Nota dos Editores

Uma enorme jornada de luta para uns, mais um dia para outros

Os Editores    02.May.12    Editores

O 1º de Maio de 2012 foi ao mesmo tempo uma enorme jornada dos trabalhadores portugueses e um dia como os outros para o governo, a comunicação social dominante, para os outros serventuários do grande capital.
Para os trabalhadores portugueses foi uma das maiores mobilizações de massas dos últimos anos. Por todo o país os desfiles, combativos e compactos, reafirmaram nas ruas o que as troikas nacional e estrangeira mais temiam: que a sua política de devastação económica e social, de roubo de direitos e de salários, de desemprego e precariedade, de rendição nacional, em vez de desanimar e desmobilizar os trabalhadores e o povo, traz à luta novas camadas, alarga a resistência, a exigência e a determinação em pôr fim a este rumo de desastre nacional.
Há muito que não se via, como no desfile de Lisboa, uma multidão compacta levar mais de três horas e meia a percorrer a Avenida Almirante Reis. Esta jornada retoma o testemunho das grandes jornadas de luta anteriores, da Greve Geral de Março, do magnífico desfile popular do 25 de Abril, de tantas lutas que, por todo o lado, dão expressão à resistência e à luta dos trabalhadores de todos os sectores de actividade, dos agricultores, das populações, de todas as vítimas de uma “austeridade” implacável e cega que devasta o país. Retoma o testemunho dessas lutas e projecta-as para o futuro.
Receando a dimensão e a clareza da mensagem deste grande 1º de Maio o governo montou o cenário do costume: Passos Coelho e Vítor Gaspar trouxeram o habitual rol de enganos, mentiras e falsas promessas: a situação está mal, reconhecem, mas as suas desastrosas políticas trarão a recuperação futura. Apontam para as calendas a reposição dos subsídios de férias e do 13º mês cujo pagamento está – inconstitucionalmente – suspenso, omitindo que nesse processo irão ser roubados em média 10 mil euros a cada trabalhador e a cada reformado. Passos fala dos problemas do crédito à habitação, como se os trabalhadores não soubessem que são os bancos quem manda nele, e que prometer o contrário é mentir. Enquanto o país se afunda e o desemprego dispara, prometem que a mesma política que hoje afunda o país o tornará próspero no futuro.
A comunicação social dá um desmesurado destaque às ridículas “ameaças” e proclamações da UGT, enche os seus espaços com os comentadores do costume que reproduzem, como realejos, o mesmo discurso de sempre. Odeiam, temem e gostariam de eliminar o mundo real.
Mas o mundo real é o dos trabalhadores e do povo nas ruas, declarando com todo o vigor que já basta desta cínica política de mentira, roubo, destruição e desastre.
E a força deste mundo real acabará por reduzir a cacos o medíocre universo de mentira que julga que o 1º de Maio é um dia como os outros.

Os Editores de odiario.info

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