Uribe rompe contactos com as FARC

ANNCOL *    28.Oct.06    Colaboradores

O Presidente Álvaro Uribe invocou como pretexto um atentado terrorista, em Bogotá, para romper os contactos com as FARC cujo objectivo era o intercâmbio humanitário de prisioneiros. Tudo indica que estamos perante uma provocação montada pelo próprio governo colombiano.

Manobra provocatória na Colômbia para impedir intercâmbio de prisioneiros

O narco-presidente Álvaro Uribe Velez anunciou a suspensão da autorização ao “baixo” comissário para a paz, Dr. Luís Carlos Retrepo, para explorar um acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP) e fecha a porta à possibilidade a uma Troca ou Intercâmbio de prisioneiros de guerra.

O atentado ocorrido ontem [22 de Outubro] de madrugada foi a desculpa, agora esgrimida por Uribe. Durante o seu primeiro mandato eleitoral, esgrimiu toda a espécie de desculpas para não avançar com o Intercâmbio. Já se esperava esta posição. Tantas exigências, levantadas a conta-gotas, eram a prova palpável da decisão da “administração” Uribe de não querer o Intercâmbio e por trás estão, sem dúvida, os Estados Unidos da América (EUA).

Ordens e montagens a partir da Embaixada dos Estados Unidos em Bogotá

O terreno tinha sido preparado pelo embaixador estadunidense em Bogotá, mr. Woods, com as suas declarações de que a sua embaixada possuía a informação de supostos atentados a terem lugar no norte de Bogotá. Este atentado na Escola Superior de Guerra, com toda a segurança que há nela, com o tipo de explosivo utilizado e a forma como foi perpetrado, faz-nos olhar para outro lado que não a insurreição armada, as FARC.

Pensamos nos agentes da CIA e da DEA que por ordem do seu patrão, mr Bush, têm capacidade tecnológica e logística para avançar para este atentado. Não esqueçamos que o mesmo tipo de atentados acontecem todos os dias no Iraque, na Índia, no Afeganistão e na Venezuela, um dos quais, o que acabou com a vida do Procurador Danilo Anderson, teve a colaboração Jorge Noguera Cote, então director da DAS, dependência sob as ordens directas do presidente Álvaro Uribe Velez. Como disse um célebre chanceler mexicano: “todo o mal que sucede na América Latina é culpa da CIA, até que se demonstre o contrário”.

Não é estranho este procedimento de Álvaro Uribe. Vários governos oligárquicos manusearam os desejos de Paz dos colombianos em seu proveito. Durante a administração de César Gavillia Trujillo, os diálogos de Tlaxcala (anos 90), foram rompidos sob o pretexto da morte por enfarte de Angelino Durán Quintero, que estava em poder do EPL.

Sempre que há uma possibilidade de assinar um acordo para começar a dialogar sobre pontos que ataquem as causas do conflito armado, político e económico-social, a oligarquia fecha a porta e cerra essa possibilidade. Uribe não foi excepção e só começa a falar de “paz” e “diálogo” obrigado pela circunstância de não poder vencer, nem política nem militarmente, as FARP-EP, apesar dos 17,5 milhões de dólares gastos diariamente com a Plano Patriótico na Guerra, enquanto o povo morre de fome (3 crianças por dia de desnutrição, tantos “passeios de morte”, quantos hospitais públicos fecharam?, 33 milhões de pobres e indigentes, mais de 6 milhões de desempregados).

A insurreição, pela sua parte, persiste, desfraldando a bandeira da Paz e de uma mudança nas estruturas e superstruturas, apesar da oligarquia e o império assacarem à insurreição os piores crimes. Quando a senhora Ana Elvia Cortés foi assassinada com o colar-bomba, logo culparam as FARC. E qual foi a desculpa de Andrés Pastrana para romper os diálogos de Cáguan em 2001? Que as FARC delinquíam a partir dali. No entanto, hoje – alguns anos passados – reconhece que na zona de distensão de Calguán não se cometeu nenhum crime, enquanto os chefes narco-paramilitares ordenaram desde os Ralitos de Uribe – por instruções recebidas da cúpula militar – o assassinato de 3.800 civis desarmados que não participavam no conflito nem estavam em combate – uma parte das 11.000 vítimas desaparecidas, assassinadas selectivamente extra judicialmente, e massacres, durante os 4 anos do primeiro mandato de Uribe.

Uma lápide na cabeça dos prisioneiros

Se algum dos prisioneiros de guerra morre – na selva ou nos cárceres – é um crime imputável a Uribe & Cia narco-paramilitar.

De acordo com Yolanda Pulecio, mãe de Ingrid Betancur que está há 1.700 dias em poder das FARC, o narco-presidente Uribe Velez condenou à morte os prisioneiros em poder das FARC. É necessário sublinhar que alguns dos prisioneiros cumpriram 7 anos em poder desta organização insurreccional, o que demonstra, cabalmente, a sua capacidade militar.

Ao ordenar o seu resgate por via militar – que já demonstrou sobejamente o seu fracasso durante os 4 anos anteriores – Uribe Velez coloca uma lápide na cabeça dos prisioneiros de ambas as partes, e o destino destes será, de agora em diante, responsabilidade do presidente da Colômbia que terá de responder por não ter cumprido a sua obrigação constitucional de “preservar a Vida de todos os colombianos”. Além disso, a guerra não se ganha com epítetos nem bravatas.

A falta vontade política da tradicional oligarquia-mafiosa e do império prevalece sobre o sentimento dos colombianos de Paz. A guerra que Uribe conduz, por mandato dos Estados Unidos, só serve para derramar sangue inocente e para o saque dos nossos recursos naturais pelo império.

Até quando? Será necessário que os insurrectos convertam em alvos todas as personalidades do estado e as suas famílias, para que a oligarquia entre seriamente num processo de diálogos para a Paz? Porque, é preciso recordar, a oligarquia mandou as forças militares narco-paramilitares sequestrar familiares (irmãos, esposas) dos comandantes das FARC, e o assassinato de muitos destes familiares, inclusive de familiares de membros do Secretariado Nacional das FARC-EP. Será necessário que a oligarquia chegue ao ponto de só querer negociar quanto sintam que já perderam o poder?

Parece que enevoou a perspectiva dos prisioneiros de guerra e da Paz na Colômbia. A ANNCOL continuará a denunciar as atrocidades e a profunda corrupção do regime oligárquico e mafioso que impera na Colômbia – como o manhoso Ministro da Guerra, Juan Manuel Santos e a sua CIA narco-paramilitar – e, logicamente, continuaremos a colocar o nosso grão de areia para a Paz na Colômbia.

A Paz não pode ser cimentada sobre o sangue das vítimas inocentes do Terrorismo de Estado.

O original encontra-se no Resumen Latinoamericano nº 818 de 23 de Outubro.

* Agência noticiosa da Colômbia.

Tradução de José Paulo Gascão

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