Os comunistas russos apelam à unificação de todos os partidos comunistas da ex-URSS [1]

G. Ziuganov    23.Feb.07    Outros autores

É cada vez mais evidente, o papel crescente que os ex países socialistas do leste europeu assumem na cena mundial. Ali, onde os comunistas continuam a ter um papel destacado que a imprensa ocidental não reflecte, “teve lugar em Moscovo o Plenário Ordinário do Conselho da União dos Partidos Comunistas-PCUS”. Participaram no Plenário 15 dos 16 partidos que integram a União dos Partidos Comunistas, o que só por si, é esclarecedor da sua importância.

Conclusões da luta política durante 2006 e tarefas prioritárias dos partidos comunistas nas condições actuais.

1. Depois de ouvir os relatórios dos dirigentes dos partidos comunistas irmãos sobre o trabalho realizado durante o ano de 2006, o Plenário do Conselho da UPC - PCUS, constata a dificuldade e a tensa situação em que se desenvolveu a nossa actividade. Os governos burgueses de todos os estados, à excepção da Bielo-Rússia e da Moldávia, prosseguem a sua ofensiva contra os direitos sociais dos trabalhadores. Com o objectivo de enganar os trabalhadores, são lançadas - com a ajuda do Ocidente - pseudo-revoluções “laranja” ou “rosa”, quando um grupo da grande burguesia e a burocracia estatal arrebata o poder a outro.

Sob a tutela dos EUA, a NATO e a UE, nos estados bálticos, na Ucrânia e na Geórgia, atiçam-se os sentimentos nacionalistas, anti-soviéticos e rusófobos; os criminosos fascistas movimentam-se com grande à vontade. O nacionalismo agressivo, sob a pressão da propaganda burguesa, vai penetrando na consciência das pessoas.

As estruturas de poder da oligarquia e da burocracia estatal da Rússia desencadearam “as guerras do gás, da carne, do vinho e do açúcar” entre outras, contra a Bielo-Rússia, a Ucrânia e a Moldávia. Como resultado encontram-se seriamente comprometidas as relações económicas existentes, afectando com isso um grande número de pessoas, que cada vez tomam mais consciência da penúria a que as conduzem os regimes burgueses. Desenvolvem-se activamente na sociedade as ideias de esquerda, vão-se estruturando movimentos de oposição ao poder existente, nas sus mais variadas formas, reais e aparentes. Cresce a influência dos comunistas, que encabeçam as acções de protesto dos trabalhadores.

Em resposta aos protestos populares na Geórgia, no Turquemenistão e nas repúblicas bálticas, foi desencadeada uma vaga de repressão contra os comunistas e toda a oposição. Muitos dos seus dirigentes estão presos.

Na Rússia, com a desculpa da “luta contra o extremismo”, foi imposta a limitação da liberdade de crítica à actividade do governo e dos seus representantes nos órgãos executivos e legislativos. A alteração da lei eleitoral atinge os direitos cívicos: foi suprimida a percentagem mínima de participação nas eleições, eliminado a opção “contra todos”, as eleições por circunscrição única, além de outras “inovações”. O poder do dinheiro, a burocracia e os recursos administrativos dos governos de todos os níveis, substituem a democracia com maior frequência.

Com o fim de dividir e desmobilizar o eleitorado, são criados e financiados partidos “réplica” das organizações da oposição patriótica, organizam-se provocações que exaltam o terror fascista contra os representantes de outras nacionalidades e instigam o aparecimento do sionismo e do anti-semitismo. Além de tudo isto, encontra-se a mão condutora dos globalistas imperialistas, com os USA à cabeça, que aspiram a converter os nossos países em colónias suas e impedir a reunificação dos nossos povos irmãos num Estado unificado de repúblicas soberanas iguais em direitos.

2. A esquerda avança no mundo. São processos que abarcam estados da Ásia, África e América Latina, com uma população próxima dos 3 mil milhões de habitantes, que não aceitam o mundo unipolar nem o diktat estado-unidense.

