XX Congresso do Partido Comunista Alemão

Günter Pohl*    20.Abr.13    Outros autores

No XX Congresso do Partido Comunista Alemão (DKP) verificou-se uma viragem em relação à linha de orientação anteriormente seguida. É importante a informação acerca deste processo, e o acompanhamento da sua evolução futura.

Nos dias 2 e 3 de Março, ocorreu o 20° Congresso do Partido Comunista Alemão (PCA, DKP na sua sigla alemã) na cidade de Mörfelden, próximo de Frankfurt. Importantes resultados foram alcançados. Pela grande quantidade de emendas ao documento principal, “Respostas do PCA frente à crise”, o congresso não pode discutir todas as moções. Portanto, será realizado um encontro adicional, provavelmente em fins de Maio.

O novo presidente do PCA é Patrik Köbele, até então um dos três vice-presidentes, que disputou os votos com Bettina Jürgensen. Obteve 91 votos, enquanto ela teve 60 votos. Foi a primeira vez que um congresso do PCA decidiu sobre sua liderança com candidaturas opostas. O claro resultado parece colocar fim a uma longa disputa sobre distintos pontos entre as e os comunistas alemães. Os novos vice-presidentes são Wera Richter e Hans-Peter Brenner, e foi ratificada no cargo a companheira Nina Hager.

Com isto, o PCA volta às posições concretas do internacionalismo proletário e do marxismo-leninismo. A corrente que agora perdeu a maioria no Comité Central de certa forma já tinha perdido a liderança política no XIX Congresso, em Outubro de 2010, quando os delegados rejeitaram as chamadas «teses do secretariado», que optavam por um partido sem leninismo e por uma orientação aos «movimentos» ao invés de guiar-se pelos interesses da classe trabalhadora. Porém, tal corrente, agora consideravelmente reduzida, tinha permanecido no comando do PCA, preservando uma leve maioria no Comité Central que não representou a vontade das bases do PCA.

A nova direcção do PCA, em transição, pretende concentrar seu trabalho na classe operária, sem deixar de lado uma política de alianças razoável. Terminaria assim o dogmatismo de um movimentismo que ia levar o Partido Comunista Alemão a um beco sem saída: cada vez mais próximo de posições reformistas e, desta maneira, mais próximo do Partido «Die Linke», que é hoje em dia um mero partido eleiçoeiro. O PCA jogaria fora sua existência. Sem negar as alianças com o «Die Linke», onde sejam importantes e com interesse de classe, como em temas da defesa de direitos sociais ou da paz, o PCA volta a lutar, de agora em diante, por uma identidade comunista. Para isto, quer «voltar às ruas», como disse Patrik Köbele em suas palavras de saudação ao terminar o congresso. O PCA quer ser mais combativo e ganhar, a médio prazo, um vanguardismo que perdeu há tempo e que uma parte do partido já nem queria recuperar, por estar «fora de moda».

O tema das alianças dentro do país, também tem a ver com o papel das alianças internacionais. Para a nova direcção do PCA, os partidos comunistas e partidos revolucionários têm preferência, ainda que não sejam deixados de lado os contactos com partidos socialistas ou de esquerda. A nível europeu, a participação do PCA no Partido da Esquerda Europeia é um dos pontos de debate que se discutirá no mencionado encontro adicional do XX Congresso. É provável que o PCA mantenha sua posição de observador no PEE, mas que se abstenha de actuar em sua presidência.

Outro desencontro entre os comunistas alemães foi a caracterização do imperialismo. Segundo uns, já não existe um imperialismo alemão com fins próprios, mas um da União Europeia, às vezes de maneira colectiva junto ao imperialismo estadunidense. Os que são maioria no PCA vêem uma diferença entre exploradores e explorados dentro da UE, entre as metrópoles e a periferia da União. O XX Congresso caracterizou o papel do imperialismo alemão no sentido de que a Alemanha não só é vanguarda da política reaccionária (na UE), como se aproveita da crise económica, deixando entrever que, inclusive, intensifique-a com tal finalidade.

O novo Comité Central é mais jovem e quer ser mais combativo. A respeito do sindicalismo alemão, o PCA continua optando pelo sindicato único, porém quer colocar mais ênfase no apoio às tendências combativas e de classe dentro dos oito sindicatos da DGB (Central Sindical Alemã). Na Europa, ultimamente, dentro da crise mais que antes, chamou a atenção que sindicatos como o IGM alemão (metalúrgico) não se solidarizaram com as greves nos países do sul da Europa, apoiando o encerramento de fábricas no local, mas evitando o encerramento de fábricas na Alemanha.

A primeira reunião do Comité Central, ocorrida nos dias 23 e 24 de Março, elegeu os oito membros do secretariado, responsáveis por políticas de aliança, organização, pelo periódico “UZ” do PCA, pela educação marxista, política em empresas e sindicatos, pelas relações internacionais, pelas relações públicas e pelas finanças.

* Secretário de Relações Internacionais do PC Alemão

Este texto foi originalmente publicado em http://pcb.org.br/portal/

Tradução do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

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