Al Gore: o criminoso de oito guerras mercador do ambientalismo

Nazanín Armanian    22.Dic.19    Outros autores

O florescente negócio do “ambientalismo” prospera. É aparentemente uma boa causa, e mobiliza muita gente sinceramente preocupada. É por isso útil chamar a atenção para os vultuosos interesses que tem por detrás, e alguns personagens que surgem à frente, cujo currículo é, não o de defensores do planeta, mas o de criminosos inimigos da humanidade.

Dizem que quem mata uma pessoa é assassino, quem mata milhares na guerra é um herói, e se ainda por cima se veste de verde, é o Super-Homem. Na Cimeira do imperialismo verde de Madrid 2019, Albert «Al» Gore, o promotor do negócio Big Green, vice-presidente do governo de Bill Clinton (1993-2001) e o Prémio Nobel da Paz pela sua defesa do meio ambiente, , o mesmo prémio que Henry Kissinger recebeu pelo seu pacifismo e pelos seus esforços em defesa dos direitos humanos dos oprimidos.

Como “apagar a memória histórica” ​​dos cidadãos é essencial para o sistema actual continuar a funcionar tranquilamente, é também essencial para os que pretendem mudá-lo reavivar os dois aspectos do perverso historial do Herói Verde: 1) Como o homem da massiva destruição bélica do Afeganistão, Iraque, Iugoslávia, Albânia, Sudão, Libéria, Haiti e Congo e 2) O falso ambientalista, fabricado pelo imperialismo verde, que com a sua fama protege a destruição do meio ambiente em favor de seus próprios negócios e da sua classe . Trata-se de um dos falcões mais agressivos do Partido Democrata, personagem particularmente oportunista, que durante sua carreira tentou, com seus discursos contraditórios, obter o voto dos ultraconservadores e também dos progressistas, e depois usá-lo para os interesses mais sinistros dos EUA no mundo.

O currículo bélico de Al Gore

Férreo apoiante de guerras de rapina e expansão colonialista dos EUA, Al Gore atacou aqueles que recorriam à “Síndrome do Vietname” e a morte de milhares de soldados para evitar mais guerras: “Temos interesses no mundo que são suficientemente importantes para serem defendidos. E não deveríamos estar tão queimados pela a tragédia do Vietname que não reconhecemos a necessidade do uso da força para os nossos interesses “. Já fez algum estudo para determinar os danos das guerras (o uso do agente laranja ”, por exemplo!) no meio ambiente?

• Em 1978, nosso Nobel opôs-se aos novos regulamentos federais sobre armas de fogo, para agradar aos seus eleitores nas zonas rurais.

• Em 1979, ele defendeu o patrocínio do grupo terrorista Contra na Nicarágua por Reagan e o seu financiamento com cocaína (aos “jihadistas” no Afeganistão, a CIA paga-lhes com dinheiro ópio, cujo cartel obriga os agricultores a cultivar a papoila em vez de batatas e trigo)

• Em 1983, apoiou o envio de tropas para o Líbano, onde um atentado matou 241 soldados dos EUA, 58 paraquedistas franceses e 6 civis libaneses. O que é que os EUA perderam no Líbano?

• Em 1983, aplaudiu a invasão americana da diminuta ilha de Granada, com 90.000 habitantes, por representar uma “ameaça aos EUA” de 300 milhões de almas e dotados de 5.113 ogivas nucleares. O verdadeiro motivo? Ser governada pelos socialistas, e aliada de Cuba e da URSS.

• Em 1986, celebrou o bombardeamento da Líbia por Reagan.

• Em 1991, o falcão Gore votou a favor da decisão de Bush de atacar o Iraque, uma guerra que causou grande desastre ecológico no Golfo Pérsico. Depois criticou Bush por ter sido “demasiado brando” com Saddam Hussein!

• Em 1991, o mesmo Gore que estava muito preocupado por as crianças americanas “poderiam sofrer tumores e cancro causados ​​por produtos químicos usados ​​nos pijamas de dormir”, aprovou o embargo mais criminoso da história da humanidade contra o povo iraquiano, que matou um milhão e meio de pessoas, quase metade das quais crianças. Em 29 de Junho de 2000, quando Gore dava uma conferência em Chicago sobre ‘incentivos da política energética para as cidades’, o diretor de Vozes no Deserto, Danny Muller, perguntou-lhe “porque deveria alguém votar numa administração que mata 5.000 crianças inocentes por mês através de sanções no Iraque?” Gore não respondeu, e os seus jagunços levaram-no para fora da sala. O embargo proibia a venda de produtos como o cloro para purificar a água, material sanitário como seringas e uma infinidade de medicamentos, dispositivos de oxigénio para os hospitais, papel e lápis ou leite em pó, no quadro de uma guerra genocida em toda a regra. Milhares de crianças nasceram com deformações espantosas, vítimas de toneladas de bombas, incluindo as com urânio empobrecido. A pintora e directora do Museu Nacional de Arte do Iraque, Leila al-Attar e seu marido morreram num desses atentados.

