Uma semana de opiniões

Filipe Diniz    18.Ago.17    Colaboradores

Numa era em que o parajornalismo (ver o diário.info de 14 de agosto passado) se acotovela com o paramilitarismo para ver qual destas especialidades de terrorismo ganha mais indulgências do capital monopolista, e em que se tornou norma «…os factos objetivos te(m)rem menos influência na formação de opinião publica do que os apelos emocionais…» (da definição de pós-verdade segundo o dicionário de Oxford introdução em 2016), quem se pode espantar que o Le Monde em França ou o Público e o Diário de Notícias em Portugal, tenham tiragens idênticas às da imprensa clandestina nos seus países há 70 ou 80 anos?
Talvez tenham mais do que merecem…

Entre os dias 5 e 11 deste mês 17 comentadores (mais dois colocados no «correio dos leitores») insultaram o PCP a pretexto da situação na Venezuela em diversos jornais de circulação nacional. Três outros opinaram de forma séria sobre um quadro que apenas débeis mentais conseguem ver a preto e branco. Foi publicado um equilibrado comentário considerando não existirem «razões legais ou morais» para a posição assumida pelo Governo português de não reconhecer a Assembleia Nacional Constituinte. Foram publicadas notícias que tomam como boa qualquer fonte, desde que esta não seja o governo venezuelano. O PCP foi ainda brindado com vários «baixos» nas rubricas respectivas. É claro que se se referissem os canais de televisão a coisa teria uma expressão incomparavelmente superior.

Nenhum desses 17 comentadores leu, pelos vistos, as duas notas do gabinete de imprensa do PCP. Nem precisariam: o seu anticomunismo (e a sua desonestidade intelectual) guia-os sem falhas. E une gente que sinceramente se situa à direita mais ou menos extrema a outros que fingem assumir-se como «de esquerda».

O que os identifica é também a reprodução afinada do discurso que a central imperialista global difunde, segura de não ser escrutinada. Veja-se edições do Le Monde em dias quase sucessivos. Em 6/08 fala em 4.500 presos e 54 mortos. Em 8/08 o número de presos sobe para 5.051, o de mortos para 63. Em 10/08 passa para 120 mortos. Em todos os casos de morte (com uma discreta ressalva a 6/08) é implícito que a responsabilidade é do governo. A documentada violência desencadeada pelos bandos «opositores» é inteiramente omitida. E esse curto período culmina em 11/08, a propósito de divergências entre dirigentes da oposição (MUD), com a seguinte pérola: «são numerosos os opositores de base que sonham ver, “finalmente”, o desembarque de soldados americanos».

A «ditadura chavista» reprime indecentemente esse «sonho democrático».

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