Nota dos Editores

Populismo sem vergonha

Os Editores    12.Ene.14    Destaques

O governo Passos/Portas assumiu a morte de Eusébio da Silva Ferreira como uma milagrosa tábua de salvação. Tendo desencadeado desde o início do ano uma das mais desavergonhadas campanhas de desinformação e mentira acerca do desgraçado estado a que vem conduzindo o país, o falecimento do grande desportista deu até à quadrilha governante e a Cavaco Silva oportunidade para saírem à rua. É certo que não deixaram de ser recebidos com vaias. Mas apareceram em público tentando colar-se à imagem de uma figura de ímpar popularidade e simpatia.
Os grandes meios de comunicação social, especialistas na programação assente no entretenimento alienante e na propaganda das troikas nacional e estrangeira, excederam-se nessa vertente. Houve jornalistas e comentadores que até o Portugal fascista “do Minho a Timor” foram recuperar. O rapto do jovem Eusébio da sua terra natal foi evocado como acontecimento trivial e anedótico, quando é na verdade tão significativo do roubo ao povo moçambicano não só da sua liberdade e das suas riquezas naturais, mas do seu melhor potencial humano.
A vaga populista que a direita pretende cavalgar prossegue com a proposta avançada na AR para a trasladação do corpo de Eusébio para o Panteão Nacional. Se algum mérito tal proposta tem é de ter chamado a atenção para essa instituição (dividida em três locais), para que figuras lá se encontram, para figuras que dele estão ausentes, para os critérios da sua escolha. E para lembrar ao povo português uma questão essencial: a de que toda a história é a história da luta de classes. As figuras históricas em que as classes dominantes se revêem não podem ser as figuras históricas que as classes dominadas encaram da mesma forma. Nenhuma figura histórica, seja qual for o âmbito de actividade em que se destacou, escapa em última análise a esse critério. Se existe “unanimidade” em relação a tal ou tal figura, como agora se quer fazer crer em relação a Eusébio, certamente existirá nessa “unanimidade” uma considerável parte de oportunismo e de cálculo imediato. É o que hoje está à vista no despudorado populismo de Passos e Portas, tão odiados pelo povo quanto Eusébio era querido.

Os Editores de odiario.info

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