O genocídio da nação grega

Paul Craig Roberts    24.Ago.18    Outros autores

O foguetório político e mediático (incluindo a vergonhosa intervenção de Centeno) sobre o “fim da crise grega” não passa de um enorme embuste. A declaração de que a crise grega acabou é meramente a constatação de que já não resta nada para esfolar ao povo grego no interesse dos bancos estrangeiros. A Grécia está muito pior do que antes da intervenção, e está a afundar-se rapidamente.

O encobrimento político e mediático do genocídio da Nação Grega começou ontem (20 de Agosto) com proclamações políticas da UE e de outros anunciando que a Crise Grega acabou. O que eles querem dizer é que a Grécia acabou, morreu e está arrumada. Foi explorada até ao limite, e a carcaça foi lançada aos cães.

350.000 gregos, sobretudo os jovens e os mais qualificados, fugiram da Grécia. A taxa de natalidade está muito abaixo do necessário para manter a população que resta. A austeridade imposta ao povo grego pela UE, o FMI e o governo grego resultou numa contracção de 25% na economia. O declínio é equivalente ao da Grande Depressão nos EUA, mas os efeitos na Grécia foram piores. O presidente Franklin D. Roosevelt reduziu o impacto do desemprego massivo com o Social Security Act e outros elementos de uma rede de segurança social de apoio tais como a garantia dos depósitos e programas de obras públicas, enquanto o governo grego, seguindo as ordens do FMI e da UE agravou o impacto do desemprego massivo com o desmantelamento da rede de apoios de segurança social.

Tradicionalmente, quando um país soberano – fosse em resultado de corrupção, desgoverno, má sorte, ou acontecimentos inesperados - se via sem condições para pagar as suas dívidas, os credores desse país reviam as dívidas em baixa até ao nível em que o país endividado podia satisfazer os seus compromissos.

Com a Grécia houve uma mudança de regras. O Banco Central Europeu, presidido por Jean-Claude Trichet, e o Fundo Monetário Internacional decidiram que a Grécia teria de pagar a totalidade da dívida e dos juros dos seus títulos detidos por bancos alemães, holandeses, franceses e italianos.

Como seria isto alcançado?

De duas formas, ambas as quais agravaram grandemente a crise, deixando a Grécia de hoje numa posição muito pior do que aquela em que se encontrava há quase uma década.

No início da “crise,” que teria sido facilmente resolvida pela redução de parte da dívida, a dívida grega representava 129% do PIB grego. Hoje a dívida grega representa 180% do PIB.

Porquê?

A Grécia contraiu mais empréstimos para pagar juros aos seus credores, de modo a que estes não tivessem que perder nem um cêntimo. O empréstimo adicional, designado “resgate” pelos prostituídos media financeiros, não era um resgate da Grécia. Era um resgate dos credores da Grécia.

O regime de Obama encorajou este resgate, porque os bancos norte-americanos, na expectativa de um resgate, tinha vendido fundos sobre a dívida grega (“swaps”) sem cobertura de crédito. Sem um resgate os bancos dos EUA teriam perdido essa aposta e teriam de pagar as garantias em falta sobre Títulos de Dívida gregos.

Para além disso, foi requerido à Grécia que vendesse a estrangeiros os seus activos públicos e dizimasse o sistema de segurança social grego, por exemplo reduzindo as pensões a níveis inferiores ao limiar de subsistência e reduzindo de tal forma os cuidados de saúde que as pessoas morrem antes de poderem obter tratamento.

Para registo, a China comprou os portos de mar gregos, a Alemanha comprou o aeroporto. Diversas entidades europeias e alemãs compraram as empresas municipais de abastecimento de água. Especuladores imobiliários compraram ilhas gregas protegidas para empreendimentos imobiliárias.

Este saque da propriedade pública grega não teve por finalidade a redução da dívida grega. Foi encaminhado, tal como os novos empréstimos, para pagar juros.

A dívida permanece, maior do que nunca. A economia está mais reduzida do que alguma vez esteve, tal como está a população grega sobre quem recai o peso da dívida.

A declaração de que a crise Grega acabou é meramente uma constatação de que já não resta nada para extrair ao povo grego no interesse dos bancos estrangeiros. A Grécia está a afundar-se rapidamente. Todo o seu rendimento associado a portos de mar, aeroportos, serviços municipais, e todo o restante património público que foi privatizado à força pertence agora a estrangeiros que transferem o dinheiro para fora do país, afundando dessa forma ainda mais a economia grega.

Os gregos não viram apenas ser-lhes roubado o futuro económico. Perderam também a sua soberania. A Grécia não é uma nação soberana. É governada pela UE e o FMI. No meu livro The Failure of Laissez Faire Capitalism, publicado em 2013, descrevo claramente como isto foi feito na Parte III, “The End of Sovereignty,” [O Fim da Soberania].

O povo grego foi traído pelo governo Tsipras. Eles tinham a opção de se rebelar e de fazer uso da violência para derrubar o governo que os vendeu aos banqueiros internacionais. Em vez disso, os gregos aceitaram a sua própria destruição e nada fizeram. Essencialmente, a população grega cometeu um suicídio em massa.

A crise financeira mundial de 2008 não está ultrapassada. Foi varrida para debaixo do tapete da criação massiva de moeda pelos bancos centrais dos EUA, UE, Reino Unido e Japão. A criação de dinheiro ultrapassou o crescimento real da produção e fez subir os valores dos activos financeiros para além do que pode ser suportado por “condições no terreno.”

Falta ainda ver como evoluirá esta crise. Poderia resultar na destruição da civilização Ocidental. Irão os cães devorar-se uns aos outros? Depois da Grécia será Itália, Espanha, Portugal, França, Bélgica, Austrália, Canadá, até que não reste nenhum?

A totalidade do Mundo Ocidental vive entre mentiras fomentadas por poderosos grupos de interesses económicos para servir os seus interesses. Não existem meios de comunicação social independentes com excepção dos que difundem online, e esses estão a ser diabolizados e está a ser-lhes recusado o acesso. Povos que vivem num mundo de informação controlada não fazem qualquer ideia do que lhes está a acontecer. Portanto não podem agir de acordo com os seus interesses.

Fonte: https://www.zerohedge.com/news/2018-08-22/paul-craig-roberts-reflects-genocide-greek-nation

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