos EUA coincidiram na conclusão de que o Presidente aproveitou a data para dar início à sua campanha para a reeleição. Dirigiu-se sobretudo a dezenas de milhões de compatriotas que perderam as suas casas e empregos e se mostram desiludidos com a política que desenvolveu na Casa Branca. Recorrendo à sua brilhante retórica, retomou compromissos não concretizados, atribuindo ao Congresso e a circunstâncias imprevistas o seu incumprimento.
Garantiu que insistirá no combate à desigualdade numa sociedade em que os milionários pagam menos impostos que os assalariados. Omitiu que nada fez para impor «sacrifícios» aos ricos e que o Congresso os favoreceu durante o seu mandato. Voltou a acenar com a perspectiva de milhões de empregos, como consequência da recuperação económica, consciente de que mentia porque a crise persiste e a taxa de crescimento caiu. A decisão de aumentar a produção interna de petróleo e gás foi anunciada como iniciativa progressista, quando na realidade essa possibilidade é transitória e terá um efeito devastador na degradação do ambiente.
No tocante à política externa, o discurso foi triunfalista e ameaçador. Ao contrário das promessas eleitorais anteriores, a sua acção representa não apenas a continuidade mas em certos aspectos até o agravamento das políticas imperiais de Bush. O Presidente reafirmou que os EUA, sob a sua direcção, manterão a actual estratégia de dominação planetária. Não se limitou a justificar as guerras de agressão imperiais. Ao declarar enfaticamente que relativamente ao Irão «todas as opções estão sobre a mesa» ficou clara a disposição em atacar aquele país se não se submeter às exigências de Washington.
É significativo que na véspera um exército de 12000 homens tenha desembarcado na Líbia para controlar áreas petrolíferas, em iniciativa unilateral, enquanto um comando de tropas de elite empreendia uma «acção especial» na Somália contra uma guerrilha local.
Os factos confirmam que os EUA praticam hoje rotineiramente o terrorismo de estado como componente da sua estratégia imperial.
Com total aprovação do presidente Barack Obama.
Não surpreende que os órgãos de comunicação social portugueses ditos de «referência» tenham derramado elogios sobre o seu perigoso discurso.

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