• Em 1993, após a queda do regime de Siad Barre na Somália, - que passou de ser maoísta a aliada de Washington no estratégico Corno da África -, Gore-Clinton organizaram uma das suas “invasões humanitárias”. Enquanto a matança de milhares de somalis foi considerada “dano colateral” dos seus infames interesses, a “Batalha de Mogadíscio”, em que a guerrilha somali enfrentou as tropas dos EUA matando pelo menos 70 fuzileiros navais, converteu-se na segundo derrota dos EUA numa guerra depois do Vietname.

• Em 1994, autorizou a CIA a sequestrar cidadãos de outras nações que ele considerava uma ameaça para os interesses dos EUA, revela Richard Clarke, consultor de segurança do Estado crítico da política antiterrorista dos EUA.

• Em 1994, a ONU e o governo Clinton-Al Gore-Albright sabiam que o responsável pelo massacre de muçulmanos num mercado em Sarajevo era um grupo muçulmano de extrema-direita e, ainda assim, culparam o governo da Federação Iugoslava, - que os media ocidentais chamavam “governo sérvio” para o confrontar com os grupos étnicos que compunham o país - e assim desmantelar o último estado europeu que se declarava socialista mesmo após o fim da URSS. O apoio encoberto do regime Clinton à Al Qaeda na Bósnia e no Kosovo (como a equipa Carter-Brzezinski fez em 1978 no Afeganistão para destruir o governo socialista do país) converteu a Bósnia numa base do “jihadismo” aonde chegaram milhares de indivíduos recrutados pela “Rede Islâmica Militante” coordenada pelo Pentágono. O massacre de centenas de milhares de civis iugoslavos foi baptizada de “intervenção humanitária da NATO” e aquele país foi desmantelado para que, entre outros propósitos, os EUA instalassem no coração da Europa, no Kosovo, a sua segunda maior base militar do mundo, chamada Camp Bondsteel (a primeira também está na Europa: Stuttgart!). A base inclui um mini Guantánamo, como revelou em 2005 o Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Álvaro Gil Robles. O Kosovo é, “por acaso” outro alfobre do Estado Islâmico: Blerim Heta, o Kosovar que em 24 de Março de 2014 matou 52 pessoas num atentado no Iraque, trabalhou nesta base. Porque pretendem os EUA provocar caos no Iraque?

• Em 1998, bombardeou o laboratório farmacêutico Al-Shifa no Sudão para desviar a opinião pública do escândalo Lewinsky. O Afeganistão também recebeu toneladas de bombas nessa época e durante todo o mandato do trio criminoso Clinton-Al Gore-Albright. Dezenas de milhares de afegãos morreram sob as bombas ou devido à contaminação de suas águas, dos seus solos e seu ar. Afeganistão porquê?

• Em 2000, propôs ataques militares rápidos e eficazes contra os “estados rebeldes”, por representar “uma ameaça emergente ao nosso país”, rindo-se dos tratados internacionais a esse respeito e da própria ONU.

• Em 2002, Al Gore também apoiou a guerra “preventiva” de Bush contra o Iraque e, face às “dúvidas” sobre a existência das Armas de Destruição Massiva de Saddam, oferece outro pretexto: “O Iraque representa uma séria ameaça à estabilidade do Golfo Pérsico e devemos organizar uma coligação internacional para eliminar o seu acesso a armas de destruição massiva”, insistindo na“ excepcionalidade dos EUA, e que nenhuma lei internacional pode impedir este país de tomar medidas para proteger os seus interesses vitais.
Al Gore nunca participaria numa cimeira antimilitarista.

O currículo ecológico de Al Gore

• Em 1979, o deputado Al Gore defendeu a todo custo a construção de uma barragem no rio Little Tennessee, sem que esta servisse para controlo de inundações ou para gerar energia; simplesmente queria encher o bolso de umas empresas de construção, lembra o jornal Counterpunch. Perante o protesto dos ecologistas (os verdadeiros!) de que a barragem iria acabar com a vida de várias espécies protegidas, Al Gore e seus companheiros chegaram a chantagear o presidente Carter de que, se vetasse a lei, eles reteriam o apoio democrática ao Tratado do Canal do Panamá. Isso lançou as bases para que os empresários conseguissem passar por cima da Lei das Espécies Ameaçadas de Extinção em outras regiões do país, diz o ambientalista David Brower.

