The Caliph, um filme da CIA entre ficção e realidade

Manlio Dinucci    08.Nov.19    Outros autores

Trump, tal como Obama e Hillary Clinton antes dele, assiste no Situation Room da Casa Branca à eliminação de ex-aliados tornados incómodos. Foi assim com Bin Laden como agora com al Baghdadi. O acontecimento pouco difere da programação habitual de um canal de entretenimento EUA, com os seus heróis e os seus vilões. Neste caso, os principais vilões são os que estão na assistência.

“Foi como assistir a um filme”, ​​disse o presidente Trump após assistir à eliminação de Abu Bakr al Baghdadi, o Califa chefe do Isis (Daesh), transmitida na Sala de gestão de crises (Situation Room) da Casa Branca. Fora ali que, em 2011, o presidente Obama tinha assistido à eliminação do inimigo número um da época, Osama Bin Laden, chefe da Al Qaeda.

A mesma encenação: os serviços secretos dos EUA tinham há muito localizado o inimigo; este não é capturado, mas eliminado. Bin Laden é morto, al Baghdadi suicida-se ou é “suicidado”; o corpo desaparece, o de bin Laden sepultado no mar, os restos de al Baghdadi desintegrados pelo seu cinturão explosivo são também estão espalhados no mar.

Mesmo produtor do filme: a Comunidade de Informações, composta por 17 organizações federais. Para além da CIA (Agência Central de Informações), está o DIA (Agência de Informações de Defesa), mas cada sector das forças armadas, tal como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Interna, tem seu próprio serviço. secreto.

Para as acções militares, a Comunidade de Informações utilisa o Comando das Forças Especiais, instalado em pelo menos 75 países, cuja missão oficial inclui, além da “acção directa para eliminar ou capturar inimigos”, a “guerra não convencional conduzida por forças externas, treinadas e organizadas pelo Comando”.

É exactamente o que acontece na Síria em 2011, o mesmo ano em que a guerra da UE/NATO destruiu a Líbia. Demonstram-no provas documentadas, já publicada por Il Manifesto. Por exemplo: em Março de 2013, o New York Times publica uma investigação detalhada sobre a rede da CIA através da qual chegam à Turquia e à Jordânia, com financiamento da Arábia Saudita e de outras monarquias do Golfo, rios de armas para militantes islâmicos treinados pelo Comando das Forças Especiais dos EUA antes de serem infiltrados na Síria.

Em Maio de 2013, um mês após ter fundado o Isis (Daesh), al Baghdadi encontra-se na Síria com uma delegação do Senado dos Estados Unidos encabeçada por John McCain, como um documento fotográfico revela.

Em Maio de 2015, é divulgado pela Judicial Watch um documento do Pentágono, datado de 12 de Agosto de 2012, no qual se afirma que existe “a possibilidade de estabelecer um principado salafita no leste da Síria, e [que] é exactamente isso que querem os países ocidentais, os estados do Golfo e a Turquia que apoiam a oposição “.

Em Julho de 2016, é revelado pelo Wikileaks um e-mail de 2012 no qual a secretária de Estado Hillary Clinton escreve que, dada a relação Irão-Síria, “o derrube de Assad constituiria um imenso benefício para Israel, diminuindo seu receio de perder o monopólio nuclear “.
Isso explica por que, embora os EUA e seus aliados tenham lançado em 2014 a campanha militar contra o Daesh, as forças do Daesh possam avançar com longas colunas de veículos armados em espaços abertos sem serem incomodadas.

A intervenção militar russa em 2015, em apoio às forças de Damasco, inverte o destino do conflito. O objectivo estratégico de Moscovo é impedir a destruição do Estado sírio, que provocaria o caos como na Líbia, que os EUA e a NATO aproveitariam para atacar o Irão e cercar a Rússia.

Os Estados Unidos, curto-circuitados, continuam a jogar a carta de fragmentação da Síria, apoiando os independentistas curdos para depois os abandonar para não perderem a Turquia, posto avançado da NATO na região.

Em tal cenário é compreensível porque al Baghdadi, tal como Bin Laden (ex-aliado dos EUA contra a Rússia na guerra do Afeganistão), não podia ser capturado para ser publicamente julgado, mas tinha que desaparecer fisicamente para fazer desaparecer as provas do seu verdadeiro papel na estratégia dos EUA. É por isso que Trump tanto apreciou o filme que acaba bem.

Fonte: https://ilmanifesto.it/il-califfo-film-cia-tra-fiction-e-realta/

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