Os chineses e o novo coronavírus (2019-nCoV)

Vladimir Marciac    05.Feb.20    Outros autores

A epidemia provocada por uma nova estirpe de vírus na China tornou-se - justificadamente – centro de intensa atenção mediática. Por um lado, porque se trata de uma situação efectivamente muito séria. Por outro porque tem trazido a público a imagem de uma notável eficiência na resposta chinesa. Por outro ainda, porque os media ocidentais encontram no problema e na resposta a ser dada ocasião para atacar, manipular informação e tentar lançar o pânico. Nada de novo.

Lembrete antes de virem meter medo e dar lições: segundo o Instituto Pasteur, em França morrem de gripe a cada ano entre 10.000 e 15.000 pessoas.
Em Agosto de 2003, a França sofreu uma onda de calor que causaria 15.000 mortos. O Presidente Chirac, em férias no Canadá, tardou a regressar. O ministro da Saúde, Jean-François Mattéi, de férias no Var, concedeu uma entrevista tranquilizadora à televisão na sua residência, “em traje casual” (blusa polo).
Quando da epidemia de Ébola na África Ocidental em 2014 - considerada como uma emergência máxima contra um vírus com uma taxa de mortalidade de 90% - o CDC americano (Center for Disease Control and Prevention) não levou menos de dois meses para obter a primeira amostra retirada de um paciente e identificar a sequência genómica completa.
O CDC levou mais de um mês e meio para desenvolver kits de identificação quando da gripe suína nos Estados Unidos em 2009 (vírus H1N1).
Em 20 de Janeiro de 2020, 15 trabalhadores médicos em Wuhan foram confirmados doentes e outro suspeito de ter contraído pneumonia causada pelo novo coronavírus. Um desses 16 pacientes está em estado crítico e os outros em estado estável. Segundo a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan, todos são tratados isoladamente.

A resposta da China foi fulgurante.

Os chineses precisaram apenas de uma semana a partir da primeira amostra retirada de um paciente para concluir a identificação e o sequenciamento do coronavírus, que são essenciais. Decidiram de imediato publicar e depositar os resultados na biblioteca genómica, para que todo o planeta lhes tivesse acesso imediato. Com base nessa sequência, as empresas chinesas de biotecnologia produziram numa semana testes validados, mais outra primeira vez mundial.
Como estão os chineses a combater a propagação da pneumonia causada pelo novo coronavírus.
O presidente chinês Xi Jinping recebeu em Pequim na terça-feira, 28 de Janeiro de 2020, o director geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Informou-o das medidas científicas de prevenção e controlo implementadas e das medidas direcionadas para o problema. Para o presidente chinês, a China continua confiante e dispõe das capacidades necessárias para vencer a batalha final contra a propagação de pneumonia causada pelo novo coronavírus (2019-nCoV).
Por sua parte, Tedros disse estar satisfeito de ver o governo chinês “mostrar a sua determinação política através de várias medidas oportunas e eficazes tomadas para lidar com a epidemia”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020, que as Nações Unidas apreciam os esforços da China para combater o novo coronavírus e têm total confiança na capacidade da China de controlar a epidemia.
Assim que essa epidemia apareceu, o governo chinês reagiu efectivamente. Oito dias foram suficientes para as autoridades chinesas determinarem a origem da epidemia de pneumonia causada pelo novo coronavírus. Seguiu-se, como mencionado acima, a partilha da sequência genómica com a OMS e os outros países. Depois, a pneumonia causada por vírus foi adicionada à lista de epidemias reconhecidas. E muito rapidamente as medidas preventivas foram implementadas. É nomeadamente o caso do encerramento temporário das vias que levam a Wuhan e da instalação de um hospital temporário na mesma cidade no espaço de 10 dias.
Foi lançada uma operação de intervenção rápida prevista em caso de incidentes de saúde de magnitude extraordinária. O nível 1 de alerta no plano de acidentes de saúde pública foi accionado em 30 províncias, municípios ou regiões autônomas, cobrindo uma população de mais de 1,3 milhares de milhões de pessoas. Equipas médicas e equipamentos provenientes de 29 províncias chegaram às áreas afectadas pela epidemia.
A construção dos dois hospitais temporários em Wuhan reflectiu igualmente a eficácia da prevenção e controlo da epidemia. O Hospital Huoshenshan, com capacidade para acomodar 1.000 pacientes, estará disponível em 3 de Fevereiro. A área do Hospital Leishenshan é expandida para cerca de 60.000 metros quadrados. Esta unidade de saúde terá 1.600 camas.

