Um 25 de Abril pré-eleitoral

Os Editores    26.Abr.15    Editores

Os diversos acontecimentos da jornada em que passaram 41 anos sobre o 25 de Abril de 1975 são bem elucidativos da complexidade dos combates que o povo português tem pela frente, e da clareza de ideias com que terá que enfrentar nos próximos tempos doses maciças de mistificação e propaganda, num ano em que tudo será subordinado à manipulação eleitoral.
Foi o lamentável discurso de Cavaco Silva. Procurando garantir para o futuro o mesmo entendimento entre PS, PSD e CDS que tem imposto quase quatro décadas de políticas de direita. Procurando garantir que esse entendimento consagre “as reformas de fundo já introduzidas” (ou seja, a brutal liquidação de direitos dos trabalhadores e do povo), e as “que venham a ser apresentadas” (certamente no mesmo sentido). Fazendo sua a propaganda governamental do “crescimento económico” e da “criação de emprego”. Tendo até a desfaçatez de se pronunciar acerca da corrupção, ele que viu tanta gente próxima de si ser justamente denunciada como corrupta.
Não é o reaccionário palavreado institucional que pode elidir a força de Abril no coração do povo. É essa força que tem levado a que as forças políticas que ao longo destas quatro décadas tudo têm feito para destruir as profundas transformações que a Revolução operou nunca se tenham claramente assumido como inimigas de Abril, que é o que efectivamente são. Força que, este ano, conduziu à caricata situação de o PSD e o CDS terem escolhido este dia – “pelo seu simbolismo”, dizem – para anunciar que concorrem coligados às próximas eleições legislativas. Força que conduziu à caricata situação de, pela primeira vez em 40 anos, um pano da UGT participar no desfile popular, com duas dezenas a segurá-lo.
Força que a muito numerosa participação popular nos desfiles, em particular no de Lisboa, mostrou e confirmou. Os desfiles mostraram e confirmaram a profunda aversão popular a este governo e às figuras mais directamente identificadas com a sua desastrosa política, incluindo Cavaco Silva, e o desejo de os correr de vez. Mas mostraram também (e não foi apenas a presença da UGT a fazê-lo), que não faltará quem pretenda cavalgar a indignação popular e apontar-lhe alternativas ilusórias, que podem assegurar uma mudança de caras, mas que não asseguram a radical viragem política sem a qual os problemas dos trabalhadores, do povo e do país não encontrarão solução.
41 anos passados sobre o 25 de Abril, ele permanece como uma poderosa e mobilizadora vontade colectiva de transformação e progresso, e as ruas mostraram-no novamente. Os combates que se avizinham poderão dar uma justa expressão a essa vontade. Mas vão exigir uma muito firme e esclarecida mobilização de massas.

Os Editores de odiario.info

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