Violando as “normas” dos EUA, a China ajuda na luta global contra a fome, as doenças

Sara Flounders    17.May.21    Outros autores

Os serviços de informações dos EUA declaram a China como a maior ameaça para os EUA em 2021. É sabido que esses serviços da potência que constitui – ela sim – a maior ameaça para o mundo inteiro servem fundamentalmente para justificar o cada vez mais colossal financiamento do complexo militar-industrial, incluindo a sua tentacular rede mediática. Acontece que os problemas internos dos EUA, desde os económicos e sociais ao da sua rede de infraestruturas à beira do colapso não resultam de qualquer ameaça chinesa. Resultam de um sistema esgotado, incapaz de dar resposta a qualquer genuíno problema humano.

Um documento divulgado pela Directora dos Serviços de Informação Nacionais Avril Haines em 9 de Abril, “Avaliação Anual de Ameaças de 2021 da Comunidade de Informações dos EUA” (“2021 Annual Threat Assessment of the U.S. Intelligence Community”), rotula a China como a maior ameaça para os Estados Unidos.

Afirma que a ameaça da China é tão séria que um nível cada vez maior de operações de inteligência dos EUA, ataques cibernéticos e investimento em tecnologia militar devem ser organizados para a combater. Democratas e republicanos associam-se no Congresso no pressionar de legislação anti-China que exige financiamento multibilionário.
Uma linha dura em relação à China é um dos poucos esforços verdadeiramente bipartidários que ocupam o dividido Congresso dos EUA.

Isto inclui um grande aumento no financiamento de jornalistas reaccionários, organizações de “direitos humanos” e plataformas de media social, incluindo “media alternativos”, que darão seguimento à linha alarmista anti-China.

Em resposta, o movimento político progressista nos EUA deve preparar-se para responder a uma bem financiada onda de ataques anti-China nos media e por parte do establishment político. Esta nuvem tóxica irá saturar todos os movimentos sociais e políticos. Passo a passo, uma resposta deve ser preparada para desafiar esta política criminal em todas as frentes possíveis.

Que crime cometeu a China para se tornar alvo de cerco militar dos EUA, de sanções severas que aumentam a cada dia, de uma onerosa guerra comercial e do cancelamento de intercâmbios culturais e vistos para dezenas de milhares de estudantes chineses?

Existe uma base para as acusações de proeminentes organizações de “direitos humanos” e intermináveis condenações ​​por parte dos media hostis? O que está por trás do aumento da vigilância sobre todos os chineses nos EUA e da escalada da violência anti-asiática?

Haines disse aos membros do Congresso: “A China é cada vez mais um concorrente próximo, desafiando os EUA em várias áreas - especialmente economicamente, militarmente e tecnologicamente - e está a pressionar a mudança de normas globais”.

Que normas globais está a China a desafiar?

A maior norma global é a pobreza. Cerca de 7 milhões de pessoas morrem de fome cada ano; 1 milhar de milhões sobrevive com menos de US $ 1 por dia.

O capitalismo é incapaz de acabar com a pobreza ou a fome nos EUA - e certamente não o é globalmente. A “Avaliação de Ameaças” antecipa um aumento da fome e pobreza agudas, devido às disrupções económicas da pandemia global e catástrofes da alteração climática. Prevê que “a fome aguda aumentará de 135 milhões para 330 milhões de pessoas este ano”.

Nenhum reconhecimento é dado neste relatório às conquistas históricas da China de erradicar a pobreza extrema, o analfabetismo e a falta de água potável, enquanto fornece acesso a cuidados básicos de saúde para 800 milhões de seus 1,4 milhares de milhões de habitantes.

O Relatório de Informações condena até a China por “usar seu sucesso no combate à pandemia de coronavírus para promover a ’superioridade’ de seu sistema”.

Vacinas confirmam um sistema superior

A China produziu milhões de doses da vacina COVID-19, partilhando-as com cerca de 80 países. Os EUA estão em segundo lugar na produção de vacinas, mas exportaram muito poucas doses. (Global Times, 9 de Maio)

A Organização Mundial de Saúde deu finalmente aprovação à vacina chinesa Sinopharm em 7 de Maio. Os resultados para o Sinovac, outro fabricante chinês, serão anunciados pela OMS na próxima semana. Anteriormente, apenas vacinas produzidas no Ocidente pela Pfizer, AstraZeneca, Johnson & Johnson e Moderna haviam recebido a aprovação da OMS.
Isto vai acelerar o abastecimento global, já que a capacidade de produção anual geral da China se aproxima de 5 milhares de milhões de doses. Os fáceis requisitos de armazenamento para a vacina Sinopharm tornam-na altamente adequada para ambientes com poucos recursos, disse a OMS em 7 de Maio.

A China tem extensos planos para ajudar as regiões com infraestrutura não desenvolvida com remessa de vacinas, veículos de cadeia de frio e treino em vacinação para profissionais de saúde. A capacidade técnica e a vontade da China de partilhar com o mundo milhares de milhões de vacinas que salvam vidas ameaçam profundamente a classe dominante dos EUA, porque confirmam a superioridade de seu sistema.

Xinjiang e Belt & Road

Ainda mais ameaçador para a “norma global” imposta pelos EUA é o amplo programa de desenvolvimento de infraestrutura da China chamado Belt and Road Initiative. Essa iniciativa de vários milhões de milhões de dólares expandiu-se para programas em 138 países. Os EUA não mostram qualquer capacidade ou vontade de fornecer tais programas desesperadamente necessários.