São uma série de países, governados por comunistas ou por líderes e partidos progressistas, que compartilham o ideal da via de desenvolvimento socialista. Amplia-se a interacção destes partidos a nível internacional, em que os comunistas desempenham um papel chave.

3. O Plenário do Conselho da UPC-PCUS deseja assinalar o trabalho positivo dos partidos comunistas relativamente ao centenário do nascimento de L. Brejnev, destinado a recuperar a verdadeira imagem deste destacado dirigente do partido, lutador pela paz, pelo socialismo e por uma vida melhor para o povo, assim como a desmascarar o mito sobre a “época da estagnação”, e a dar a conhecer os grandes sucessos do povo soviético sob a direcção do Partido Comunista durante esse período da nossa história.

4. Nas condições de agudização das contradições de classe, de ofensiva das forças do capital, do poder burguês e seus lacaios contra os direitos dos trabalhadores, o principal meio de luta por um autêntico poder popular, pelo aumento da eficácia do nosso trabalho e da autoridade dos comunistas, passa unicamente pela unidade organizativa de todas as forças comunistas. A solução desta tarefa no ano do 90º aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro, deve ser a principal obrigação dos comunistas.

O Plenário do Conselho da UPC-PCUS faz um apelo a todos os partidos, agrupamentos e organizações que partilham os ideais comunistas em todos os estados, surgidos no território da URSS, seguindo o exemplo dos comunistas bielorussos, a unirem-se em partidos comunistas unificados, que tenham como principal objectivo a luta pelo poder popular soviético, pelo desenvolvimento socialista dos Estados dos povos irmãos, pela sua união num Estado unificado.

As diferenças teóricas existentes e os diferentes pontos de vista dos comunistas sobre as formas e métodos organizativos não podem impedir a união dos partidos com vista ao objectivo primordial: a conquista do poder político pelos trabalhadores.

Nas actuais condições, as diferenças e disputas teóricas e organizativas entre comunistas, e especialmente no seio de um mesmo partido, as acusações mútuas, etc., são absolutamente contraproducentes. Serve apenas para fazer o jogo dos regimes burgueses e afastar as massas dos partidos comunistas. Só a união dos comunistas de diferentes Estados pode constituir a coluna vertebral de uma autêntica e influente oposição patriótica, capaz de atrair as massas populares.
Mesmos objectivos, mesmos lemas, acções conjuntas: estas são as bases do êxito dos comunistas na actual etapa de luta.

5. Toda a imprensa partidária deve trabalhar para a formação de partidos comunistas unificados. É necessário dar a conhecer mais amplamente os princípios do internacionalismo proletário, a experiência do PCUS no fortalecimento da amizade e fraternidade entre os povos da URSS, demonstrar a hostilidade do nacionalismo burguês aos interesses vitais dos trabalhadores, explicar que a união e a consolidação dos trabalhadores na sua luta contra a burguesia deve construir-se na base dos interesses comuns do povo trabalhador, independentemente da nacionalidade ou do sentimento religioso.

A luta política dos partidos comunistas pelo poder só dará resultados reais se aparecer enraizada no movimento operário na sua actual composição. Neste sentido, os comunistas devem tomar parte activa nas lutas sindicais, tornarem-se impulsionadores da criação de novas organizações sindicais mais combativas, capazes de fazer frente à crescente exploração capitalista.

6. O Plenário do Conselho da UPC-PCUS aprova e apoia a actividade dos dirigentes da Bielo-Rússia pelo fortalecimento do Estado unificado, e condena energicamente as aspirações da oligarquia e da burocracia da Rússia, de substituir a amizade e fraternidade dos povos russo e bielorusso, pelas relações mercantis e pelos interesses dos monopólios do gás e do petróleo. A cimeira de chefes de Estado da CEI, celebrada em Minsk em finais do ano passado demonstrou que a Comunidade está em crise, e que os dirigentes dos Estados não têm intenção de a fazer sair dessa situação. Nestas condições, terão de ser os próprios povos a assumir como tarefa sua a unidade, e os partidos comunistas devem tomar a iniciativa na organização dos processos de integração, assumindo como tarefa prioritária de primeira ordem a culminação do processo de formação do Estado unificado da Bielo-Rússia e Rússia.