A situação é séria.

A epidemia continua ainda a propagar-se.
A situação recente mostra que o coronavírus tem uma forte capacidade de transmissão de humano para humano. A deslocação em larga escala da população antes do Festival da Primavera acelerou a sua propagação e ampliou o alcance da transmissão, o que representa uma ameaça directa para a vida e a saúde do povo chinês. Para as autoridades chinesas, como explicam os peritos médicos, a estratégia de prevenção e controlo que consiste em reduzir o fluxo de pessoas, aumentar a distância interpessoal e reduzir os contactos entre as pessoas é o melhor meio para interromper a via de transmissão do vírus e limitar efectivamente novos casos.
Nos últimos dias, desde o encerramento temporário das vias partindo de Wuhan até ao cancelamento de grandes concentrações e o prolongamento dos feriados do Festival da Primavera, as medidas de prevenção e de controlo adoptadas pela China têm sido difíceis de tomar, mas foram aplicadas resolutamente. Essas decisões reflectem igualmente uma atitude de alta responsabilidade pela segurança sanitária mundial. Todas as medidas adoptadas são conformes com as regras em vigor em matéria de prevenção e controlo de epidemias a nível internacional.
Em 27 de Janeiro, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang, responsável pela prevenção e controlo da propagação do novo coronavírus, foi a Wuhan para uma inspecção durante a qual ordenou o envio de mais pessoal médico, particularmente de enfermeiros, e de abastecimento médicos a Wuhan.
Até a noite de 28 de Janeiro, quase 6.000 pessoas das equipas médicas do país chegaram à província de Hubei para apoiar a linha de frente da luta contra a epidemia. As empresas chinesas trabalham horas suplementares para fabricar equipamentos médicos, como máscaras e roupas de protecção médica. Os parceiros envolvidos estabeleceram vias de transporte “verdes” para os bens da actividade produtiva e vida quotidiana, a fim de garantir um aprovisionamento adequado do mercado e preços estáveis ​​nas áreas afectadas pela epidemia.
Os chineses estão a lutar com todas as forças contra essa epidemia que ameaça toda a humanidade. Essa luta requer coordenação e cooperação da comunidade internacional para ser enfrentada. As medidas de prevenção e controlo adoptadas pela China são radicais, rápidas, eficazes, públicas e transparentes. Todos os esforços dos chineses realizados até ao momento consistem em proteger, não apenas os próprios chineses, mas também toda a gente do mundo, que será afectada pelo resultado dessa batalha sem precedentes.

A ONU e OMS felicitam, os media ocidentais criticam

Entretanto, por “opacidade psicológica”, alguns meios de comunicação ocidentais espalham boatos (o Guardian estima em 100.000 o número de pessoas infectadas pelo coronavírus), atacam a China acusada de ter “reagido de forma desproporcionada” ou mesmo de ter “violado direitos humanos”. É a arte mesquinha de tirar proveito do infortúnio dos chineses para incriminar os seus dirigentes. Se os chineses atribuíssem o mínimo interesse a esse tipo de crítica, se a levassem em conta, os nossos próprios media teriam dado um tiro nos nossos pés.

Fonte: https://www.legrandsoir.info/les-chinois-et-le-nouveau-coronavirus-2019-ncov.html

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