Uma batalha decisiva para a África Austral*

Carlos Lopes Pereira    01.Abr.18    Colaboradores

Celebrou-se a 23 de Março o 30.º aniversário da batalha de Cuito Cuanavale. Com a vitória das forças anti-imperialistas na maior batalha convencional em África desde o final da II Guerra Mundial mudou o curso da história na África Austral. A vitória de Cuito Cuanavale foi um momento de viragem – abriu as portas à paz em Angola, conduziu à independência da Namíbia, perspectivou o desmantelamento do regime do apartheid na África do Sul.

Os angolanos celebraram a 23 de Março o 30.º aniversário da batalha de Cuito Cuanavale que, com a vitória das forças anti-imperialistas, mudou o curso da história na África Austral.

Os combates travaram-se na província de Cuando Cubango, no Sudeste de Angola, de Novembro de 1987 a Março de 1988. De um lado, as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) apoiadas por combatentes cubanos, e do outro, tropas da Unita enquadradas por unidades de elite do exército da África do Sul.

Recorda o Jornal de Angola, em edição recente, que «várias unidades do Batalhão Búfalo e do regimento presidencial sul-africano, auxiliadas por milhares de guerrilheiros da UNITA, mantinham um apertado cerco à vila do Cuito Cuanavale, que pretendiam tomar pela força das armas e, a partir dali, criar um corredor até Luanda para colocar Jonas Savimbi na presidência de Angola».

Foi a maior batalha convencional em África desde o final da II Guerra Mundial. Estiveram envolvidos milhares de soldados, foram utilizados tanques, artilharia pesada, aviação. No final, os invasores sul-africanos e aliados foram travados e derrotados, quebrando-se o mito da invencibilidade dos racistas de Pretória.

Hoje, é consensual que a vitória de Cuito Cuanavale foi um momento de viragem na história da África Austral – abriu as portas à paz em Angola, conduziu à independência da Namíbia, perspectivou o desmantelamento do regime do apartheid na África do Sul.

Isso mesmo foi salientado por vários intervenientes na cerimónia que assinalou, há uma semana, no Cuito Cunavale, o 30.º aniversário da batalha.
A embaixadora da Namíbia, Grace Uushona, lembrou os angolanos, namibianos e cubanos caídos. A sua colega cubana, Esther Armenteros, manifestou a satisfação de Cuba por ter participado dessa epopeia e por poder ajudar Angola também na paz, com médicos e professores. O ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Pedro Sebastião, afirmou que «é bom visitar ou revisitar Cuito Cuanavale com a esperança de que a guerra não volte». O presidente João Lourenço, em comunicado, rendeu homenagem aos combatentes de Cuito Cuanavale e considerou que essa vitória permitiu novos êxitos aos angolanos, «no esforço colectivo de edificar uma sociedade de prosperidade, justiça social e inclusão».

Também o ANC, da África do Sul, se associou às comemorações do 30.º aniversário da vitória na batalha, lembrando as palavras do seu líder Nelson Mandela: «Cuito Cuanavale marcou a viragem na luta para libertar o continente e o nosso país do apartheid. A derrota do exército racista permitiu ao povo da Namíbia finalmente alcançar a sua libertação; a derrota do apartheid serviu de inspiração aos combatentes da África do Sul».

Honrando a memória de todos os que combateram em Cuito Cuanavale, foi construído naquele município um memorial que perpetua a grandeza e o sacrifício dos milhares de patriotas angolanos e internacionalistas cubanos que lutaram contra as hordas do regime do apartheid e infligiram uma pesada derrota ao imperialismo na África Austral.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2313, 29.03.2018

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