Em vez disso, faz todo o possível para sabotar estes programas, financiando exércitos mercenários e dissensões internas reaccionárias.

Xinjiang é uma região menos desenvolvida no extremo oeste da China. As alegações dos EUA acerca da existência de violações massivas dos direitos humanos contra os uigures, uma minoria étnica e religiosa, expõem essa estratégia. Xinjiang é um importante centro de logística para a ambiciosa Belt and Road Initiative da China e a porta de entrada para a Ásia Central e Ocidental, bem como para os mercados europeus.

As alegações de que a China é culpada de genocídio no Xinjiang vêm da Rede de Defensores dos Direitos Humanos da China, com sede e financiamento de Washington. O Congresso Mundial Uyghur, outra fonte de relatórios sensacionalistas, é financiado pelos EUA.

Alegações sensacionalistas de querer proteger um grupo muçulmano no Xinjiang não podem lavar 40 anos de guerras dos EUA em países principalmente muçulmanos, incluindo Afeganistão, Iraque, Irão, Líbia, Síria, Sudão e Iémen. Nem irão dissolver anos de ataques contra muçulmanos nos EUA, incluindo rendições secretas, sequestros e centenas de acusações com base forjada.

Cerca de 54 países na Ásia, África e América Latina apoiam a China contra essas alegações, incluindo mais de uma dúzia de membros da Organização dos Estados Islâmicos. A apoiar as acusações dos EUA estão países não muçulmanos na Europa, além de Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia. No entanto, os EUA impuseram sanções à China.

Infinito financiamento para a guerra

O “Endless Frontiers Act” é um projecto de lei para gastar US $ 112 milhares de milhões em cinco anos no combate à China. Combinadas com isso estão 230 emendas, dado que várias corporações fazem lobby por uma fatia do bolo.

Outro mega projecto de lei face ao Congresso é a “Lei de Concorrência Estratégica de 2021”. O seu objectivo é restringir o desenvolvimento tecnológico da China com a finalidade explícita de o desacelerar ou de o sabotar completamente.

As contra-medidas contra a China incluem US $ 300 milhões por ano durante quatro anos (US $ 1,2 milhar de milhões), chamado ‘‘ Fundo de Combate à Influência Chinesa ”. Fornece fundos para acusar a China de “trabalho forçado” na sua Região Autônoma Uigur de Xinjiang, de suprimir direitos humanos, de “concorrência desleal” e de “roubo intelectual”.
O financiamento do Congresso para operações mercenárias inclui US $ 655 milhões em Financiamento Militar Estrangeiro na região Indo-Pacífico e US $ 75 milhões para uma ‘‘ Rede de Assistência e Transação de Infraestrutura ’’ no Indo-Pacífico para gerar críticas à Iniciativa Belt and Road da China.

Cerca de US $ 450 milhões para a Iniciativa de Segurança Marítima Indo-Pacífico garantiria que grupos de combate com porta-aviões dos EUA possam operar livremente na região.
Os programas Competição Estratégica e Fronteira Sem Fim são parte de um esforço acelerado prometido pelo presidente Joe Biden. Ambos os projectos são acompanhados por uma câmara de ressonância de acusações infundadas contra a China.

Colapso da infraestrutura nos EUA

O Relatório de Inteligência adverte que “no mínimo”, a China pode “causar disrupções localizadas, temporárias, na infraestrutura crítica nos Estados Unidos”.

Disrupções de infraestrutura crítica são um facto da vida nos EUA, sem qualquer interferência chinesa. Incêndios florestais na Califórnia em 2020, causados ​​pela falta de manutenção das concessionárias de energia elétrica, incendiaram 40 milhões de acres. Em 2018, incêndios florestais custaram US $ 148 milhares de milhões em perdas e milhões de residentes ficaram com contas médicas exorbitantes e ar, solo e cursos de água poluídos.

A vaga de frio e a quebra no fornecimento de energia eléctrica no Texas, após anos de maximização dos lucros de empresas de electricidade privatizadas que repetidamente ignoraram os avisos para proteger a rede elétrica, significou uma perda de US $ 200 milhares de milhões e deixou milhões sem energia, calor ou água. Todos os 254 condados foram afectados pela falha de energia.

Canos de água contaminados com chumbo que envenenaram crianças em Flint, Michigan e Newark N.J., não foram causados ​​pela China. Nem a incapacidade de fornecer evacuação segura em furacões, desde Porto Rico à Carolina do Norte.

Um sistema obsoleto

O capitalismo está a demonstrar ao mundo que é incapaz de resolver os problemas da sociedade moderna.

A China, pela sua própria existência, está a violar as “normas globais” da ordem mundial do imperialismo. A hostilidade dos EUA em relação à China começou com a sua revolução de 1949. Mas agora, a China cresceu até tornar-se quase igual aos EUA em capacidade produtiva e tecnologia e está rapidamente a superá-los em infraestrutura.

Por outras palavras, a China é culpada de resolver problemas que não podem ser resolvidos por um sistema baseado na competição implacável e na expropriação privada de recursos, indústria e trabalho. Isto é um grande desafio para a “norma global”.

Fonte: https://www.workers.org/2021/05/56379/

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