Uma nota de urgência para testemunhar a solidariedade incondicional com a Venezuela Bolivariana
Amuay: o dia em que o valente povo voltou a vencer os pregoeiros da morte

Carlos Aznárez*    18.Oct.12    Outros autores

Carlos AznárezEste texto refere-se aos trágicos acontecimentos na refinaria de Amuay na, pouco antes das eleições que se traduziram em tão vitória do processo bolivariano. Mas não perdeu oportunidade. Pelo contrário, acrescenta mais elementos – políticos, mas também éticos - para a compreensão do profundo enraizamento desse processo no povo venezuelano.

Amuay inscreveu-se como um dos nomes da dor na América Latina e no Caribe. Não é a primeira vez que se produz uma fuga de gás e a consequente cadeia de tanques incendiados numa refinaria, nem será a última, por mais medidas de segurança que possam ser tomadas. O que chama realmente a atenção é que estes factos sucedem num momento muito especial da Venezuela Bolivariana, quando o processo que Hugo Chávez lidera está a poucos dias de afrontar uma nova e estratégica consulta eleitoral, e o desespero da oposição, produto das sondagens que lhes são desfavoráveis, coloca os seus integrantes em cenários ultra agressivos.

Evidentemente que é suspeito este sangrento sinistro que afectou a população de Falcón e a Venezuela no seu conjunto, regando de mortos e feridos - a maioria dos quais pertencentes a sectores humildes - um território que se esforça dia a dia para progredir apesar dos constantes entraves colocados pelos inimigos da Revolução. Chamam poderosamente a atenção as reacções da oposição mediática, gerando dúvidas, multiplicando “informações críticas”, mais preocupados em investir contra o Presidente Chávez do que em atender à dor dos afectados pela explosão. Sucedem-se os chavões desqualificadores repetidos até ao cansaço pelas suas fontes habituais: Globovisión e a rede de rádios e periódicos que se nutrem do envenenado discurso da direita. O mesmo fel que destilam os seus pares internacionais da CNN o da cadeia espanhola Prisa.
Do mesmo modo puderam ouvir-se os porta-vozes do candidato Capriles Radonski falar de presumidas “irregularidades” a nível de segurança, procurando denegrir a actual direcção da PDVSA, ou divagando sobre disparates. Como esse de que “desde há vários meses se verificava forte cheiro a gás na zona”, algo que é mais do que comum na vizinhança de qualquer refinaria do planeta. Continuam inclusivamente a insistir em que explodiram esferas de gás, quando as imagens que dão a volta ao mundo mostram - apesar da campanha de desinformação - que estas se encontram intactas.
Não obstante, a dúvida e a mentira já foram lançadas, e sabe-se que o seu objetivo último é gerar desorientação, terror, medo. É isso precisamente o que procuram os inimigos da Revolução, que por outro lado são os mesmos que em 2002, quando do frustrado golpe contra Chávez, sabotaram e paralisaram a refinaria de Amuay.

Entretanto, o facto mais saliente - pela positiva - e que fala de que género de madeira está construída a sociedade venezuelana, é como em poucas horas se construiu uma gigantesca cadeia de solidariedades. Sobressai o exemplo dos bombeiros, não apenas dos mais próximos, mas daqueles que vieram de outros Estados, instalando-se no terreno dia e noite, de mangueira empunhada, e fazendo apelo a produtos de última geração para fazer retroceder as chamas e também para “arrefecer” os tanques, evitando assim males maiores. Junto a eles, os trabalhadores petroleiros, os mesmos que em 2002 resgataram a refinaria do ataque golpista. Hoje estuvieron na primeira linha, tirando horas ao descanso, arriscando inclusivamente as suas vidas nas operações de resgate.

E que dizer do povo de Falcón e arredores, superando o impacto da morte e saindo a enfrentar a tragedia como costumam fazer aqueles que não especulam, e estão disponíveis para ajudar os seus semelhantes na desgraça.

Há algo mais a destacar, e que não é muito comum quando sucedem catástrofes como a de Amuay. Trata-se do papel que desempenha nesta ocasião o governo revolucionário, o Estado no seu conjunto, acudindo de imediato, com todos os seus recursos. Desde o ministro Rafael Ramírez, que mal tomou conhecimento da gravidade da situação, decidiu instalar-se no epicentro da explosão e dirigir pessoalmente todas as operações de resgate, até o próprio presidente Chávez, que fiel ao seu estilo de quebrar protocolos quando se trata de agradecer a lealdade do seu povo, acudiu à zona a trazendo as suas palavras de afecto para com os que estavam sofrendo.

Não é comum ver um presidente e os seus ministros presentes nas ocasiões de aperto. Menos ainda, se se dispõem a gerar um espaço de sentido comum e de esperança nas piores circunstâncias. Como é habitual, Chávez no se ficou pelas promessas, mas fez o anúncio de acções muito concretas. Entre elas, o fundo de emergência de cem milhões de bolívares para atender às necessidades das pessoas afectadas pelo sinistro, e que implicam pensão vitalícia para os familiares das vítimas. Ou a decisão de construir 2.000 habitações para aqueles que tenham ficado sem casa.
No meio de toda esta acção de apoio, o presidente Chávez falou cara a cara com o seu povo, convocando-o a organizar uma rede de colaboração que possa servir para apoiar os que mais sofrem. Dirigiu-se também às mulheres e crianças que precisavam de consolo perante perdas irreparáveis, e deixou-lhes uma mensagem de encorajamento, para que possam lutar contra o desânimo e a quebra de auto-estima.

Face a esta reacção do governo venezuelano, presente no lugar e na hora certos, basta recordar, por comparação, o que sucedeu em outros países quando, em circunstâncias parecidas, governantes indolentes viram as costas aos seus povos ou são cúmplices do drama produzido. Aí está o exemplo argentino da explosão da fábrica de armas na localidade cordovesa de Río Tercero, em 1995, em pleno governo do neoliberal Carlos Menem. Não só houve mortos como foram destruídas 4.000 habitações, em resultado de um autoatentado planificado a partir do próprio governo para ocultar uma negociata de venda de armas à Croácia. Nessa ocasión, os familiares dos falecidos não tiveram qualquer compensação e, naturalmente, aqueles que perderam as suas casas, tuvieron que recorrer ao esforço pessoal para reconstruir o seu futuro. O Estado, como costuma suceder com grande frequência, esteve ausente.

É essa e não outra a grande diferença entre aqueles que sendo políticos se mantêm indiferentes ou apostam na hipocrisia quando se produzem situações como a de Amuay, e o comportamento que desde 1999 assume o presidente venezuelano, empenhando-se ombro com ombro e demostrando assim que a vida pode continuar vencendo a morte. Incluindo nas piores e mais tristes circunstâncias.

*Director de Resumen Latinoamericano

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