Miséria Moral e Ética

Filipe Diniz    30.Ene.11    Colaboradores

Chegou ao fim a Comissão Turkel, nomeada pelo governo israelense para analisar o ataque terrorista contra a Flotilha da Solidariedade.
O relatório é uma farsa, como denuncia Filipe Diniz.

A «comissão de inquérito» (comissão Turkel) nomeada pelo governo de Israel para analisar o ataque pirata – desencadeado em Maio passado por esse mesmo governo de Israel – contra a flotilha de solidariedade com o povo de Gaza fez entrega do seu relatório. As conclusões são as esperadas. Repetem o que a contra-informação sionista e os grandes média internacionais repetiram desde o início: legitimam a agressão, fazem de vítima o agressor e de agressores os militantes humanitários embarcados na flotilha.

Esta «comissão» constitui uma farsa desde o início. Tendo o governo sionista recusado uma comissão internacional de inquérito, e para fingir que não se tratava de uma operação de branqueamento meramente interna, integrou duas individualidades exteriores: David Trimble, da Irlanda do Norte, e Ken Watkin, do Canadá. Não se podendo dizer que agiram como simples cúmplices nesta operação, não pode ignorar-se que se prestaram a um papel vergonhoso. Aceitaram integrar a comissão sem direito a voto em relação às conclusões finais.

Conclui o relatório que as tropas de elite sionistas agiram em legítima defesa e no quadro da legalidade internacional. Entre as 300 páginas do relatório não devem constar os resultados das autópsias: todas as nove vítimas mortais foram atingidas por balas de 9 mm na parte superior do corpo. Várias foram atingidas com 4, 5 e até seis tiros. Algumas foram mortas com tiros na cabeça disparados à queima-roupa ou a curta distância. Tratou-se de um assassínio em massa, deliberado e executado com precisão profissional.

Este relatório é bem revelador da miséria moral e ética a que chegou o poder sionista. Quando o terrorismo, o racismo e a violência fascista se tornam políticas de Estado, todos os valores humanos, democráticos e éticos são arrasados.

Tiveram pouca sorte os criminosos nazi-fascistas em serem julgados pelo Tribunal de Nuremberga. Tivessem eles sido julgados por uma comissão de inquérito como esta e não apenas teria sido aceite o argumento invocado por tantos desses criminosos de que «apenas cumpriam ordens». Provavelmente teria também sido concluído que agiam em legítima defesa e no respeito pela lei.

Este texto foi publicado no Avante nº 1.939 de 27 de Janeiro de 2011.

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