Neste sentido, recomenda-se ao PCFR e ao PCB que ponham em marcha ao longo de 2007 um fluido intercâmbio de delegações entre regiões e comarcas da Rússia e da Bielo-Rússia, com visitas a empresas e centros produtivos. Utilizar estes encontros para o desenvolvimento e fortalecimento das relações económicas e culturais, para a obtenção de informação objectiva sobre a vida da sociedade e a situação político-social em ambos os Estados, a fim de assinalar os obstáculos que se encontram no caminho da reunificação dos nossos povos.

As medidas mais urgentes para acelerar o processo unificador, deverão ser discutidas no início de 2008 no congresso dos povos da Bielo-Rússia e da Rússia.

7. Todos os partidos comunistas deverão dedicar especial atenção à importância de uma maior colaboração com todas as organizações e colectivos, que desenvolvem a sua actividade no quadro das uniões intergovernamentais dentro da CEI, utilizar a sua autoridade e possibilidades para o fortalecimento e desenvolvimento das relações amistosas em todos os âmbitos entre os nossos povos irmãos.

Os partidos comunistas podem e devem encabeçar um poderoso movimento social pela recuperação para o povo trabalhador de tudo o que lhe foi arrebatado pela oligarquia e burocracia estatais: o poder popular soviético, a propriedade sobre os principais meios de produção, a via de desenvolvimento socialista, o Estado unificado de povos irmãos, as garantias e direitos sociais.

8. O Plenário do Conselho da UPC-PCUS nota que as consequências da desintegração da URSS se manifestam de forma mais dolorosa na região do Cáucaso, onde entram em conflito o bandoleirismo armado e o nacionalismo agressivo de uma série de governos locais, com o sentimento crescente dos povos que aspiram à independência e ao reforço das relações com a Rússia. Isto pode constatar-se nos resultados dos referendos realizados na Abkásia e na Osetia do sul. Aumenta a confiança nos comunistas entre os povos do sul do Cáucaso. Estas são questões que terão de ser analisadas no congresso dos povos do Cáucaso em Abril de 2007.

9. O Plenário do Conselho da UPC-PCUS, quer salientar que em 2007 se cumpre o 90º aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro. O ano do Grande Outubro deve ser o ano da sucessiva mobilização de todas as forças patrióticas dos povos irmãos pela recuperação para os trabalhadores das conquistas da União Soviética, pela justiça social, pelos direitos políticos e sociais da população. É imprescindível lançar uma campanha propagandística dos sucessos da União Soviética, de cada república, região, cidade, para desmascarar todas as falsidades e injúrias que circulam contra a Revolução de Outubro e o período soviético da nossa história.
Os partidos comunistas deverão desenvolver e por em prática um plano de actos organizativos e propagandísticos para comemorar como deve ser esta inolvidável data na vida dos nossos povos.

G.Ziuganov. Presidente do Conselho da UPC-PCUS.

Nota:
[1] A 20 de Janeiro teve lugar em Moscovo o plenário ordinário do Conselho da União de Partidos Comunistas - PCUS. Nele participaram dirigentes de 15 dos 16 partidos que formam a União de Partidos Comunistas. O Plenário debateu os resultados do trabalho conjunto durante 2006 e fixou as tarefas para 2007 (Relatório apresentado por Ziuganov).
No debate dos relatórios tomaram parte entre outros: I. Alexeyev do PC da Ucrânia, S. Abdildin do PC do Kazakistão, P. Giorgadze do PC da Geórgia, O. Jorzhan do PC de Prednistrovie, Yegor Ligachov secretário do conselho da UPC-PCUS, G. Bulgakov em representação do PC da Moldávia, V. Shevieluja, pelo Movimento “Cientistas Russos de Orientação Socialista”, A. Seitkaziev pelo PC do Kirguistão, o chefe de redacção do jornal “Pravda”, Shurchanov, etc.

Tradução de Carlos Coutinho

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