• Costuma afirmar que ‘Todos somos responsáveis’ pela catástrofe ecológica, ocultando que 80% das agressões ao meio ambiente são cometidas por grandes empresas ou que o consumo de energia de um cidadão médio do Primeiro Mundo é 70 vezes mais do que a de um nos países em desenvolvimento: oculta intencionalmente as linhas que separam os ricos dos pobres, os mercadores dos consumidores.

• Foi a Foundation for Climate Protection de Al Gore que propôs o uso de biocombustível como energia renovável, fabricando “carros ecológicos”. O novo negócio para o sector da energia foi uma tragédia para milhões de pessoas pobres, cujo alimento básico é à base de batata, arroz e trigo, e agora se vêm expulsos das suas terras pelos grandes cultivadores do “Bio”. Até os que viviam do milho e da soja, já convertidos em agrocombustíveis, foram afectados por essa invenção: os protestos sociais de 2007 no México, contra o aumento do preço do milho, usado para produzir etanol nos EUA, desmascararam as soluções classistas para supostamente salvar o planeta, um negócio que causou a desertificação de grandes superfícies, o corte de milhões de árvores e a destruição de pastagens. Além disso, a erosão do solo devido à sobre-exploração, entre outras razões, desmente que este tipo de energia seja tão renovável num curto período de tempo: acelerará o aquecimento global.

• Após o fracasso dos agrocombustíveis, agora querem vender-nos produtos “inteligentes” para um Smarter Planet», e seu Greenwashing tomando por tolos a Terra e seus habitantes.
• Um activismo pelo negócio próprio: “Acham que há algo de errado em estar activo nos negócios neste país?”, respondeu Gore àqueles que o criticam por usar a sua posição e sua influência para engordar a sua conta bancária. O nosso ambientalista é sócio de várias empresas de “produtos inteligentes de economia de energia”, como a Silver Spring, que fabrica software para tornar mais eficiente a rede elétrica e recebe parte dos US $ 3,4 milhares de milhões em subsídios do Departamento de Energia dos EUA. Quando deixou o governo em 2001, Al Gore tinha um património de 1,7 milhões de dólares. Graças ao seu negócio “verde”, assessorias, conferências verdes (US $ 100.000 por intervenção), os direitos de seus filmes e livros verdes, investir em empresas como Apple, Google, painéis solares e até urinóis sem água, o seu património disparou: em 2003, tinha 200 milhões de dólares, segundo a agência Bloomberg. Com este ritmo, quanto terá hoje?

A actual presidente do Congresso dos EUA, Nancy Pelosi, também presente na Cimeira de Madrid, é outra das grandes empresárias dos produtos Bio.

• Oferece soluções ridículas e inúteis para enganar o público: usar menos água quente, pede Al Gore, o que significaria uns 700.000 galões de gasolina por dia nos EUA, sendo apenas 0,15% do combustível consumido diariamente no país. Segundo a FAO, a cada minuto, o capitalismo selvagem acaba com uma extensão de floresta equivalente a 40 campos de futebol, cerca de 13 milhões de hectares por ano. Também propôs multar as empresas de carbono pedindo-lhes o plantio de árvores (de “ter filhos e escrever livros”, se encarregará Al Gore!). Ele sabe que nas terras contaminadas nem as urtigas crescem. Na Nigéria, a empresa petrolífera anglo-holandesa Shell foi acusada de “cumplicidade em assassínio, violação e tortura” dos nigerianos na década de 90: a petroleira teria criado uma unidade secreta de espionagem, que passava informações sobre os irritantes ambientalistas à agência segurança nigeriana, ao mesmo tempo que pedia ao Presidente-General Sani Abacha que “resolvesse o problema”. E ele fê-lo: enforcou 9 dirigentes ambientalistas, matou mais de 1.000 manifestantes e destruiu cerca de 30.000 habitações na aplicação da política de “Terra Queimada”. Assim, a Shell poderia levar um milhão de barris de petróleo por dia e contaminar o meio ambiente com tranquilidade. E depois perguntam: porque é que os nigerianos se lançam ao mar em pateiras abandonando o seu lar?

Esperem e verão que gente como Al Gore aparecerá numa cimeira para apresentar bombas ecológicas e inteligentes que não contaminam: apenas matam pessoas, e só os pobres, que são os únicos que não podem fugir de uma zona de guerra.


Fonte: https://blogs.publico.es/puntoyseguido/6155/al-gore-el-criminal-de-ocho-guerras-mercader-del-ecologismo/

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