Autor: “Jorge Cadima ”
Boa gente
Trump abriu nas Caraíbas uma nova frente de guerra. Acusa, sem o provar, o governo da Venezuela de estar envolvido em tráficos de drogas e o Presidente da Colômbia de ser um chefe do tráfico. Ao mesmo tempo, perdoou o ex-presidente das Honduras, condenado a 45 anos de prisão – por um tribunal norte-americano – por ajudar a importar umas 400 toneladas de cocaína. A hipocrisia, a criminalidade e a mentira espalham o caos, a agressão e a guerra. Os governos vassalos e a comunicação social lacaia mantêm-se discretamente silenciosos, assobiando para o lado. É a mesma impunidade de que gozam os crimes de Israel. Sempre subserviente, sempre pronta a lamber botas, a UE só se perturba quando os EUA ameaçam abandonar o pântano ucraniano. A clique corrupta que lá instalaram é tudo ‘boa gente’.
Solidariedade europeia
A maior economia da UE está em acelerada desindustrialização. Os números oficiais da produção industrial alemã registam em Agosto uma quebra de 3,9% face ao mesmo mês do ano passado. (destatis.de, 8.10.25). A ThyssenKrupp anunciou o despedimento de 11 mil trabalhadores, 40% da sua força de trabalho, até ao final da década (cnn.com, 25.11.24). A Volkswagen vai despedir 7500 até 2029 (cnn.com, 18.3.25). São só dois exemplos.
Avoluma-se a crise — intensifica-se o belicismo
A crise manifesta-se hoje em todas as frentes: económica, social, política, financeira, militar, cultural. O declínio é simbolizado por Trump, Biden, Ursula von der Leyen, Macron, Merz, Starmer, Rutte. Mas eles são apenas a consequência, não a causa.
Palestina e resistência
«Não é exagero dizer que esta Festa do Avante foi, entre muitas outras coisas, uma das maiores expressões solidárias de massas com o povo palestiniano em Portugal. Foram os múltiplos momentos da programação – incluindo o forte Momento de Solidariedade no sábado. Foram os milhares de lenços, bandeiras, camisolas e símbolos dos visitantes da Festa. Foi a reacção da vasta assistência ao comício sempre que era referida a Palestina.»
O espectro
Na república checa o Código Penal foi alterado «criminalizando a ideologia comunista, equiparando-a à propaganda nazi». A lei prevê penas de prisão até cinco anos – prorrogáveis até 10 – para quem promova o movimento comunista. A perseguição aos comunistas checos já vem de longe: por exemplo de 1938, um ano antes da ocupação hitleriana da Checoslováquia. Nesse e noutros países, em vez de preparar a resistência à invasão nazi-fascista, a prioridade era ilegalizar os comunistas. Hoje, numa UE em que o fascismo ressurge em força, a prioridade permanece. O espectro do comunismo continua a “andar pela Europa.”
Fora de controlo
A duplicidade das potências imperialistas em relação ao conflito no Médio Oriente é gritante. Mas não é novidade. É assim há 20 meses de genocídio em Gaza. É assim há muitas décadas de ocupação da Palestina. Foi assim com os acordos de Minsk sobre a Ucrânia. Para as potências imperialistas, os acordos servem apenas para exigir concessões enquanto preparam os próximos ataques.
Até quando a Nakba?
A criação do Estado de Israel em 1948 foi acompanhada da expulsão e do massacre da população palestiniana. Mais de metade da população nativa da Palestina, cerca de 800 000 pessoas, foram então expulsas das suas casas, 531 aldeias e 11 bairros urbanos foram esvaziados dos seus habitantes. Foi chamada Nakba, a Catástrofe. Nunca cessou. Passados 77 anos, o poder sionista afunda-se numa orgia de barbaridade que tem paralelo nos crimes do nazi-fascismo. Os EUA e a UE agora fingem estar chocados com esta barbárie genocida. Mas só a ampla condenação e solidariedade dos povos porá fim à Nakba.




