Autor: “António Santos ”

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O que nos dizem as tarifas de Trump

António Santos    03.Mar.26    Outros autores

O Supremo Tribunal dos EUA decidiu que as principais tarifas decretadas unilateralmente por Trump são ilegais. O Supremo não teria travado a guerra económica de Trump se ela estivesse a dar os frutos prometidos. Mas ao fazê-lo reconhece implicitamente que as tarifas falharam, e fê-lo sob a pressão de amplas facções do capital que não estão a lucrar. O que ajuda a entender a fuga para a frente da administração Trump: se já perdia aceleradamente na base de apoio que a elegeu, perde igualmente perante o grande capital que nela depositava esperanças. As tarifas vieram expôr as fragilidades de um império cada vez mais volátil, arbitrário e inconsequente. É possível que a guerra não faça senão aumentá-las.

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Minneapolis, montra de um império doente

António Santos    23.Ene.26    Outros autores

O que se passa no Minnesota não é a excepção, é a regra: de costa a costa, multiplicam-se os ataques contra trabalhadores, imigrantes, mulheres e minorias. Em dois anos, mais de 23 mil livros foram proibidos nas escolas públicas; milhares de contratos colectivos de trabalho foram destruídos; 5% das maternidades fecharam; 700 mil imigrantes foram detidos; o preço dos cuidados de saúde aumentou 8% e o das casas 5%, muito acima dos salários, que, considerando a inflação, subiram menos de 1%.

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2025: balanço de um ano de regime Trump

António Santos    07.Ene.26    Outros autores

Trump iniciou 2026 com uma operação de mafiosa pirataria. Sendo quem é, espera que ela possa enriquecer ainda mais os grandes capitalistas EUA, entre os quais se conta. É em seu nome que actua. Nenhum outro interesse - antes de mais o dos trabalhadores e dos pobres do seu país – o move. O balanço do primeiro ano do seu segundo mandato mostra-o. E mostra as razões porque a sua base de apoio poderá estar em acelerada erosão. Para a classe trabalhadora e as camadas populares EUA não há nenhuma “América Grandiosa”. E as suas criminosas aventuras externas não o poderão esconder por muito tempo.

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Alcatraz dos crocodilos

António Santos    17.Dic.25    Outros autores

Os EUA criaram na Florida um campo de concentração de imigrantes que Trump baptizou como Alcatraz dos Crocodilos. Um relatório da Amnistia Internacional revela como cerca de 2000 imigrantes raptados nas ruas são mantidos, sem acusação formada nem acesso a advogado, em jaulas sobrelotadas. Um campo de tortura: as jaulas são iluminadas por grandes holofotes de estádio que nunca se desligam, tornando o sono quase impossível; em cada jaula, cerca de uma centena de presos partilham três sanitas, normalmente entupidas, pelo que o ar é nauseabundo e a privacidade inexistente; não há qualquer tipo de cuidados médicos e proliferam as doenças infecciosas; os mosquitos devoram os presos vivos e é proibido tentar contactar os guardas. Porque será que a comunicação social portuguesa, tão atenta aos direitos humanos em certas geografias, não deu conta deste relatório publicado na semana passada?

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Mamdani e o termómetro de Engels

António Santos    21.Nov.25    Outros autores

A eleição de Zohran Mamdani para a presidência da cidade de Nova Iorque tem suscitado as mais diversas reacções. Mas talvez mais importante do que aquilo que haja ou não a esperar do seu mandato seja o programa com que foi eleito e as razões de quem o elegeu. Quem o elegeu foi um milhão de trabalhadores das zonas mais pobres da cidade, que decidiram, numa afluência às urnas que não se via há 50 anos, rejeitar todo o lobby sionista, o genocídio na Palestina e a administração Trump, as políticas neoliberais que governam a cidade há décadas. O que acontecerá a seguir pode ou não ser fiel a essas razões, logo se verá. Trata-se, como sempre, do lugar que se escolha na luta de classes.

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Fome, fascismo e fraude

António Santos    03.Nov.25    Outros autores

Fala-se muito em que o governo dos EUA está fechado (shutdown). Mas a realidade é que o governo federal não “fechou” nem está “paralisado”. Está simplesmente recentrado nas suas funções principais: a repressão e a guerra. Em plena paralisação, à beira da maior crise de alimentação desde a Grande Depressão, a Casa Branca foi capaz de realocar 8 mil milhões de dólares para pagar salários nas forças armadas. Esse montante seria suficiente para alimentar os 13 por cento da população dos EUA que depende do Programa de Assistência Nutritiva Suplementar (SNAP). Esses 42 milhões de pessoas, entre as quais 14 milhões de crianças, estarão em risco de fome no país mais rico do mundo.

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A grande linda lei que esperava o capital

António Santos    10.Jul.25    Outros autores

O enorme pacote legislativo que Trump designou com “grande linda lei” passou no Senado dos EUA. Com ele os mais ricos receberão o maior presente da História dos EUA, ao mesmo tempo que os serviços essenciais de que dependem os mais pobres serão reduzidos a mínimos inéditos nos últimos cem anos. Os 1% mais ricos embolsarão 400 mil milhões. 800 mil milhões são cortados na Saúde e 300 mil milhões na assistência alimentar: 11 milhões de cidadãos EUA, incluindo 4 milhões de crianças, são enviados para a completa desprotecção social. O país mais desigual do mundo fica ainda mais desigual com a “grande linda lei”.

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