Responsáveis noruegueses admitem nada conhecer acerca da Líbia, mas isso não os impediu de participar nas acções visando a “mudança de regime”

Tyler Durden    20.Sep.18    Outros autores

Na Noruega, um relatório oficial constatou que o país participou na agressão contra a Líbia desconhecendo completamente o que estaria em causa e as consequências que teria. Os responsáveis desculpam-se, como se os recentes exemplos, da Jugoslávia ao Iraque, não fossem suficientemente conclusivos sobre a falsidade das razões invocadas, em particular pelos EUA, para cada ofensiva imperialista.

Um novo relatório oficial apresentado pelo governo norueguês ilustra o persistente absurdo do aventureirismo no estrangeiro e da expansão da NATO para lugares muito distantes do “Atlântico Norte” explicito no nome North Atlantic Treaty Organization – lugares como Afeganistão, Líbia, Ucrânia ou Síria.

Responsáveis noruegueses de topo admitiram agora que “tinham um conhecimento muito limitado” dos acontecimentos em desenvolvimento na Líbia durante 2010 e 2011, anteriores à intervenção da NATO em apoio dos rebeldes anti-Khadafi – uma guerra cujo resultado foi uma mudança de regime e um Estado falhado dirigido até aos dias de hoje por governos competindo entre si e milícias extremistas. A Noruega associou-se entusiasticamente ao bombardeamento do país comandado pelos EUA, Grã-Bretanha e França que teve início em Março de 2011, apesar de ter inteiro conhecimento de que os seus militares não conheciam praticamente nada do que se verificava no terreno.

Mas de que dispunham os que decidiram prosseguir? Registem o absurdo que o relatório oficial reconhece: “Em situações como estas, os decisores frequentemente apoiam-se em informação dos media e de outros países,” lê-se no relatório.

A comissão que produziu o relatório era presidida por um anterior Ministro dos Estrangeiros Jan Petersen, e acaba por concluir que políticos em Oslo arrastaram o país para o bombardeamento liderado pelos EUA sem tomar qualquer consideração acerca daquilo que viria a seguir.

O relatório da comissão constata que não existiam “quaisquer fontes documentais” que minimamente tentassem descrever a natureza do conflito a que a Noruega se iria associar. Os responsáveis não foram capazes de “caracterizar o tipo de conflito em que a Noruega estava a intervir”, reconhece.

O nome NATO para a operação era o nome de código EUA ‘Operation Odyssey Dawn’ (Operação Odisseia Amanhecer), e a Noruega participou com 596 missões de combate durante os primeiros cinco meses na intervenção NATO, lançando 588 bombas sobre alvos líbios, segundo o relatório. A Noruega fornecera seis jactos de combate F-16 e refere-se que os seus pilotos realizaram 10% de todos os ataques da coligação contra forças pró-Khadafi.

O anterior líder do Partido do Centro Liv Signe Navarsete disse acerca do relatório final que: “Quando olhamos para o que sucedeu a seguir, com a Líbia a tornar-se um centro de concentração do terrorismo, não podemos orgulhar-nos da decisão tomada.”

A guerra tinha sido vendida ao público europeu em termos “humanitários” e incluía sensacionais histórias de atrocidades, muitas das quais veio depois a provar-se serem falsas, representando o dirigente líbio Muhammar Khadafi como um maníaco homicida irracional.

Uma história notável explicitamente promovida pelo Departamento de Estado e pela embaixadora dos EUA junto da ONU Susan Rice foi a história da violação em massa alimentada a Viagra, que pretendia que Khadafi teria supostamente fornecido Viagra às suas tropas de modo a desencadear terrorismo sexual contra a população civil. A Amnistia Internacional e outros investigadores sobre direitos humanos provaram depois que essa história era completamente falsa.

Alguns políticos noruegueses afirmam agora que o país foi enganadoramente envolvido em mais uma operação de mudança de regime dirigida pelos EUA semelhante ao derrubamento de Saddam Hussein em 2003. Entretanto, tendo em conta que os dirigentes europeus tinham perante si o flagrantemente óbvio exemplo do Iraque e das mentiras sobre as quais fora construído numa situação historicamente tão recente, isto parece mais o inventar de desculpas para evitar assumir a responsabilidade pública.

Há muito que a Líbia foi esquecida pelos grandes meios de comunicação ocidentais, mas regressou aos títulos de primeira página quando uma pequena guerra civil irrompeu recentemente no interior de áreas sob o controlo do Governo de Acordo Nacional (GNA) reconhecido pela ONU, em Trípoli. Desde o derrube de Khadafi o país tem sido disputado por três (e por vezes quatro) governos rivais enquanto as ruas são dominadas pelas milícias islamitas, incluindo terroristas do ISIS em algumas áreas.

De acordo com uma reportagem CNN do ano passado, passaram desde então a existir mercados de escravos a céu aberto, enquanto a Líbia permanece em grande medida sem lei e uma infra-estrutura e uma economia nacional estável foi arruinada.

Fonte: https://www.zerohedge.com/news/2018-09-18/norway-officials-admit-they-knew-nothing-about-libya-joined-regime-change-efforts

Gostaste do que leste?

Divulga o endereço deste texto e o de odiario.info entre os teus amigos e conhecidos